Ucranianos relatam combate feroz; Rússia celebra vitória soviética na Segunda Guerra

Publicado em 09/05/2022 10:10

Por Alessandra Prentice

ZAPORIZHZHIA, Ucrânia (Reuters) - O presidente da Rússia, Vladimir Putin, se dirigiu a suas Forças Armadas nesta segunda-feira dizendo que estão lutando por seu país, em um desfile de poder de fogo russo em Moscou, enquanto suas tropas intensificaram o ataque de 10 semanas à Ucrânia.

Autoridades ucranianas disseram que intensos combates estão em andamento no leste da Ucrânia e alertaram as pessoas para se protegerem dos previstos ataques com mísseis, ao mesmo tempo em que Moscou celebrou o 77º aniversário da vitória da União Soviética sobre a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial.

Quatro mísseis Onyx de alta precisão disparados da península da Crimeia, controlada pela Rússia, atingiram a área de Odesa, no sul da Ucrânia, disseram os militares ucranianos mais tarde, sem dar detalhes.

Putin afirmou que a "operação militar especial" da Rússia é uma medida puramente defensiva e inevitável contra os planos, apoiados pela aliança militar ocidental Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), de invasão de terras, as quais, segundo ele, são historicamente da Rússia, incluindo a Crimeia.

"A Rússia repeliu preventivamente o agressor", disse ele, sem oferecer evidências do que chamou de preparativos abertos para atacar a Crimeia e a região de Donbas, na Ucrânia.

Em 2014, separatistas apoiados pela Rússia tomaram partes de Donbas no leste da Ucrânia e a Rússia anexou a Crimeia da Ucrânia no mesmo ano. Moscou então concentrou tropas em torno da Ucrânia no ano passado antes de uma invasão total que a Ucrânia e seus aliados ocidentais dizem ter sido totalmente não provocada.

"Os países da Otan não iriam atacar a Rússia. A Ucrânia não planejava atacar a Crimeia", disse o assessor presidencial ucraniano Mykhailo Podolyak após os comentários de Putin.

Putin não mencionou a Ucrânia pelo nome em seu discurso e não deu nenhuma indicação de quanto tempo a guerra pode continuar.

Também não houve referência à sangrenta batalha de Mariupol, onde um dos defensores ucranianos escondido nas ruínas da siderúrgica de Azovstal pediu à comunidade internacional que ajudasse a retirar os soldados feridos.

"Continuaremos lutando enquanto estivermos vivos para repelir os ocupantes russos", disse o capitão Sviatoslav Palamar.

As forças russas devastaram vilarejos, vilas e cidades e levaram quase seis milhões de ucranianos a fugirem desde que invadiram a Ucrânia em 24 de fevereiro.

A vice-ministra da Defesa da Ucrânia, Hanna Malyar, disse que as forças russas agora estão tentando avançar no leste da Ucrânia, onde a situação é "difícil", mas recuaram da cidade de Kharkiv, onde uma autoridade local relatou intenso bombardeio russo.

O presidente Volodymyr Zelenskiy confirmou a morte de dezenas de pessoas no atentado russo a uma escola no leste da Ucrânia no sábado.

"Como resultado de um ataque russo a Bilohorivka na região de Luhansk, cerca de 60 pessoas foram mortas, civis, que simplesmente se esconderam na escola, abrigando-se de bombardeios", disse Zelenskiy em seu discurso noturno em vídeo.

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Guerra no Oriente Médio vai reduzir crescimento e com impacto em cascata, diz presidente do Banco Mundial
Equipe dos EUA vai às negociações com Irã no Paquistão com baixas expectativas
Ibovespa renova recordes com investidor de olho no Oriente Médio
Dólar volta a cair e se aproxima dos R$5,00 sob influência do exterior
Wall St encerra sem direção comum conforme investidores avaliam negociações no Oriente Médio
Reino Unido convocará mais negociações sobre Estreito de Ormuz na próxima semana, diz autoridade