Ibovespa renova recordes com investidor de olho no Oriente Médio
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Por Paula Laier
SÃO PAULO, 10 Abr (Reuters) - O Ibovespa fechou em alta nesta sexta-feira, renovando máximas e fechando acima dos 197 mil pontos pela primeira vez, com agentes financeiros na expectativa de negociações de paz entre Estados Unidos e Irã previstas para o fim de semana.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,12%, a 197.323,87 pontos, novo recorde de fechamento, após marcar 197.553,64 na máxima da sessão, novo topo intradia. Na mínima, registrou 195.129,25 pontos. Na semana, avançou 4,93%.
O volume financeiro nesta sexta-feira somou R$33,7 bilhões.
Autoridades norte-americanas e iranianas reúnem-se em Islamabad, no Paquistão, a partir de sábado, poucos dias após o anúncio de cessar-fogo em uma guerra que começou no final de fevereiro com ataques dos EUA e de Israel contra o Irã e se espalhou pelo Oriente Médio.
Não se espera uma discussão fácil para um desfecho definitivo e ainda existem muitas incertezas, mas, por ora, tem prevalecido a avaliação positiva de que EUA e Irã estão buscando um caminho para reduzir as tensões.
No exterior, o barril do petróleo sob o contrato Brent fechou em queda de 0,75%, a US$95,20, enquanto o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, encerrou com declínio de 0,11%.
O Ibovespa tem resistido à aversão a risco e à busca por liquidez desencadeadas pelo conflito. Apesar do desempenho negativo do Ibovespa em março, a bolsa ainda registrou entrada líquida de capital externo, que persiste em abril.
"Daqui para frente, assumindo que a trégua se mantenha, acreditamos que o Brasil continuará a apresentar bom desempenho", avalia Emy Shayo, co-head de estratégia de ações de mercados emergentes e chefe de estratégia para América Latina e Brasil, conforme relatório assinado também por Cinthya Mizuguchi.
Shayo ressaltou, porém, que vê uma rotação entre setores, com aqueles que mais sofreram desde o início da guerra - especialmente o setor financeiro - recuperando parte da liderança.
Nesta sexta-feira, além do cenário externo, investidores também repercutiram a pauta macroeconômica brasileira, com o IPCA de março subindo 0,88%, maior avanço em cerca de um ano, superando as previsões de economistas, que apontavam alta de 0,77%.
"Embora uma leitura cheia ruim, e que limita o Copom no curto prazo, parte significativa da surpresa altista veio de itens como combustíveis, refletindo impacto direto do choque dos preços do petróleo", ponderou o economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, Bruno Perri.
"Se de fato houver a normalização destes preços, com um acordo de paz para o conflito, é razoável esperar a reversão destes preços (que pesaram no IPCA)", acrescentou.
DESTAQUES
-HAPVIDA ON disparou 13,05% após anunciar mudanças em sua administração. A companhia também afirmou perto do fechamento do pregão que não há uma decisão no momento envolvendo a venda de suas operações no Sul do país, citando que a região segue sendo importante para sua estratégia.
-AZZAS 2154 ON desabou 10,88%, em meio ao anúncio de que o presidente da unidade de "Fashion & Lifestyle", Ruy Kameyama, vai deixar a empresa no final de abril para "se dedicar a novos projetos pessoais e profissionais". A companhia não indicou o substituto.
-ENGIE BRASIL ON avançou 4,64%, renovando máximas históricas e ampliando a alta em abril para quase 10%. No final de março, a companhia saiu como uma das vencedoras do leilão de transmissão de energia, conquistando o maior projeto do certame.
-ALLOS ON subiu 1,92%, após firmar memorando de entendimento com a Kinea Investimentos para a potencial criação de um fundo de investimento imobiliário (FII) em uma transação que pode envolver uma oferta primária de cotas do potencial novo FII no valor entre R$789,5 milhões e R$1,97 bilhão.
-DIRECIONAL ON valorizou-se 0,77%, tendo de pano de fundo prévia operacional do primeiro trimestre, com alta de 19% nas vendas líquidas. No setor, CURY ON, que também divulgou dados do primeiro trimestre, mas com expansão de 9,5% nas vendas líquidas, caiu 3,08%.
-ITAÚ UNIBANCO PN avançou 0,7%, em mais um dia positivo para bancos no Ibovespa. BTG PACTUAL UNIT foi exceção e fechou em baixa de 0,43%.
-B3 ON subiu 1,83%, endossada ainda por relatório de analistas do Citi, que elevaram a recomendação das ações para compra e o preço-alvo dos papéis de R$19 para R$23.
-PETROBRAS PN valorizou-se 2,36%, mesmo com o declínio do petróleo no exterior. No setor, PETRORECONCAVO ON subiu 2,22%, BRAVA ON fechou com elevação de 2,21% e PRIO ON avançou 3,36%.
-VALE ON encerrou em alta de 1,06%, mesmo com o fechamento negativo dos futuros do minério de ferro na China. No setor de mineração e siderurgia, USIMINAS PNA caiu 6,12%, CSN ON cedeu 5,45% e GERDAU PN recuou 0,19%.
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(Edição Alberto Alerigi Jr.)
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