Guerra no Oriente Médio vai reduzir crescimento e com impacto em cascata, diz presidente do Banco Mundial
![]()
Por Andrea Shalal
WASHINGTON, 10 Abr (Reuters) - A guerra no Oriente Médio terá um impacto em cascata sobre a economia global, mesmo que o frágil cessar-fogo anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se concretize, disse à Reuters o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, em uma entrevista nesta sexta-feira.
Os danos, acrescentou ele, serão muito maiores caso o cessar-fogo fracasse e o conflito se intensifique.
Na terça-feira, Banga havia estimado que o crescimento global poderia ser reduzido em 0,3 a 0,4 ponto percentual em um cenário base, com um fim antecipado da guerra, e em até 1 ponto percentual caso o conflito se estenda. A inflação poderia aumentar entre 200 e 300 pontos-base, com um impacto muito maior -- de até 0,9 ponto percentual - se a guerra continuar, afirmou.
A guerra, que matou milhares de pessoas em todo o Oriente Médio, fez com que o preço do petróleo subisse 50% e interrompeu o fornecimento de petróleo, gás, fertilizantes, hélio e outros produtos, além de afetar o turismo e as viagens aéreas.
O cessar-fogo de duas semanas anunciado por Trump parece tênue, com Israel e Irã mantendo seus ataques. O Irã defendeu nesta sexta-feira que os ativos iranianos bloqueados devem ser liberados e que um cessar-fogo deve incluir o Líbano antes de seguir com as negociações entre Washington e Teerã previstas para sábado no Paquistão. Trump anunciou que navios de guerra dos EUA estavam sendo recarregados com munição para o caso de fracasso nas negociações.
"A questão realmente é: será que essa paz atual e as negociações que acontecerão neste fim de semana levarão a uma paz duradoura e à reabertura do Estreito (de Ormuz)?", disse Banga.
"Se isso não acontecer, e se o conflito voltar a eclodir, isso teria um impacto ainda maior, ou um impacto de longo prazo na infraestrutura de energia?"
Segundo Banga, o maior banco de desenvolvimento do mundo já discute com alguns países em desenvolvimento -- incluindo pequenos Estados insulares desprovidos de recursos energéticos naturais -- o acesso a recursos de programas existentes por meio das chamadas "janelas de resposta a crises".
O kit de ferramentas de crise do Banco Mundial permite que países utilizem fundos previamente aprovados, mas ainda não desembolsados, sem aprovações adicionais da diretoria, com maior flexibilidade.
Banga afirmou, no entanto, que o banco tem alertado os países para que evitem estabelecer subsídios à energia que não possam pagar, o que desencadearia problemas ainda maiores no futuro.
"Preocupo-me em garantir que eles consigam superar essa crise, direcionando o que precisam fazer, mas sem fazer nada que deteriore ainda mais o espaço fiscal", explicou.
Muitos dos países em desenvolvimento enfrentam altos níveis de endividamento e as taxas de juros permanecem elevadas, o que limita sua capacidade de tomar dinheiro emprestado para financiar medidas que respondam ao aumento nos custos de energia e outros bens causado pela guerra.
A crise colocou um novo foco na necessidade de os países diversificarem o fornecimento de energia e aumentarem a autossuficiência, disse Banga. Em junho passado, o Banco Mundial encerrou uma proibição de longa data de financiamento de projetos de energia nuclear, como parte de um esforço para atender às crescentes necessidades de eletricidade.
O Banco Mundial tem diversos produtos da área de energia em andamento, disse Banga, observando que já estão em curso conversas com países interessados em estender a vida útil de suas frotas de reatores nucleares e outros que desejam adotar a energia nuclear.
"Se não houver energia nuclear, hidrelétrica e geotérmica em escala, além de energia eólica e solar, eles acabarão fazendo mais com os combustíveis tradicionais, e ninguém quer isso", afirmou.
(Reportagem de Andrea Shalal, em Washington)
0 comentário
Guerra no Oriente Médio vai reduzir crescimento e com impacto em cascata, diz presidente do Banco Mundial
Equipe dos EUA vai às negociações com Irã no Paquistão com baixas expectativas
Ibovespa renova recordes com investidor de olho no Oriente Médio
Dólar volta a cair e se aproxima dos R$5,00 sob influência do exterior
Wall St encerra sem direção comum conforme investidores avaliam negociações no Oriente Médio
Reino Unido convocará mais negociações sobre Estreito de Ormuz na próxima semana, diz autoridade