Dólar volta a cair e se aproxima dos R$5,00 sob influência do exterior
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Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 10 Abr (Reuters) - O dólar fechou a sexta-feira em baixa ante o real e novamente próximo dos R$5,00, acompanhando o recuo da moeda norte-americana no exterior, onde investidores voltaram a demonstrar otimismo em relação ao cessar-fogo entre EUA e Irã.
O dólar à vista encerrou o dia com queda de 1,03%, aos R$5,0104, o menor valor de fechamento desde 9 de abril de 2024, quando atingiu R$5,0067. Foi a terceira sessão consecutiva de perdas para a moeda norte-americana.
Na semana, a divisa acumulou baixa de 2,90% e, no ano, queda de 8,72%.
Às 17h15, o dólar futuro para maio -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- cedia 0,94% na B3, aos R$5,0345.
Desde que EUA e Irã fecharam um acordo de cessar-fogo, na noite de terça-feira, o dólar tem enfrentado ajustes de baixa em todo o mundo, com investidores desmontando posições defensivas na moeda norte-americana.
Ainda que o Estreito de Ormuz siga travado, prejudicando o transporte global de petróleo, a expectativa de que EUA e Irã possam negociar a paz deu força a divisas de países emergentes, como o real, o peso mexicano e o peso chileno.
No Brasil, o dólar à vista atingiu a menor cotação da sessão, de R$5,0051, às 16h14, já na última hora de negócios, sendo que desde o período março-abril de 2024 a divisa não exibia valores próximos dos R$5,00.
"A redução da aversão ao risco com expectativa de cessar-fogo e recuo do DXY (índice do dólar) para abaixo de 100 provocaram alta do real nos últimos dias, que se aproximou da maior cotação do ano", destacou o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior, em análise enviada a clientes pela manhã.
"O dólar... ainda tem espaço para cair um pouco mais a depender do movimento do DXY", acrescentou.
Às 17h10, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- caía 0,21%, a 98,669.
No início do dia, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que em março o IPCA, o índice oficial de inflação, subiu 0,88% em relação a fevereiro, acima da taxa de 0,77% projetada por economistas ouvidos pela Reuters. Nos 12 meses até março, o IPCA avançou 4,14%, também acima dos 4,00% projetados.
O IPCA de março acima do projetado pelo mercado fez as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) de curto prazo subirem, com o índice reforçando as apostas de que o Banco Central cortará a Selic em apenas 25 pontos-base no fim do mês, e não em 50 pontos-base. Atualmente a Selic está em 14,75% ao ano.
O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos -- cuja taxa hoje está na faixa de 3,50% a 3,75% -- vem sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, o que conduziu as cotações do dólar a patamares mais baixos ante o real nos últimos meses.
No fim da manhã, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 4 de maio.
(Edição de Isabel Versiani)
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