Desemprego no Brasil cai a 10,5% no trimestre até abril, menor nível desde o início de 2016

Publicado em 31/05/2022 10:04

Por Camila Moreira e Rodrigo Viga Gaier

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO (Reuters) - A taxa de desemprego no Brasil atingiu o nível mais baixo desde o começo de 2016 no trimestre até abril, num resultado melhor que o esperado diante de um nível recorde da população ocupada.

A pesquisa Pnad Contínua divulgada nesta terça-feira, mostra que a taxa de desemprego brasileira foi a 10,5% nos três meses até abril, de 11,2% no trimestre imediatamente anterior, encerrado em janeiro.

O dado divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ficou bem abaixo da expectativa em pesquisa da Reuters de 11,0%, depois de ter encerrado o primeiro trimestre em 11,1%.

A leitura ainda é a mais baixa desde os 10,3% registrados nos três meses encerrados em fevereiro de 2016, além ser a menor taxa para um trimestre até abril desde 2015, quando foi de 8,1%.

O mercado de trabalho vem gradualmente mostrando recuperação, uma vez que a vacinação contra a Covid-19 permitiu a reabertura das empresas.

A queda da taxa se deveu ao aumento do número de pessoas ocupadas para 96,512 milhões, o maior da série histórica iniciada em 2012. Isso representou aumento de 1,1% em relação ao trimestre encerrado em janeiro, de 10,3% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

O total de desempregados no país recuou 5,8% nos três meses até abril sobre o trimestre imediatamente anterior, somando 11,349 milhões de pessoas, o que representa ainda declínio de 25,3% ante o mesmo período de 2021.

"Essa queda está ligada a um processo contínuo de expansão da ocupação. A expansão da ocupação antes era concentrada em construção e tecnologia da informação, mas agora está mais espalhada", disse Adriana Beringuy, coordenadora da pesquisa.

"Isso é o resultado combinado de uma atividade econômica mais dinâmica com a flexibilização de medidas de restrição (contra a Covid-19)", completou ela

Segundo o IBGE, os aumentos da ocupação se deram nos grupamentos de Transporte, armazenagem e correio; Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais; e Outros serviços. Os demais ficaram estáveis.

Os trabalhadores com carteira assinada no setor privado chegaram a 35,247 milhões, aumento de 2% sobre o trimestre até janeiro, enquanto os que não tinham carteira subiram 0,7%, para 12,474 milhões.

"Nesse trimestre, mantém-se a trajetória de recuperação do emprego com carteira, com diversas atividades registrando expansão, principalmente no Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas e em Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas”, disse Beringuy.

Apesar da melhora na taxa de desemprego, os trabalhadores enfrentam neste ano inflação alta, que corrói a renda. Nos três meses até abril, a renda média foi de 2.569 reais, praticamente inalteado ante os 2.566 reais do trimestre imediatamente anterior. Mas em relação ao mesmo período de 2021, houve forte retração de 7,9%, mesmo com o crescimento da formalidade no mercado de trabalho.

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Guerra no Oriente Médio vai reduzir crescimento e com impacto em cascata, diz presidente do Banco Mundial
Equipe dos EUA vai às negociações com Irã no Paquistão com baixas expectativas
Ibovespa renova recordes com investidor de olho no Oriente Médio
Dólar volta a cair e se aproxima dos R$5,00 sob influência do exterior
Wall St encerra sem direção comum conforme investidores avaliam negociações no Oriente Médio
Reino Unido convocará mais negociações sobre Estreito de Ormuz na próxima semana, diz autoridade