PIB do Brasil acelera e cresce 1,0% no 1º tri, diz IBGE; agropecuária recuou 0,9%

Publicado em 02/06/2022 09:18 e atualizado em 02/06/2022 14:55

Por Camila Moreira e Rodrigo Viga Gaier

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO (Reuters) - O Brasil iniciou 2022 com aceleração do crescimento econômico, registrando entre janeiro e março expansão por três trimestres seguidos com a ajuda da retomada do setor de serviços, mesmo com o cenário de inflação e juros elevados e incertezas externas.

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro teve crescimento de 1,0% na comparação com os últimos três meses de 2021, mostrando aceleração em relação ao fim do ano passado, quando avançou 0,7% sobre o trimestre anterior.

O dado divulgado nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) foi o mais alto desde o primeiro trimestre de 2021 (+1,1%), porém ficou abaixo da expectativa em pesquisa de Reuters de um ganho de 1,2%.

O IBGE, entretanto, revisou para cima os números do terceiro e quarto trimestres de 2021, passando a ver respectivamente altas de 0,7% e 0,1%, depois de informar anteriormente taxas de 0,5% e -0,1%. O número do segundo trimestre também melhorou, embora ainda tenha ficado negativo, passando a retração de 0,2%, ante declínio de 0,3% informado previamente.

Com o agora resultado positivo do terceiro trimestre, o Brasil sai do cenário de recessão técnica que havia sido apontado antes com dois trimestres seguidos de recuos.

Entretanto, o avanço de 4,6% do PIB no ano de 2021 como um todo foi mantido, e a atividade econômica está agora 1,6% acima do patamar do quatro trimestre de 2019, período pré-pandemia, segundo o IBGE.

Na comparação com o primeiro trimestre de 2021, o PIB teve expansao de 1,7%, ante expectativa de 1,8% nessa base de comparação.

O desempenho da atividade econômica surpreendeu no início deste ano, mesmo com a inflação em 12 meses em dois dígitos e a alta da taxa básica de juros. A reabertura da economia após os lockdowns contra a Covid-19 ajudou, bem como a recuperação do emprego e a expansão da renda disponível, ainda que abaixo do esperado no primeiro trimestre.

E a demanda no país foi auxiliada por um maior estímulo fiscal, após o aumento da transferência de renda aos mais pobres por meio do Auxílio Brasil.

SERVIÇOS PUXAM PIB

Nos três primeiros meses do ano, o destaque foi o crescimento de 1,0% dos serviços, que respondem por 70% do PIB brasileiro, acelerando ante avanço de 0,6% no quarto trimestre.

"Dentro dos serviços, o maior crescimento foi de outros serviços (+2,2%), que comportam muitas atividades dos serviços prestados às famílias, como alojamento e alimentação. Muitas dessas atividades são presenciais e tiveram demanda reprimida durante a pandemia", explicou a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.

Ainda do lado da produção, a indústria teve crescimento de apenas 0,1% no período, mas voltou a uma taxa positiva depois de três trimestres seguidos de contração.

Por outro lado, a Agropecuária encolheu 0,9% nos três primeiros meses deste ano, depois de saltar 6,0% no quarto trimestre, devido à estiagem no Sul, segundo o IBGE.

Pelo lado das despesas, o consumo das famílias cresceu 0,7% e o do governo, 0,1%. No entanto, a Formação Bruta de Capital Fixo, uma medida de investimento, encolheu 3,5%, com redução na produção e importação de bens de capital.

Em relação ao setor externo, as exportações de bens de serviços aumentaram 5,0%, mas as importações contraíram 4,6% em relação ao quarto trimestre de 2021.

Fonte: Reuters

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