CBOT: Diante do caos logístico no Brasil, soja fecha com forte alta
Publicado em 04/03/2013 18:44
As cotações futuras da soja fecharam a sessão desta segunda-feira (4) com ganhos de dois dígitos. Ao longo das negociações, a commodity oscilou entre os campos negativos e positivos da tabela, porém conseguiu manter o fôlego e encerrou o pregão em alta. O vencimento maio, referência para a safra brasileira chegou a US$ 14,62/bushel.
Para o analista de mercado de mercado da Agrosecurity Consultoria, Fernando Pimentel, explica que os fundamentos são positivos no mercado internacional de grãos. A perspectiva de aperto na disponibilidade da soja norte-americana, frente à demanda aquecida, principalmente, por parte da China faz com que os países importadores comprem o grão nos EUA para se protegerem dos atrasos nos embarques pelos portos brasileiros.
“O Brasil tem problemas estruturais de logística, os portos estão congestionados e há uma espera de 40 dias para o carregamento dos navios em Paranaguá. A tendência é que a situação se agrave, e a espera pode chegar a 70 dias”, destaca Pimentel.
Em comparação com o mesmo período do ano passado, o line up registrou um incremento de 70% este ano. Segundo o analista, essa falta de infraestrutura logística no país atrasa a entrada efetiva da safra no mercado e preocupam os compradores, essa situação também reduz a margem de lucros dos produtores rurais brasileiros, que sofrem com os altos valores do frete.
Outro fator que também teria exercido influencia positiva nos preços futuros são as notícias negativas do mercado financeiro internacional, conforme destaca o analista. “Do mesmo modo, as informações de que a Argentina poderia ter uma burocratização da comercialização da safra também contribui para a formação desse cenário”, sinaliza.
Por outro lado, a variável clima começa a perder a força, uma vez que a safra brasileira já praticamente desenhada, e mesmo com problemas pontuais deve totalizar 83 milhões de toneladas. Já a safra Argentina deve ficar entre 50 e 53 milhões de toneladas.
Além disso, o mercado deve operar com mais cautela durante esta semana, buscando um posicionamento diante do relatório de oferta e demanda que será divulgado na próxima sexta-feira (8) pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).
Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas