Entrada da nova safra americana no mercado traz pressão sazonal sobre a soja de Chicago, mas clima do BR permanece no radar

No Brasil, início do plantio ocorre com forte ritmo, apesar de problemas de clima pontuais que se apresentam até aqui. Produtor precisa manter foco no clima e na proteção das margens.
Publicado em 01/10/2026 10:38
Matheus Pereira
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Entrada da nova safra americana no mercado traz pressão sazonal sobre a soja de Chicago, mas clima do BR permanece no radar

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O mercado de grãos encerra a semana absorvendo dados cruciais que impactam diretamente a formação de preços tanto na Bolsa de Chicago quanto no mercado físico brasileiro. Em entrevista, Matheus Pereira, diretor da Pátria Agronegócios, analisou o cenário de turbulência gerado pela divulgação do relatório trimestral de estoques do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), além de pontuar o início dos trabalhos de campo da nova safra na América do Sul.

Milho: surpresa negativa nos estoques dos EUA e reflexos no Brasil

O número divulgado pelo USDA referente aos estoques trimestrais de milho norte-americanos até 1º de setembro veio significativamente acima do teto esperado pelo mercado, gerando uma reação de forte baixa em Chicago, com quedas de cerca de 4%. Segundo Pereira, a divulgação representou uma surpresa generalizada entre as consultorias e agentes do setor.

"O resultado ontem dos estoques trimestrais do milho foi uma surpresa extremamente negativa. Ela ficou até acima da estimativa mais elevada dentre as principais pesquisas de mercado", destacou o diretor da Pátria.

Apesar do recuo abrupto e do reflexo imediato verificado também na B3, Matheus Pereira avalia que os mercados de milho operam de forma mais regionalizada em comparação à soja. No Brasil, o segundo semestre é historicamente marcado por suporte aos preços devido ao avanço da marcha de exportações e à ausência de entrada de safra nova. Assim, a expectativa para o cenário doméstico é de recuperação gradual após a pressão pontual observada.

Soja: colheita norte-americana traz pressão sazonal

Diferente do milho, os estoques trimestrais da soja nos Estados Unidos apontaram recuo de aproximadamente 3% em relação ao ano anterior, confirmando estoques mais enxutos. No entanto, o fator predominante no curto prazo é a sazonalidade negativa decorrente da colheita no Hemisfério Norte, momento em que o grão se torna plenamente disponível no mercado norte-americano.

"O mercado de Chicago da soja já assumia essa posição de queda há algumas semanas com essa proximidade do avanço de colheita, e não deve ser diferente agora nessas primeiras duas ou três semanas de outubro, onde a pressão deve perdurar", explicou Pereira. Ele ponderou que, embora a produtividade média nos EUA seja inferior à do ano passado devido a adversidades em áreas periféricas, o aumento de quase 7% na área plantada compensa parte das perdas na produção final.

Plantio no Brasil e o monitoramento do clima

No Brasil, o plantio da safra 2022/23 avança em ritmo histórico nas principais regiões produtoras, impulsionado pela antecipação do fim do vazio sanitário em estados como Paraná, Mato Grosso e Goiás. De acordo com levantamento recente da consultoria, a semeadura atingiu 4,39% da área total.

Na região central do país, chuvas consistentes iniciadas no fim de setembro criaram um ambiente considerado ideal para o início do plantio. Já no Paraná, o excesso de precipitação pontual tem dificultado a entrada das máquinas em algumas localidades. Quanto à influência do fenômeno El Niño, Pereira destacou que, até o momento, os impactos são ameaças teóricas que ainda não se confirmaram na prática agronômica das lavouras em desenvolvimento.

"A ameaça ainda está por ser confirmada. No radar de curto prazo, o que já foi observado são condições bem favoráveis para o início de safra", afirmou, alertando para a necessidade de o produtor rural investir em ferramentas meteorológicas e consultorias técnicas especializadas para fundamentar tomadas de decisão comercial e operacional.

Referências de preços no Porto de Paranaguá

Ao avaliar os preços praticados para a soja no Porto de Paranaguá (PR), Matheus Pereira detalhou o descompasso natural entre o produto disponível e os contratos futuros da safra nova:

  • Disponível: R$ 161,00 por saca (cerca de R$ 30,00 acima do observado em março);

  • Novembro: R$ 164,00 por saca;

  • Dezembro: R$ 165,00 por saca;

  • Fevereiro (safra nova): R$ 153,00 a R$ 153,50 por saca;

  • Março: R$ 150,00 por saca;

  • Abril: R$ 151,00 por saca;

  • Maio: R$ 153,00 por saca.

O analista concluiu apontando que a diferença de cerca de R$ 11,50 entre as posições de dezembro e fevereiro reflete a expectativa de entrada da nova oferta brasileira. Apesar da queda na comparação com o produto físico atual, as ofertas futuras para o início de 2023 mantêm-se em patamares atrativos quando comparadas ao mesmo período dos últimos dois anos.

* Com auxílio de IA

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