A crise mundial e seu impacto sobre a exportação de soja, por Glauber Silveira
Um dos fatores que contribuiu para o tímido crescimento das exportações do agro no último período deve-se à queda nas exportações para a Europa, que apresentou uma baixa de 5% nas importações do agronegócio brasileiro. A Europa, que era o nosso maior demandante de produtos originados do agro até o ano de 2008, a partir de 2009 começa a declinar.
São várias as razões para a redução das importações europeias: uma das questões é a crise do continente que vem se agravando desde 2008. Outro fator é que a Europa não vem aumentando seu consumo por alimentos, já que seu crescimento populacional está estagnado e com maioria da sua população idosa, o que não demanda mais alimentos. Outro fator e dos quais acho o mais importante, é a intensificação das barreiras aos produtos do agronegócio, barreiras que muitas vezes se dizem com cunho ambiental, mas que a meu ver são protecionistas.
Mas não podemos só reclamar, tivemos um bom desempenho no mercado asiático, que vem crescendo desde 2000, a China principalmente tem se tornado um grande parceiro do Brasil. Também temos feito bons negócios com a Indonésia, Índia e Paquistão. Não podemos esquecer também da América, que tem desempenhado um papel importante nas exportações brasileiras.
O complexo soja vem liderando há mais de dez anos as exportações brasileiras do Agro, em 2011 fomos responsáveis por 42% do volume exportado. É importante observar que nos últimos dez anos a produção de soja cresceu 79% enquanto as exportações cresceram 117%, hoje exportamos quase a metade de toda a soja que produzimos.
A grande preocupação do mercado tem sido as notícias de que a China não vai continuar com uma demanda tão aquecida como vinha ocorrendo nos últimos dez anos. Para termos uma ideia da importância da China para o Brasil: em 2000, a China comprou 1,7 milhões de toneladas de soja, o que correspondia a 350 milhões de dólares, em 2011 ela comprou 22 milhões de toneladas correspondentes a 11 bilhões de dólares.
Como podemos ver qualquer gripe no gigante asiático pode causar um estrago muito grande aqui no Brasil. O que pude concluir na última viagem à China, é que ela deve não continuar crescendo sua demanda por soja em patamares tão elevados. Em 2000 eles importavam 10 milhões de toneladas, em 2011 importaram 57 milhões. O que espero é que no máximo eles ao invés de importarem 65 milhões de toneladas como alguns analistas previam, importem 60 milhões de toneladas, o que é muito bom.
Se o mundo entra em crise, ele pode pagar menos pelos produtos importados, sendo assim temos que ser competitivos e colocar os nossos produtos nos mercados internacionais mais baratos. Mas para isto precisamos fazer investimentos urgentes em nossa infraestrutura portuária e de transporte, caso contrário a toda crise mundial ou queda de preço internacional quem perde são os produtores brasileiros.
Nossa competitividade no mercado internacional tem diminuído a cada ano em virtude de problemas seculares que são: portos estrangulados e sem capacidade de expansão, sendo assim não adianta produzir mais, já que estamos no limite portuário de exportação. Nosso frete é em sua maioria via rodovias, que em geral custam o dobro do ferroviário e assim vai, sem falarmos nos altos preços dos combustíveis, energia e tributos.
Com crise ou sem crise o mundo está demandando alimentos e seus derivados, precisamos ser eficientes para aumentar nossa competitividade e crescer,nossa produção está estagnada apesar dos dizeres políticos do governo, mas não adianta crescer sem eficiência, precisamos crescer com competitividade, para isso precisamos de planejamento e investimentos. O mundo não pode pagar o preço de nossos altos custos internos por muito mais tempo, se tem uma coisa que os chineses sabem fazer é conta.
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