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Notícias Agrícolas

Seja o porta-voz de si mesmo!

Publicado em 12/03/2010 10:34
Atualizado em 12/03/2010 11:17

O mundo está de olho no Brasil

Por Daniel Coelho Barbosa, analista internacional e consultor sobre assuntos ligados a sustentabilidade e à imagem do Brasil no exterior.

Stuttgart, 12/03/2010 - O mundo está de olho no Brasil. Começa pelos eventos de peso mundial que vão acontecer em março sobre biocombustíveis e energias renováveis,  o “Worldbiofuels Markets” de 15/03 a 17/03 em Amsterdã e o "Bloomberg New Energie Summit" em Londres entre 16/03 e 18/03. O mês fecha com o “F.O. Licht” em SP. 

Um perigo chamado "ILUC"

A nova bandeira contra o biocombustível chama-se ILUC - Indirect Land Use Change. Sem dúvida, os riscos ligados às mudanças no uso da terra existem. Mas, atualmente, propaga-se grosseiramente a ideia de que a mudança indireta no uso da terra é de responsabilidade exclusiva do biocombustível brasileiro. 

Quem leu a Folha, o Estadão e o Der Spiegel em fevereiro deparou com apocalípticas manchetes do tipo “Etanol empurra boi para a Amazônia”, na UOL, “Etanol pode elevar emissão de CO2 do Brasil”, no Estadão, e “Boom do etanol ameaca a Amazônia”, no Spiegel Online - está garnida com uma linda foto de um terreno após a queimada em alta resolução. Estes e outros artigos citam o estudo do Pesquisador brasileiro David Montenegro Lapola. Confesso que ao ler estas notícias pensei que toda esta repercussão em veículos de mídia de peso dos dois lados do oceano fosse “coincidência” demais. 

Presenciamos a força dos lobbys da UE quando o boi brasileiro foi barrado na Europa. Depois assistimos a onda anti-etanol e agora, o boi e o etanol, são apresentados aos consumidores nos dois hemisférios como se fossem uma dupla sertaneja de criminosos ambientais, atores de um ciclo vicioso que culminaria com a destruição da Amazônia. Parece filme de Hollywood, onde recebeu o papel de vilão um pesquisador brasileiro, o Ph D David Montenegro Lapola,  que viu seu trabalho (publicado na revista PNAS) instrumentalizado por diversos interesses antes mesmo que as conclusões e, especialmente as soluções propostas por suas pesquisas, tivessem sido compreendidas. 

O mundo e suas tempestades geopolíticas desfavoráveis ao agronegócio brasileiro não conhecem perdão. Isto é o que Lapola está vivendo na pele, como concluo após nossa conversa por telefone. O jovem pesquisador deseja apenas o correto entendimento da sua pesquisa. O mundo divulgou o risco apontado por Lapola, mas não está se importando com as soluções por ele sugeridas para evitar o perigo. Afinal, parece ser de comum acordo na imprensa internacional só falar bem ou só falar mal de determinados assuntos. David Lapola deveria ter, pelo menos, o direito a uma réplica. 

A lição do contra-exemplo

Este caso é outro exemplo para todos os empresários do agronegócio do Brasil que deveriam ser muito mais pró-ativos em sua postura. Antes que o rótulo negativo acabe incutido no resto da população mundial. Seja contra o boi, a soja ou o etanol. Mas alguém já ouviu manchetes internacionais sobre, por exemplo, as condições de trabalho dos colhedores de abacaxi? Ou de outras culturas onde o trabalho no campo é igualmente árduo ao trabalho nos canaviais? Não? Já se perguntaram a razão?

Uma coisa é certa: enquanto os produtos brasileiros não tiverem uma voz própria e presente nos  mercados consumidores, vão continuar sendo vítimas de críticas com ou sem razão. Afinal, é fácil falar de quem está ausente e convencer uma platéia incauta e leiga da própria argumentação. No mundo globalizado em que vivemos ninguém mais pode continuar a viver avesso às medidas de divulgação de sua qualidade de produção ou sem apresentar provas de idoneidade dos métodos envolvidos.

Iniciativas brasileiras de sucesso

Muito brasileiros não sabem nem onde fica a cidade de Nova Mutum mas o mundo está acompanhando suas atividades bem de perto. Senão o assunto não teria despertado a atenção de analistas de veículos internacionais como a Bloomberg Finance após a viagem do prefeito a Berlim para integrar a comissão técnica do standard ISCC. Numa região já tão visada por ONGs o prefeito decidiu tomar uma atitude pró-ativa e está implementando em sua cidade o MutumGAP, um conjunto de normas que vai atestar a sustentabilidade da produção. Com isso, o prefeito Lírio Lautenschlager envia um excelente sinal para os produtores de todo o Brasil e para o mercado externo: Não vamos ficar parados, se existe uma solução para melhorarmos nossos métodos vamos aplicá-la agora mesmo.

Para o setor sucroalcooleiro da região o MutumGAP oferece a chance de, através da obediência dos mecanismos do sistema ISCC que é reconhecido pelo Ministério. da Agricultura da Alemanha, aferirem na ponta do lápis o índice de balanço de massa das unidades produtores. Todos acham que a cana é sustentável com cerca de 60% de saldo positivo de CO2, mas ninguém sabe os números exatos da própria fazenda ou da própria usina e nem ao certo como promover uma otimização. Esta exatidão permite sair do mundo nebuloso e incerto das estimativas para alegarmos fatos consistentes perante os mercados. Vai fazer um bem danado para a imagem geral de qualquer produto de Nova Mutum. Como visto durante a Fruitlogistika 2010, a certificação GlobalGAP é o passaporte da fruta.

E não só isso, quem quiser exportar etanol para a Alemanha sem a certificação método ISCC estará sujeito a ver seu produto penalizado a partir de Julho de 2010. Precisamente pela falta de garantias palpáveis quanto ao índice de sequestro de CO2. A nova lei alemã exige, no mínimo, 35%. 

Certamente, a ressonância do conjunto de medidas como implementado em Nova Mutum tende a abrir as portas para os produtos ali produzidos mundo a fora. Pois se a amanhã a UE decidisse implementar outro padrão qualquer, Nova Mutum estaria à frente com uma cabeça de vantagem e executando apenas equivalência com a nova norma.

Seria bom se houvesse mais estórias como estas para contar ao mundo. Mas, enquanto os produtos brasileiros não possuírem atuação própria aqui na UE vamos ficar expostos a furacões de falácias  devastadores, exemplos não faltam. Porém, apesar da soja e do etanol serem setores muito visados, Nova Mutum conseguiu atingir uma zona de calmaria pela sua postura inovadora. No fim, é mais barato prevenir do que remediar.

Dentro disto, parabéns também à Associação Catarinense de Criadores de Suínos, ACCS, pela autorização de exportação à União Europeia conforme noticia recente. Isto prova que é possível manter-se acima das críticas ao aperfeiçoarmos constantemente nossos próprios padrões.
Fonte: Daniel Coelho Barbosa
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COMENTÁRIOS

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ROSEMARY FERRAZ PAJANOTTI | SINOP - MT
Muio interessante o assunto tratado.A falta de informações sobre o que acontece até mesmo na cidade vizinha é impressionante.Resido em sinop e desconhecia esse assunto da cidade de nova mutum.Obrigado pelas informações.

15/03/2010 18:19

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