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Notícias Agrícolas

Seja o porta-voz de si mesmo!

 
 
 
 
Publicado em 05/05/2012 18:07
Atualizado em 26/06/2013 15:00

“Veta, Dilma!”, diz Camila Pitanga. “Estuda, Camila!”, diz a voz da razão!

por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

“Veta, Dilma!”, diz Camila Pitanga. “Estuda, Camila!”, diz a voz da razão! Ou: Camila à luz de Thomas Mann

camila-pitanga

Sabem aquela cerimônia de entrega da baciada de títulos de “Doutor Honoris Causa” a Lula? A apresentadora do evento foi a atriz Camila Pitanga. Então ficamos assim: um grupo de dirigentes petistas de universidades públicas resolve entregar a distinção máxima a ao chefe do petismo, sob a charmosa condução de uma atriz petista, filha e enteada de petistas. Parafraseando Monteiro Lobato, isento ali não era nem o trinco da porta. Refiro-me àquela cerimônia em que Lula leu um discurso recheado de clamorosas mentiras sobre a educação no país. O país tem pouco mais de 6 milhões de universitários — um milhão em cursos à distância, quase sempre uma picaretagem. Lula afirmou que são 12 milhões. Foi apenas uma das batatadas. Mas volto a Camila.

O escritor alemão Thomas Mann, na novela “Tonio Kröger” — pequeno e grandioso texto —, chega perto de sugerir que a beleza é, por si, uma espécie de pensamento. Ou mesmo que pode tomar o seu lugar, dispensando-o. Era um esteta, embora lembre que o culto ao belo pode conduzir à ruína, como em “Morte em Veneza”… Ô Deus! Tanta coisa boa de que falar em vez de tratar dessa canalha que está por aí… 

Na cerimônia, Camila anunciou que quebraria o protocolo. Olhou para a presidente e mandou ver: “Veta, Dilma!”, aderindo à campanha em favor do veto ao Código Florestal. A governante sorriu apenas.

Temos, como se vê, uma nova especialista em meio ambiente e agricultura: Camila Pitanga. Ela é petista. Não me lembro se estava naquela patacoada contra Belo Monte — acho que não porque o partido não endossava aquilo. Aqueles eram os naturebas verdes, ainda mais desinformados que os naturebas vermelhos.

Ah, vendo Camila, eu me lembro de Thomas Mann e da novela “Tonio Kröger”. Que vontade, não é?, de proclamar que a beleza é mesmo uma categoria de pensamento, quase uma moral! As belas e os belos têm sempre uma enorme vantagem comparativa se souberem administrar  tal ativo. Despertam a nossa tolerância. Só os muito ressentidos se irritam com a beleza. As almas mais exigentes tendem a se quedar encantadas diante da aparição. O que queria Arthur Miller com Marylin Monroe? Apropriar-se do intraduzível. Não suportou.

Muito bem! Camila, com toda a sua lindeza, exortando “Veta, Dilma!” faz-nos supor uma intensa ebulição intelectual, provocada pelo estudo e pela reflexão. Assim, além de toda aquela graça, há a boa causa a engrandecê-la. A “Bela” também se preocupa com o mundo em que se arrastam as feras. Irresistível!

Isto mesmo! “Veta, Dilma!” Expulsa, presidente, para a periferia das cidades milhares de famílias de pequenos agricultores! Não frustra, grande líder, as aspirações ecológicas dessa gente justa!

Como encerro este texto? Assim: “Vai estudar, Camila!” A beleza, como lamentou Cecília Meireles num poema, se extingue, e as pessoas sobrevivem a ela. Já o que se aprende se leva até o fim.

Por Reinaldo Azevedo

 

Se Camila Pitanga tivesse a cara da Zezé Macedo, sua exortação autoritária e irresponsável seria a mesma! Preconceituosa é ela, não eu!

Gostem ou não do que escrevo, uma coisa é fato: eu me expresso com clareza. Respondo pelos meus textos, não pela interpretação de alguns leitores. Se há gente que consegue reproduzir o som das palavras, mas não entende o seu sentido quando articulada numa frase, aí a responsabilidade não é minha.

Vivo aqui a proclamar, diga-se: “As palavras fazem sentido!” Figuras públicas do mundo da política, das artes, do entretenimento etc querem dizer o que bem entendem sobre questões relativas à vida em sociedade, mas não aceitam a reação. Basta que alguém as conteste, e lá vem o chororô: “Estão tentando me censurar!” Por que isso? Escrevi aqui ontem um texto sobre a fala de Camila Pitanga na solenidade de entrega da baciada de títulos de “Doutor Honoris Causa” a Lula. “Quebrando o protocolo”, como ela advertiu que faria, exortou: “Veta, Dilma”, referindo-se à campanha de setores da esquerda e dos ecobobos em favor do veto ao Código Florestal. Escrevi, então, um texto em que também faço uma exortação: “Estuda, Camila!”

O post foi muito comentado — alguns com restrições ao meu ponto de vista. Excluí, como sempre, os que entram aqui ou para ofender ou para me atribuir o que não escrevi. Lamento! Não tenho o que fazer com gente que não entende o que lê. Não, eu não chamei Camila de “bonita e burra” (quer dizer, de “bonita”, sim! Linda mesmo!). Também não apontei uma contradição entre beleza e inteligência. Ao contrário: ao citar um dos textos de Thomas Mann de que mais gosto, “Tonio Kröger”, fixei-me mais no enigma da beleza (tema também de “Morte em Veneza”) — as duas novelas foram editadas no Brasil num mesmo volume. Preferi dar relevo ao fascínio que ela desperta, o que conduz a uma maior tolerância. Não tenho estatísticas a respeito, mas suponho que haja mais pessoas feias e inteligentes do que bonitas e inteligentes porque há mais feios do que bonitos no mundo… Mas isso quer dizer que também deve haver mais feios e burros do que feios e inteligentes… Beleza e feiura não condicionam pensamento. É o que escrevi.

Também me chamaram de autoritário. “Então Camila Pitanga não teria o direito de dizer o que pensa?” Ora, claro que sim! E eu tenho o direito de dizer o que penso do que ela pensa. O problema está no verbo “pensar”. Já chego lá. Quero me estender um pouco sobre o autoritarismo. A solenidade em questão nada tinha a ver com Código Florestal. O tema era outro. Não havia espaço para o debate e o contra-argumento. Logo, Camila, que é bela e está longe de ser burra, sabia muito bem que falaria sem contestação e que sua exortação sairia daquelas quatro paredes. Assim, um texto legal é aprovado depois de um amplo debate na sociedade, passa por três votações no Congresso, mobiliza milhares de pessoas, e, democraticamente, Dona Camila dispara o seu “Veta, Dilma!” sem que se possa ouvir a voz contrária: “Não vetes, Dilma”. Quem é mesmo o autoritário?

Mais: ela está falando como especialista em meio ambiente? Como, vá lá, ao menos uma conhecedora da causa? Não! Está pondo em prática o truque manjado de recorrer à notoriedade conseguida em uma área para falar como autoridade em outra. A sua é a voz de um cidadão qualquer, do homem na rua? Não! Ela fala na esperança de que outros a sigam, a tenham como referência, porque, afinal, é Camila Pitanga!!! Estivesse ali fazendo alguma reivindicação de sua categoria ou fazendo alguma exortação ligada à sua profissão, bem! Mas não é nada disso. A SUA AUTORIDADE DECORRE JUSTAMENTE DO FATO DE NÃO TER AUTORIDADE NENHUMA. Quem é mesmo o autoritário? Ou, agora, vamos convidar o deputado Paulo Piau (PMDB-MG), relator do código na Câmara, para dirigir filme e novela? Suponho que um Código Florestal ao gosto de Camila seria tão bom para o meio ambiente e a produção de alimentos quanto seria boa para a dramaturgia a direção artística de Piau… 

Estuda, Camila!
Agora vamos ao “Estuda, Camila!” Os bestalhões entenderam que estou chamando a moça de burra. Não! Eu só a chamei de bela, reitero! Na verdade, eu a considero o rosto mais bonito da TV. Questão de gosto, sei disso — é o meu. Não sugeri que seja uma ignorante em sua área ou que vá estudar os métodos de Stanislavski, Grotowski ou Brecht (já me interessei por isso, fui ator amador e tenho enorme bibliografia a respeito…). Talvez seja uma verdadeira Schopenhauer da área. Eu a exortei a estudar o texto do Código Florestal mesmo! Eu aposto o mindinho — e não o perderei — que ela não sabe o que foi aprovado, a exemplo da imensa maioria que aderiu ao “Veta, Dilma!” Eu aposto que ela está chamando de “anistia” o que anistia não é. Eu aposto que ela ignora que há culturas tradicionais, que remontam a mais de século, em áreas que os ambientalistas querem reflorestar. Ocorre que há milhares de famílias vivendo nessas regiões. O que se vai fazer com elas?

Autoritário, isto sim, é aderir a uma causa que pode prejudicar milhares de pessoas — e isso nada tem a ver com o agronegócio, que está dentro da lei, segundo o Código antigo ou o novo — sem medir direito as consequências. Eu mesmo cheguei a dizer aqui que o texto aprovado no Senado, com algumas alterações, era aceitável. Mas daí a considerar que ele cria uma catástrofe ambiental, ah, isso não! Aí é ignorância mesmo! Se Dona Camila Pitanga me apontar um país no mundo, um só, que tenha uma legislação tão “avançada” na defesa do meio ambiente e tão restritiva à expansão da agricultura e da pecuária, então eu começarei a considerá-la uma interlocutora aceitável nessa questão, tenha ela a cara de Camila Pitanga ou de Zezé Macedo — uso a  “Bishshshshcoito” como referência porque ela mesma se tinha como exemplo de feiura.

Não, senhores! O problema de Camila Pitanga não está nem em ser bela, o que ela é, nem em ser burra, o que não sei se é. E isso também não é do meu interesse. Seu problema está em usar as suas faculdades de celebridade para falar sobre um assunto cujo conteúdo claramente ignora. Ou, então, que participe ativamente do debate, que faça mesas redondas,  mas enfrentando pessoas que tenham um pensamento diferente.

Autoritária é ela: faz uma exortação, abusando da condição de “celebridade engajada”, não se expõe ao contra-argumento nem precisa entrar no mérito da causa que abraça. Já nos bastam os anos de mistificação no Brasil e mundo afora sustentada no que nunca deixou de ser uma hipótese: a tal “mudança climática”, que já foi “aquecimento global”. Quanto apanhei por contestar esses bananas, Deus meu! Agora, James Lovelock, aos 92 anos, o guia espiritual dos aquecimentistas, diz: “Erramos” . E afirma que os cientistas das universidades só não admitem o erro porque vão perder financiamento! Quem tornou o “aquecimento global” uma “causa global”? As celebridades! Aquele tontalhão do Al Gore (que chamo “Al Bore”) ganhou até um Oscar anunciando o fim do mundo. 

Não entendem Thomas Mann? Parafraseio Eduardo Dusek: “Troque uma causa inexistente por uma criança pobre!” 

Por Reinaldo Azevedo 

 

FIM DA FARSA! Guia espiritual da turma do “aquecimento global” confessa: “ERA ALARMISMO!” Leia, Dilma, antes de se submeter à patrulha no caso do Código Florestal!

James Lovelock, patriarca do

James Lovelock, patriarca do "aquecimento global", admite: "Eu estava errado. Não há nada acontecendo ainda"!

Pois é… O que já apanhei neste blog e fora dele por causa daquele tal “aquecimento global”, que virou, depois, “mudança climática”!!! O fato de não ser um especialista na área e de ser, vá lá, um conservador, fazia de mim (faz ainda, para alguns) necessariamente um mau sujeito, um inimigo do bem, da humanidade, do planeta… Vocês sabem: aquelas coisas que a Marina Silva tão bem representa com seu ar telúrico. Há dias, o físico José Goldemberg, um aquecimentista, concedeu uma entrevista ao programa Roda Viva. Mudei de canal quando um jornalista da Folha, não lembro o nome, demonstrou seu inconformismo com o fato de a imprensa dar voz aos “céticos” (não que ele fosse contra o “outro lado”, claro…). Claro! Atenção! O aquecimento global (ou mudança climática) não chega a ser nem uma teoria. Trata-se, ou tratava-se, apenas de uma hipótese. E que foi desmoralizada faz tempo. Ocorre que agora existe uma indústria multibilionária do meio ambiente. Eu vivia reclamando, vocês se lembram, de banco que reciclava papel, mas não baixava o spread, hehe… Antes da Dilma! Adiante.

Às vésperas da tal “Rio+20″ — que leva alguns tontos a cobrar de Dilma o veto ao Código Florestal —, o tal “aquecimento global”, ora chamado de “mudança climática”, sofreu um duro golpe.

Vocês já ouviram falar de James Lovelock? Há aqui um resumo de sua biografia em português. Trata-se de uma espécie de patriarca ou decano da moderna hipótese do aquecimento global (ou da mudança climática). Lançou a chamada Hipótese de Gaia, segundo a qual a Terra seria um superorganismo. Era um verdadeiro fanático da crença — sim, crença — no aquecimento global. Desde que comecei a ler uma coisinha ou outra a respeito, pus a teoria na conta de uma bobagem por uma razão, primariamente, de linguagem: vi que as catástrofes imaginadas eram meras cópias do Apocalipse de São João. Os relatos da Bíblia são mais interessantes. Entre uma religião sem Deus e uma com Deus, prefiro a segunda. Mas vamos ao que interessa. Lovelock caiu fora! Não é mais um apocalíptico. Tornou-se quase um cético. Admite agora: ele e os aquecimentistas erraram, exageraram. A entrevista foi concedida a Ian Johnston, no site msnbc.com. Foi publicada no dia 23 de abril. Foi praticamente escondida. Tivesse alguém com o seu peso anunciando o apocalipse, seria um deus-nos-acuda.

Aos 92, Lovelock admite  ter sido “alarmista” sobre as mudanças climáticas e que outros, como o bobalhão Al Gore (”bobalhão” é meu) também o foram. Sim, ele continua a acreditar que a mudança está acontecendo, mas muito mais lentamente do que se imaginava. Em 2006, para vocês terem um ideia, num artigo para o jornal inglês Independent, ele escreveu que, até 2100, bilhões de pessoas morreriam, e alguns poucos casais conseguiram sobreviver no Ártico, onde o clima seria apenas tolerável. Na entrevista, ele admite que foi longe demais.

Está escrevendo um novo livro, que comporá uma triologia com “Revenge of Gaia: Why the Earth Is Fighting Back - and How We Can Still Save Humanity” e “The Vanishing Face of Gaia: A Final Warning: Enjoy It While You Can”, publicados em português, respectivamente, com os títulos “A Vingança de Gaia” e “Gaia, Alerta Final”. No novo trabalho, mais otimista, ele vai dizer como a humanidade pode ajudar a regular o planeta. O livro também registra a sua mudança de opinião: “O problema é que não sabemos o que o clima está fazendo. A gente achava que sabia há 20 anos. Isso levou a alguns livros alarmistas — o meu inclusive — porque aquilo parecia claro, mas não aconteceu”.

Que bom, né, gente?

“O clima está fazendo suas trapaças de sempre. De fato, nada está acontecendo ainda. Nós deveríamos estar a meio caminho da frigideira. O mundo não aqueceu desde o começo do milênio. A temperatura se mantém constante, quando deveria estar crescendo - o dióxido de carbono está crescendo, sobre isso não há dúvida”. Ele aponta que os filmes “Uma Verdade Inconveniente”, de Al Gore, e “The Weather Makers”, de Tim Flannery são também alarmistas.

Lovelock é um  qualquer, um daqueles que o jornalista que estava no Roda Viva acha que não podem mais ser ouvidos? Oh, não! A revista Time já o considerou um dos 13 líderes visionários, num artigo intitulado “Heróis do meio ambiente”. Vejam a sua biografia e o artigo original. Ele é considerado um  guia espiritual do mundo científico que lida com o meio ambiente. Ao menos era! Vão tentar enterrá-lo em vida.

Indagado pelo repórter se, agora, também ele é um cético, responde: “Depende do que você queria dizer com ‘cético’. Eu não sou um negacionista”. Tá bom demais, né? Nunca niguém negou alguma aquecimentozinho, um calorzinho gostoso… Ele continua a trabalhar com a hipótese de que o aumento da emissão de dióxido de carbono leva a um aumento da temperatura, mas acrescenta que o efeito do oceano ainda não foi estudado o suficiente e que aí está a chave da questão. “O mar pode fazer toda a diferença entre uma era do aquecimento e uma era do gelo”.

Mas não é isso, santo Deus, o que alguns dos chamados “céticos” vêm sustentando há muitos anos?

Como diria o poeta latino Catulo, é difícil renunciar subitamente a um grande amor, não é? Lovelock não chega a mandar para a geladeira todos os seus antigos parceiros. Diz acreditar que está em curso uma mudança climática, mas vai demorar muito tempo para que se sintam seus efeitos. “Nós ainda teremos um aquecimento global, mas ele foi adiado um pouquinho”. Bem, no que concerne à Terra, “um pouquinho” podem ser alguns milhões de anos.

“Cometi um erro”
Como pesquisador independente, que trabalha sozinho, ele diz não ver problema nenhum em reconhecer: “Tudo bem, cometi um erro”. E afirma que cientistas que trabalham para governos e universidades têm medo de admitir um erro porque podem perder financiamento

Lovelock, que já trabalhou com a NASA e descobriu a presença de substâncias químicas nocivas (CFC) na atmosfera — mas não o seu efeito sobre a camada de ozônio (esse é outro mito muito influente) —, diz que a humanidade deve fazer o possível para evitar a queima de combustíveis fósseis, tentando se adaptar às mudanças que virão. Peter Stott, chefe Met Office Hadley Centre, do Reino Unido, afirma que Lovelock havia sido mesmo muito alarmista sobre a possibilidade de as pessoas terem de viver no Ártico em 2100. E concorda que o aquecimento dos últimos 12 anos não é o esperado pelos modelos climáticos. Ele só acha que é preciso esperar mais dez anos para admitir que esses modeles têm problemas. Sei…

Lovelock nem é o estudioso mais importante a ter desmoralizado os apocalípticos. Mas é o mais simbólico. Era, reitero, o guia espiritual da turma, o sacerdote. Há anos trato das maluquices desses que chamo membros da Igreja do Aquecimento Global dos Santos dos Últimos Dias… Aos poucos, vai-se recobrando a razão, mas é um processo lento. A “mudança climática” gerou uma cultura, uma doxa, virou ideologia. Mais: também envolve negócios multibilionários, especialmente das empresas voltadas para as chamadas energias alternativas. Muitas delas estão por trás de ONGs que financiam alguns de nossos patriotas, amigos da natureza…

Leitores me enviaram ontem o link de uma entrevista que o climatologista Ricardo Felício concedeu a Jô Soares. Ele é professor do Departamento de Geografia da USP. Esclarecedora e divertida. Aquele jornalista que acha que os céticos não podem ser mais ouvidos deve ter ficado triste. Não sei o que Felício pensa quando o assunto não é clima. Parece-me uma pessoa preparada. E já merece a minha simpatia por não temer a patrulha.

Num país em que a ciência, o direito e o jornalismo se submetem cada vez mais ao tribunal do politicamente correto, ter a coragem de dizer o que pensa é uma virtude.

Por Reinaldo Azevedo

 

LULA ESTÁ COM ÓDIO E ABRAÇADO A SEU RANCOR! ELE É HOJE O ÚNICO RISCO QUE ENFRENTA O GOVERNO DILMA. OU: AINDA QUE A GRITARIA SUGIRA O CONTRÁRIO, OS TOTALITÁRIOS JÁ PERDERAM

Considero este texto um dos mais importantes já publicados neste blog. Se gostarem, ajudem a divulgá-lo.
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Eu não gosto da expressão “passar a história a limpo”. Tem apelo inequivocamente totalitário. Fica parecendo que vivemos produzindo rascunhos e que a história verdadeira nos aguarda em algum lugar. Para tanto, teríamos de nos submeter às vontades de um líder, de uma raça, de uma classe ou de partido para atingir, então, aquela verdade verdadeira. A gente sabe aonde isso já deu. Nos milhões de mortos dos vários fascismos e do comunismo. Assim, não existe história a ser “passada a limpo”. Os países que alcançaram a democracia política, como alcançamos, têm é de lutar para tirar da vida pública os corruptos, os aproveitadores e os oportunistas. Isso é “passar a limpo”? Não! isso é melhorar quem somos. Não por acaso, antes que prossiga, noto que Luiz Inácio Lula da Silva é um dos herdeiros dessa visão totalitária supostamente saneadora — daí o seu mentiroso “nunca antes na históriadestepaiz“, como se fosse o fundador do Brasil.

A CPI do Cachoeira poderia ser — pode ser ainda, a depender do andamento, vamos ver — mais uma dessas oportunidades em que práticas detestáveis dos subterrâneos da política vêm à luz, permitindo punir aqueles que abusaram dos cofres públicos, das instituições e da boa-fé dos brasileiros. Ocorre que há uma boa possibilidade de que isso não aconteça. E por quê? Porque Lula está com ódio. Um ódio injustificado. Um ódio de quem não sabe ser grato. Um ódio de quem não encontra a paz senão exercendo o mando. É ele quem centraliza hoje os esforços para que a CPI se transforme num tribunal de acusação da Procuradoria Geral da República, do Supremo Tribunal Federal e da imprensa independente. E já não esconde isso de seus interlocutores.

A presidente Dilma Rousseff, cujo governo não é do meu gosto — e há centenas de textos dizendo por que não — já deve ter percebido (e, se não o percebeu, então padece de uma grave déficit de atenção política): o risco maior de desestabilização de seu governo não vem da oposição ou do jornalismo que leva a sério o seu trabalho. O nome do risco é Lula.

Ele quer se vingar. Mas se vingar exatamente do quê? Não há explicação racional para o seu rancor, como vou demonstrar abaixo. Já foi, sim, um elemento que ajudou a construir a democracia brasileira — não mais do que isto, friso: uma personagem que participou de sua construção. Nem sempre de modo decoroso. Em momentos cruciais, para fortalecer seu partido, atuou como sabotador. Mas o sistema que se queria edificar era mais forte do que a sua sabotagem. Negou-se a homologar a Constituição; recusou-se a participar do Colégio Eleitoral; opôs-se ao Plano Real; disse “não” às reformas que estão hoje na base da estabilidade que aí está… A lista seria longa. Mesmo assim, ao participar do jogo institucional (ainda que sem ter a devida clareza de sua importância), deu a sua cota. Agora que o regime democrático está estabelecido, Lula se esforça para arrastar na sua pantomima e na do seu partido alguns dos pilares do estado democrático e de direito.

Por quê? Seria seu senso de justiça tão mais atilado do que o da maioria? É a sua intolerância com eventuais falcatruas que o leva hoje a armar setores do seu partido e da base aliada para tentar esmagar a Procuradoria, o Supremo e a imprensa? Não! Lamento ter de escrever que é justamente o contrário: o que move a ação de Lula, infelizmente, é o esforço para proteger os quadrilheiros do mensalão.Uma coisa é certa: outros líderes, antes dele, já deram guarida a bandidos. O PT não fundou a corrupção no Brasil. Mas só Lula e seu partido a transformaram num fundamento ético a depender de quem é o corrupto. Se aliado, é só um herói injustiçado.

Ódio imotivado
E Lula, por óbvio, deveria estar com o coração pacificado, lutando para fortalecer as instituições, não para enfraquecê-las. Um conjunto de circunstâncias — somadas a suas qualidades pessoais (e defeitos influentes) — fez dele o que é. Em poucas pessoas, o casamento da “virtù” com a “fortuna” foi tão bem-sucedido. O menino pobre, retirante, tornou-se presidente da República, eleito e reeleito, admirado país e mundo afora. Podemos divergir — e como divergimos! — dessa avaliação, mas nada disso muda o fato objetivo. Quantos andaram ou andarão trajetória tão longa do ponto de partida ao ponto de chegada?

Lula deveria ser grato aos aliados e também aos adversários. Qualquer um que tenha um entendimento mediano da história sabe como os oponentes ajudam a formar a têmpera do líder, oferecendo-lhe oportunidades. Não há, do ponto de vista do Apedeuta, o que corrigir no roteiro. O destino lhe foi extremamente generoso. Sua alma deveria estar em festa. E, no entanto, ele sai proclamando por aí que chegou a hora de ajustar as contas. Com quem? Com quê?

Não farei aqui a linha ingênuo-propositiva, sugerindo que o ex-presidente deixe a CPI trabalhar sem orientação partidária, investigando quem tem de ser investigado, ignorando que há forças políticas em ação e que é parte do jogo a sua articulação para se defender e atacar. Isso é normal no jogo democrático. O que não é aceitável é esse esforço para eliminar todas as outras — à falta de melhor designação, ficarei com esta — “instâncias de verdade” da sociedade. Instâncias que são, reitero, instituições basilares da democracia.

Lula e seus sectários chegaram ao ponto em que acreditam que o PT não pode conviver com uma Procuradoria-Geral da República que não seja um braço do partido; com um Supremo Tribunal Federal que não seja uma seção do partido; com uma imprensa que não seja uma das extensões do partido. Todos eles têm de ser desmoralizados para que, então, o PT surja no horizonte realizando a sua vocação: SER A ÚNICA INSTÂNCIA DE VERDADE. Na conversa que manteve anteontem com petistas, em que anunciou — POR CONTA PRÓPRIA — que o governo vai avançar sobre a mídia, Rui Falcão, presidente do PT, foi claríssimo:
“(a mídia) é um poder que contrasta com o nosso governo desde a subida do (ex-presidente) Lula, e não contrasta só com o projeto político e econômico. Contrasta com o atual preconceito, ao fazer uma campanha fundamentalista como foi a campanha contra a companheira Dilma (nas eleições presidenciais de 2010).”

Ou por outra: o bando heavy metal do PT considera que as instituições da democracia ocupam o seu espaço vital, sufocam-no. Se o partido foi vitorioso e chegou ao poder segundo os instrumentos democráticos, uma vez no topo, é preciso começar a eliminá-los. Esses petistas entendem a política segundo uma linha supostamente evolutiva de que eles seriam os mais aptos. Qualquer outra possibilidade significa um retrocesso. É um mito da velha esquerda, herdado, sim, lá do marxismo — ainda que o partido não seja mais marxista nos fundamentos econômicos. Da velha teoria, herdou a paixão pelo totalitarismo.

Já vimos isso antes e alhures
Já vimos isso antes na história. Na América Latina, a Argentina assiste a um processo ainda mais agressivo, conforme revela matéria da VEJA na edição desta semana (falo a respeito em outro post). Os regimes autoritários ou a depredação da democracia não surgem sem justificativas verossímeis e sem o apoio de muitos inocentes úteis e inúteis. Procedimentos corriqueiros do jogo democrático e do confronto de ideias começam a ser ideologicamente demonizados para que venham a ser considerados crimes. Voltem à fala de Rui Falcão. A simples disputa eleitoral, para ele, é chamada de “manifestação de preconceito” das oposições. A vigilância que toda imprensa deve exercer numa democracia é tratada como ato de sabotagem do governo. E ninguém estranha, é evidente, que VEJA esteja entre os alvos preferenciais dos autoritários.

Aqui e ali alguns tontos se divertem um tatinho achando que a pinima de Lula e de seus extremistas é com a revista em particular. Não é, não! É com a imprensa livre. Se VEJA está entre seus alvos preferenciais, deve ser porque foi o veículo que mais o incomodou. Então se tira da algibeira a acusação obviamente falsa, comprovadamente falsa, de que a publicação participou de conspirações contra esse ou aquele. Ora, digam aí os nomes dos patriotas, com carreiras impolutas, que foram vítimas desse ente tão terrível (leiam post abaixo). VEJA não convidou os malandros do mensalão a fazer malandragens. Também não patrocinou as sem-vergonhices no Dnit. Também não responde pela montanha de dinheiro liberado que não se transformou nem em estradas nem em obras de reparo. A revista relatou essas safadezas. Com quem falou para obter informações que eram do interesse de quem me lê de outros milhões de brasileiros? Isso não é da conta de Lula! Ele, como sabemos, só dialoga com a fina flor do pensamento… Só que há uma diferença importante: um jornalista que se respeita não fala com vigaristas para ser ou manter o poder. Se o faz, é para denunciar o poder! E assim foi, o que rendeu a demissão de corruptos e a preservação do patrimônio público.

É claro que isso excita a fúria dos totalitários. Na Argentina, a tropa de Cristina Kirchner costuma ser ainda mais criativa — e, em certa medida, grosseira — do que seus pares brasileiros. Por lá, a agressão à imprensa chegou mais longe. Começou com uma rusga com o Clarín, que apoiava o casal Kirchner. Agora, trata-se de um confronto com o jornalismo livre. A exemplo do que ocorre no Brasil, uma verdadeira horda está mobilizada pelo oficialismo para destruir a democracia. Também lá, a subimprensa alugada pelo poder, conduzida por anões morais, ajuda a fazer o serviço sujo.

Voltando e caminhando para a conclusão
Lula e seus extremistas estão indo longe demais! Quando um secretário-geral da Presidência reúne deputados e senadores do seu partido, como fez Gilberto Carvalho, para determinar que o centro das preocupações da CPI deve ser o mensalão, esse ministro já não se ocupa mais do governo, mas de um projeto de esmagamento da boa ordem democrática; esse ministro não demonstra interesse em identificar e pedir que a Justiça puna os corruptos, mas em impedir que outros corruptos sejam punidos. E por quê?

Porque Lula está com ódio? De várias maneiras, o seu conhecido projeto continuísta se mostra, hoje, impossível. Não é surpresa para ninguém que mais apostavam no naufrágio de Dilma algumas alas do PT que nunca a consideraram petista o suficiente do que propriamente a oposição. Estaria eu flertando com o governo, como disseram alguns tontos? Ah, tenham paciência! Não mudei um milímetro a minha avaliação sobre a gestão Dilma Rousseff e sempre escrevi aqui — vejam lá! — que as denúncias de lambanças feitas pela imprensa livre, seguidas das demissões, fariam bem à sua imagem e à sua reputação. Está em arquivo. Sei o que escrevo e tenho, alguns podem lamentar, uma memória impecável. Assim, a presidente não me decepciona porque eu não esperava mais do que isso. Também não me surpreende porque eu não esperava menos do que isso. Contrariados estão alguns fanáticos do petismo que acreditam que há certos “trancos” na democracia que só podem ser dados por Lula. Sim, eles têm razão. Infeliz E felizmente, só Lula poderia fazer certas coisas. E não vai fazê-las. Não se enganem, não! A avaliação de Dilma lá nas alturas surpreende e decepciona os que apostavam no retorno de Lula. Eu não tenho nada com isso porque nunca fui dessa religião… Ou melhor: até fui, quando era menino e pensava como menino, como diria o apóstolo Paulo… Depois eu cresci.

Lula tenta instrumentalizar essa CPI para realizar a obra que não conseguiu realizar quando era presidente: destruir de vez a oposição, botar uma canga na imprensa e “passar a história a limpo”, segundo o padrão do revisionismo petista. Mas a democracia — e ele tantas vezes foi personagem minúscula de sua construção, quando poderia ter sido maiúscula — não vai deixar. Não conseguirá arrastar as instituições em seu delírio totalitário. Tenham a certeza, leitores: por mais que o cerco pareça sugerir o contrário, esse coro do ódio é expressão de uma luta perdida. E a luta foi perdida por eles, não pelos amantes da democracia.

Texto publicado originalmente às 4h49

Por Reinaldo Azevedo

 

Ah, que bonitinho! Cachoeira agora virou atestado de inocência de gente que Dilma defenestrou por bons motivos

dilma-ministerio-descontrolado

Não se deixe enganar. A marcha da vigarice está mais ativa do que nunca!

Escrevi ontem um texto relatando como o ministro Gilmar Mendes, do Supremo, poderia estar sendo hoje linchado por certo tipo de cobertura jornalística. Por quê? Gravações feitas pela Polícia Federal em junho do ano passado indicam que o contraventor Carlinhos Cachoeira e seus asseclas estavam interessados na libertação de um prefeito que estava preso. Lembram que a decisão do habeas corpus cabe a Mendes, sugerindo que vão procurá-lo - o que, segundo o ministro, não aconteceu. Muito bem!

Para sua sorte, Mendes negou o habeas corpus ao tal prefeito duas vezes - naquele mesmo junho e em dezembro. Imaginem se tivesse encontrado motivos jurídicos para concedê-lo! Iriam tratá-lo como membro da gangue. Entenderam de que a política está ficando refém? Das conversas de Cachoeira com os seus homens, recheadas de bravatas e papo-furado. Nesse caso, a gravação serviria para condenar o ministro por um crime que não cometeu. De resto, poderia ter concedido um habeas corpus dentro da lei, ainda que Cachoeira ficasse contente com isso.

Mas certa cobertura de imprensa também faz o contrário: todo desafeto de Cachoeira ou todo aquele em cuja queda ele demonstra interesse se torna, em princípio, vítima de seus ardis. É o caso do ex-ministro dos Transportes Alfredo Nascimento, senador pelo PTB (AM), e de Luiz Antônio Pagot, ex-chefão do Dnit. Coversas do bicheiro com seus auxiliares evidenciam que ele estaria tramando a queda dos dois. Eles acabaram sendo demitidos por Dilma. “Ah, tudo armação do Cachoeira!!!”

É mesmo? Só se a presidente é mais uma das teleguiadas do bicheiro… Não teria ela procedido a apuração nenhuma antes de concluir que ambos não poderiam continuar no cargo? Não teria ela se socorrido de informações fornecidas pela Controladoria Geral da União, por exemplo. Digam-me aqui: o fato, agora, de ficar claro que Cachoeira queria a queda deste ou daquele faz de seus desafetos da hora almas impolutas, administradores competentes,  moralizadores do dinheiro público? Qual é? Tentam enganar a quem?

Pagot teve a chance de botar a boca no trombone em depoimento ao Senado. Por que não o fez? Também em gravações, Cachoeira se refere a um encontro do ex-presidente do Dnit com ninguém menos do que Fernando Cavendish. Expressa a certeza de que o demitido não daria com a língua nos dentes porque seria um “tiro no pé”!!!

Atenção!
VEJA publicou a primeira reportagem sobre as lambanças no Ministério dos Transportes na revista que começou a chegar aos leitores no dia 2 de julho de 2011, um sábado. A reportagem informava, inclusive, uma reunião que a presidente havia feito com a cúpula da pasta, passando uma carraspana generalizada. Ela própria sabia que a situação era de tal sorte grave que, PRESTEM ATEÇÃO, começou a demitir a cúpula dos transportes no próprio sábado.

Aquela foi só a primeira reportagem. Outras tantas vieram depois - e não só na VEJA. Nascimento não conseguiu se segurar no cargo. Pagot também saiu. Não, não foi Cachoeira quem os demitiu! Não foi VEJA quem os demitiu. Quem tomou a decisão foi Dilma Rousseff. Leiam um post de 3 de julho, justamente o que trata do início da limpa no Ministério dos Transportes. Ele traz algumas informações sobre o descalabro que vigia na pasta. Em casos assim, ou a gente tem memória ou acaba engolido por vigaristas:
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A presidente Dilma Rousseff decidiu neste sábado afastar do cargo os representantes do Ministério dos Transportes envolvidos em denúncia apontada em matéria de VEJA desta semana. A reportagem revela um esquema de pagamento de propina para caciques do PR, Partido da República, em troca de contratos de obras.

Dilma conversou com o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, neste sábado e acertou o afastamento dos envolvidos. São eles: Mauro Barbosa da Silva, chefe de gabinete do ministro; Luís Tito Bonvini, assessor do gabinete do ministro; Luís Antônio Pagot, diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit); e José Francisco das Neves, diretor-presidente da Valec. O desligamento dos funcionários será formalizado a partir da próxima segunda-feira, pela Casa Civil.

“Para garantir o pleno andamento da apuração e a efetiva comprovação dos fatos imputados aos dirigentes do órgão, os servidores citados pela reportagem serão afastados de seus cargos, em caráter preventivo e até a conclusão das investigações”, diz o Ministério dos Transportes, em nota.

Senadores da oposição ouvidos (aqui) por VEJA neste sábado haviam exigido uma postura mais firme da presidente Dilma sobre ao caso. Por enquanto, Nascimento continuará à frente do cargo. O ministro disse que vai instaurar uma sindicância interna para apurar “rápida e rigorosamente” o envolvimento de dirigentes da pasta e seus órgãos vinculados nos fatos mencionados pela revista.

“Além de mobilizar os órgãos de assessoramento jurídico e controle interno do Ministério dos Transportes, o ministro decidiu pedir a participação da Controladoria-Geral da União (CGU). As providências administrativas para o início do procedimento apuratório serão formalizadas a partir da próxima segunda-feira”, diz a nota.

O ministro rechaçou qualquer ilação ou relato de que tenha autorizado, endossado ou sido conivente com a prática de quaisquer ato político-partidário envolvendo ações e projetos do Ministério dos Transportes.

Caso
A edição de VEJA mostra que, no último dia 24, a presidente Dilma Rousseff se reuniu com integrantes da cúpula do Ministério dos Transportes no Palácio do Planalto para reclamar das irregularidades na pasta. Ao lado das ministras Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e MÍriam Belchior (Planejamento), ela se queixou dos aumentos sucessivos dos custos das obras em rodovias e ferrovias, criticou o descontrole nos aditivos realizados em contratos firmados com empreiteiras e mandou suspender o início de novos projetos. Dilma disse que o Ministério dos Transportes está sem controle, que as obras estão com os preços “inflados” e anunciou uma intervenção na pasta comandada pelo PR - que cobra 4% de propina das empresas prestadoras de serviços.

A presidente também cobrou explicações sobre a explosão de valores dos empreendimentos ligados ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Na nota, o ministro Alfredo Nascimento disse que desde janeiro vem tomando as providências para redução dos custos de obras.

“Tal preocupação atende não apenas a necessidade de efetivo controle sobre os dispêndios do ministério, mas também a determinação de acompanhar as diretrizes orçamentárias do governo como um todo. Característica de sua passagem pelo governo federal em gestões anteriores e, obedecendo à sua postura como homem público, Alfredo Nascimento atua em permanente alinhamento à orientação emanada pela presidente”.

Reunião
Com planilhas e documentos sobre a mesa, Dilma elevou o tom no encontro com representantes da pasta: “O Ministério dos Transportes está descontrolado”. A presidente chamou de “abusiva”, por exemplo, a elevação do orçamento de obras em ferrovias, que passou de 11,9 bilhões de reais, em março de 2010, para 16,4 bilhões neste mês - salto de 38% em pouco mais de um ano. Dilma também se irritou em especial com a Valec, estatal que cuida da malha ferroviária, e com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), responsável pelas rodovias.

O secretário-executivo do ministério, Paulo Sérgio Passos, o diretor-geral do DNIT, Luiz Antonio Pagot, e o diretor de Engenharia da Valec, Luiz Carlos Machado de Oliveira, também estavam na reunião em que Dilma mais falou do que ouviu.

“Vocês ficam insuflando o valor das obras. Não há orçamento fiscal que resista aos aumentos propostos pelo Ministério dos Transportes. Eu teria de dobrar a carga tributária do país para dar conta”, disse Dilma, quando a reunião caminhava para o fim. Ela deu o diagnóstico: “Vocês precisam de babá. E terão três a partir de agora: a Míriam, a Gleisi e eu”.

Nas últimas semanas, VEJA conversou com parlamentares, assessores presidenciais, policiais e empresários, consultores e empreiteiros. Ouviu deles a confirmação de que o PR cobra propina de seus fornecedores em troca de sucesso em licitações, dá garantia de superfaturamento de preços e fecha os olhos aos aditivos, alvo da ira da presidente na reunião do dia 24.

O esquema seria encabeçado pelo deputado Valdemar Costa Neto, que em 2005 foi obrigado a renunciar a uma cadeira na Câmara abatido pelo escândalo do mensalão. E também pelo ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, que aliás faltou ao encontro com Dilma alegando “compromissos pessoais”.

Voltei
A suposição de que os dois patriotas caíram porque vítimas de Cachoeira ou é uma piada cretina ou é coisa de má fé. Perguntem a Dilma se foi o bicheiro que lhe deu ordens para dar um murro na mesa. Perguntem à presidente se ela não considerou mesmo abusiva, entre outras coisas, a elevação do orçamento de obras em ferrovias, que passou de 11,9 bilhões de reais, em março de 2010, para 16,4 bilhões em julho de 2011, um salto 38% em pouco mais de um ano.

Se houver alguma fita em que Cachoeira diz que o capeta é um sujeito malvado, vamos canonizar o rabudo? Se, porventura, fizer uma saudação a Deus, é o caso de considerar o Altíssimo um senhor muito suspeito?

Cachoeira, agora, virou o único juiz do Brasil? Serve tanto para lavar como para sujar biografias?

Por Reinaldo Azevedo

 

Chico Jabuti será lido agora em coreano! Mas quem paga a conta é você!

Lauro Jardim publicou na coluna Radar seguinte nota. Volto depois:
Chico Buarque vai receber uma ajuda financeira indireta do Ministério da Cultura, comandado pela irmã Ana de Hollanda. O empurrão financeiro vai ajudá-lo a vender livros no mercado asiático.
A Biblioteca Nacional acaba de aprovar o financiamento para a tradução para o coreano do livro Leite Derramado. Em 2011, o MinC chegou a cancelar o apoio da tradução do mesmo livro para o francês devido à possibilidade de conflito fraternal de interesses.
Agora, amparado em decisão da Comissão de Ética Pública, Ana não tem mais obstáculos legais para ajudar o irmão.

Voltei
Pois é… Dado o pensamento político do gigante, deveria ser editado na Coréia do Norte… O problema é que o comunismo, que é do gosto de Chico, não permite que aqueles coitados comprem livros. Ainda que distribuídos de graça, serviriam para fazer fogueira nos invernos rigorosos…

A Coréia do Sul é um país rico. Se há interesse pela obra literária do sambista, há dinheiro para traduzi-la. Chico e sua editora também são ricos. Se há interesse em levar seu sambinha literário de uma nota só para aquele país, podem arcar com o custo. Mas quê…

Se os desdentados podem pagar por essa grande conquista da literatura brasileira, por que os endinheirados o fariam? Os comunas chiques não veem em casos assim nem sombra da luta de classes, tá? A propósito: quanto nos custou a tradução de Machado de Assis para o coreano? Como? Não houve? Quando crescer, Machado ainda será um Chico Buarque…

A Comissão de Ética Pública não viu nada de errado? Que bom! Não seria a Comissão Aética a fazê-lo, certo?

Engraçado acharem que coisas assim não têm nada a ver com aquele mesmo país em que jorram cachoeiras de vigarices e imposturas.

Consta que Ana já está reservando uns trocos para a versão em javanês! A falta de vergonha na cara dos descolados de esquerda é só poesia e apoio à cultura, incompreendidos pelos reacionários e ressentidos. Depois dizem que Ana de Hollanda não serve pra nada!

Vi Chico numa campanha de TV se dizendo “um catador” — no caso, de lixo reciclável. Ninguém inventou destinação ainda para o lixo moral.

Por Reinaldo Azevedo

 

PF flagra 22 citações a ex-número 2 da Delta

Por Alfredo Junqueira, no Estadão:
A estratégia da construtora Delta de jogar sobre seu ex-diretor Cláudio Abreu toda a responsabilidade pelos desvios identificados na Operação Monte Carlo esbarra no farto material de investigação que a Polícia Federal tem sobre outros integrantes da cúpula da empresa.

 

O inquérito, que tramita na 11.ª Vara Criminal Federal de Goiás, mostra que Carlos Pacheco, diretor executivo licenciado da Delta - o número dois da construtora -, e Heraldo Puccini Neto, responsável pela empresa na Região Sudeste e considerado foragido da Justiça, mantiveram contato frequente com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e outros integrantes de sua organização entre março e agosto do ano passado.

A PF também identifica referências ao dono da empresa, Fernando Cavendish - que se licenciou da presidência do conselho da construtora há dez dias -, em conversas de Cachoeira com Abreu e com o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO).

Nas gravações feitas pela PF, Pacheco é citado em pelo menos 22 diálogos do contraventor e de seus aliados. Dois encontros foram agendados entre ele e Cachoeira, indicam gravações realizadas em junho e julho do ano passado. Em 15 de junho, o ex-vereador de Goiânia Wladimir Garcez informa a Cachoeira que está chegando na casa do contraventor “acompanhado de Cláudio, Heraldo e Pacheco”.

Pacheco também teria se oferecido como sócio de Cachoeira na compra de um terreno. Em 15 de agosto de 2011, Abreu leva um suposto recado do diretor ao contraventor: “Falei que você tava comprando. Ele tá querendo entrar com você na compra da área”. Cachoeira propõe parcerias na construção de imóveis do Programa Minha Casa, Minha vida: “Fala lá com o Pacheco, vê se ele tem interesse”.

O contraventor também demonstra intimidade ao falar do número dois da Delta. Em conversa com Abreu no dia 1.º de junho de 2011, Cachoeira manda: “Amanhã, você dá uma cacetada no Pacheco porque não entrou nada viu? Tudo atrasado, tudo atrasado”. No dia seguinte, Cachoeira pede a Abreu que mande um avião a Brasília para levar Demóstenes ao encontro de Pacheco em Goiânia.

Além da Monte Carlo, Pacheco agora tem de prestar esclarecimentos em ação proposta pelo Ministério Público Federal no Tocantins sobre o suposto uso de documentação falsa para que a Delta participasse de licitações para prestação de serviços de limpeza urbana.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

QUEM SÃO E O QUE QUEREM OS PETRALHAS DE CRISTINA KIRCHNER

Não deixem de ler a reportagem de Tatiana Gianini na VEJA desta semana sobre o grupo “La Cámpora”, que poderia ser definido, deixem-me ver, como os… “petralhas” de Cristina Kirchner, presidente da Argentina. Não por acaso, os blogs do JEG e da BESTA são grandes admiradores da truculência com que o governo daquele país trata a imprensa, por exemplo.

Cristina chegou muito mais longe do que o petismo na intimidação ao jornalismo independente. Mas há mecanismos semelhantes. Alfredo Scoccimarro, um político já veterano, mas que decidiu se ligar aos fascistóides do La Cámpora, é o Secretário de Comunicação Pública. Junto com Máximo Kirchner, filho da presidente e criador do grupo, comanda uma verba oficial de publicidade de 1,5 bilhão de pesos — o equivalente a R$ 650 milhões. O dinheiro é distribuído segundo, vamos dizer, a fidelidade do veículo de comunicação ao governo. No Brasil, verbas públicas e de estatais financiam um troço parecido com jornalismo, cujo objetivo é puxar o saco do poder, atacar políticos da oposição, ministros do Supremo que não são considerados “fiéis” e, obviamente, a imprensa independente. Trata-se, evidentemente, nos dois países, de práticas que agridem a democracia.

O La Cámpora mobiliza ainda uma vasta rede de “militantes” nas ruas e na Internet — procurem no arquivo a resenha que escrevi sobre o livro “Aguantem Los K”. Também na Argentina a esgotosfera oficialista é muito ativa. Como não disse Marx, a classe dos vigaristas é internacional.

A Argentina é a prova de que a degradação institucional é possível mesmo depois de um país atingir a democracia plena. Desde o fim da ditadura militar, sob o pretexto de readicalização do regime democrático, numa a liberdade de expressão e de opinião foi tão agredida. Que o Brasil preste atenção ao que se passa por lá.

Leiam trecho da reportagem:

Na Roma antiga, a guarda pretoriana era responsável pela segurança dos imperadores. Na Argentina de hoje, tornou-se epíteto de um grupo de jovens responsáveis pela imposição da ideologia da presidente Cristina Kirchner e da perpetuação de sua família no poder. Os membros do La Cámpora, como se chama a agrupação, são liderados por Máximo, de 35 anos, filho da governante. Não há ministério ou repartição pública argentina em que eles não estejam infiltrados. No ano passado, mais de 7000 novos empregos estatais foram oferecidos a membros do La Cámpora ou a pessoas indicadas por eles. Desses, pelo menos quarenta são cargos-chave do governo. Os camporistas gerenciam algumas das principais empresas estatais, como a Aerolíneas Argentinas e a agência de notícias Télam, e conquistaram dez cadeiras no Congresso. Máximo e seus amigos estão por trás das medidas recentes mais truculentas da Presidência de Cristina, como os ataques à imprensa independente e a expropriação da petrolífera YPF, controlada pela espanhola Repsol, aprovada na semana passada pela Câmara dos Deputados.

O La Cámpora surgiu como uma alternativa aos órgãos de sustentação do peronismo tradicional. Em 2003, após ser eleito presidente com parcos 22% dos votos. Néstor Kirchner concluiu que necessitava de um instrumento para exercer o populismo, um mal atávico da política argentina, com total controle. Os sindicatos, que no peronismo costumam exercer essa função, não lhe pareciam suficientemente confiáveis. O presidente pediu ao filho, Máximo, que reunisse seus amigos para criar uma agremiação leal ao kirchnerismo
(…)
A cúpula é composta de Máximo e seis subordinados. Três são deputados nacionais: Andrés Larroque, Eduardo de Pedro e a única mulher (e musa) da liderança, Mayra Mendoza. Mariano Recalde preside as Aerolíneas Argentinas. Os outros dois, Juan Cabandié e José Ottavis são deputados provinciais. O camporista mais comentado das últimas semanas é Axel Kiccilof, vice-ministro da economia, um dos responsáveis por coordenar o confisco da YPF e o principal conselheiro da presidente em matéria econômica.

(…)
Leiam a íntegra na edição impressa

Por Reinaldo Azevedo

 

SIM, O JORNALISMO PRECISA TOMAR CUIDADO PARA NÃO SERVIR AO CRIME ORGANIZADO E ÀQUELES QUE QUEREM DESMORALIZAR A DEMOCRACIA

Uma coisa vocês não podem negar a este escriba, não é? Desde o primeiro dia, apontei a ação dos petistas — encabeçados por Lula, José Dirceu e Rui Falcão — para usar as tramoias de Carlinhos Cachoeira e seu grupo para tentar melar o processo do mensalão e para intimidar a imprensa. A coisa agora é escancarada! Ontem, Rui Falcão (ver posts abaixo) perdeu qualquer restinho de pudor e declarou que a “mídia” será o próximo alvo do governo. Tudo indica que falou apenas em nome da banda heavy metal do PT, não do Planalto. Trato do assunto em outro post. Muito bem. “Melar” o mensalão compreende, entre outras coisas, um esforço para desmoralizar ministros do Supremo Tribunal Federal e o procurador-geral da República, Roberto Gurgel. A imprensa independente — aquela que não é financiada com dinheiro público nem é subordinada a uma rede criminosa montada na Internet (isso ainda vai dar o que falar, anotem aí) — tem de tomar cuidado para não fazer, involuntariamente, o serviço da bandidagem. Infelizmente, aqui e ali, isso está acontecendo. Dado o pano de fundo, exporei aqui um caso emblemático. Antes de fazê-lo, no entanto, é preciso proceder a uma digressão para esclarecer algumas coisas.

Começa a digressão
Já escrevi aqui — e Eurípedes Alcântara, diretor de Redação da VEJA, divulgou uma Carta de Princípios a respeito da ética no jornalismo — que a qualidade moral da fonte não faz a qualidade da informação. Uma pessoa decente e muito bem-intencionada pode induzir um repórter ao erro. Um bandido pode dar uma informação relevante. O importante é o jornalista saber para quem está trabalhando. Não tenho receio nenhum de debater abertamente o que alguns vagabundos andam dizendo sobre VEJA. O inquérito que veio a público demonstra que o profissional da revista trabalhava a serviço da verdade e do interesse público. Quanto mais isso fica evidente, mais a corja radicaliza na retórica.  A reportagem recebeu informações de Cachoeira? Também dele, a exemplo de uma penca de jornalistas. Ou algum repórter investigativo de Brasília se orgulha de só falar com beatos e beatas??? Matérias foram feitas só com informações do dito-cujo? Isso é uma piada, uma fantasia! Tanto as reportagens de VEJA eram fundamentadas, com dados inquestionáveis, que muitas delas estão, sim, na raiz da demissão de ministros e servidores. Mas atenção! Quem demite é a presidente Dilma Rousseff. VEJA não tem esse poder. Se a primeira mandatária tomou tal decisão, encontrou certamente razões muito fortes para tanto. Não deve ter sido só para não deixar chateada a equipe da revista, certo?

Jornalista não tem de fazer um tribunal de moral e cívica antes de falar com a fonte. Tem é de ter a certeza de que não trabalha para ela, mas para o interesse público. E tem de apurar muito bem os fatos, reitero, para não servir a bandidos, como fizeram, querendo ou não, os que sustentavam a veracidade do Dossiê Cayman. Naquele caso, sim, em vez de apuração, decidiu-se dar crédito à conversa de vigaristas. Tentaram, por exemplo, fazer de Luiz Antonio Pagot uma pobre vítima do inexistente complô VEJA-Cachoeira. Gravações que vieram a público, conforme demonstrei aqui, mostram o ex-chefão do Dnit se entendendo com a turma de Cachoeira. Vale dizer: aquela acusação era só uma vingança dos ressentidos com VEJA. Ressentidos por quê? Alguns porque perderam a boquinha. Outros porque não se conformam com o fato de o Brasil ser uma democracia — não é mesmo, Rui Falcão?

Vale dizer: o que dizem Cachoeira e seus rapazes — ou os seres mais impolutos — não pode ir parar nos sites, revistas e jornais sem que se verifique a veracidade das acusações. Ou se corre o risco de, sob o pretexto de combater a bandidagem, agredir instâncias do estado de direito. Como quer José Dirceu. Como quer Lula, Como quer Rui Falcão. Fim da digressão.

Agora o caso
Ontem, o Estadão Online publicou um texto de Ricardo Brito, da Agência Estado, cujo título era: “Grupo de Cachoeira tentou interferir em habeas corpus”. O busílis era o seguinte: o prefeito de Piraquê (TO), Olavo Júlio Macedo, estava preso, e a turma o queria solto. Gleyb e Eney, dois homens do esquema do contraventor, conversam a respeito do caso e dizem que será julgado o habeas corpus. Muito bem. Transcrevo em vermelho um parágrafo da reportagem. Leiam com atenção. Volto em seguida:

Às 15h30 daquele dia, Gleyb disse, em telefonema a um interlocutor não identificado pela PF, que estava no Senado para se encontrar com Demóstenes Torres (sem partido-GO), suspeito de envolvimento com Cachoeira. Às 16h44, o integrante do grupo de Cachoeira afirmou, em nova ligação, que iria passar em um ministério e no Supremo.
Um minuto depois, Gleyb pergunta, numa ligação para Eney, se há “mais alguma coisa” para conversar. O advogado responde que é preciso manter contato no Supremo, visando liberar o prefeito cujo habeas corpus estava com Gilmar Mendes.

Voltei
O que o trecho sugere? O óbvio! Que Demóstenes e o tal Gleyb foram falar com Gilmar Mendes em favor do prefeito. Isso se deu no dia 9 de junho do ano passado. O senador ainda era uma referência de severidade e correção até para seus adversários. Ouvido, o ministro diz que ninguém foi procurá-lo. MAS ATENÇÃO! SE ALGUÉM O PROCUROU OU NÃO, ISSO É IRRELEVANTE. O RELEVANTE VEM AGORA!!!

GILMAR MENDES NEGOU DUAS VEZES A CONCESSÃO DE HABEAS CORPUS AO TAL PREFEITO! No dia  29 de junho e no dia 5 de dezembro de 2011. Muito bem! Agora faço a pergunta essencial para que avaliemos os riscos que estamos correndo com certo tipo de apuração e reportagens que andam na praça — mesmo na imprensa que tem compromisso com a seriedade. Lá vai:
E SE GILMAR MENDES TIVESSE RECONHECIDO MOTIVOS TÉCNICOS, JURÍDICOS, PARA CONCEDER O HABEAS CORPUS?
Agora o ministro estaria lascado, e aquela fala serviria como evidência de que ele estaria trabalhando para o grupo de Carlinhos Cachoeira. Por sorte, ele entendeu duas vezes que o pedido de habeas corpus era descabido.

Entenderam?
Vocês entenderam a natureza da questão? Uma coisa é o que a gangue diz entre si, suas bravatas, suas demonstrações de influência. Outra, distinta, são os fatos. O repórter afirma: “Esta é a segunda vez que pessoas ligadas a Cachoeira aparecem em grampos telefônicos comentando casos que estão nas mãos Mendes.” Incrível! Mesmo com a evidência de que a decisão do ministro não atendeu às expectativas da turma, mantém-se a sombra da suspeita. Na primeira vez, num caso envolvendo uma estatal de Goiás, Demóstenes faz referência a um procedimento regular de Mendes, que não teve mérito ainda decidido. Revela apenas a sua expectativa. Mesmo assim, o senador apresenta a coisa como decorrência de sua influência.

Ora, ministros do Supremo, agora, não são mais livres para decidir segundo a lei. Habeas corpus? O jeito vai ser dizer sempre “não”! Vai que surja uma conversa de alguém: “Ah, já falei com o ministro X, está tudo certo!” Cada membro do Supremo teria de ter o seu próprio sistema “Guardião” e grampear o país inteiro. Só assim teriam a certeza de que sua decisão estaria a salvo de ilações.

O mal que Demóstenes fez
Um episódio como esse dá conta do mal que Demóstenes fez à política — muito maior do que ele imagina, acho. Ele era um medalhão do Senado. Um senador manter conversar com ministros do Supremo, do STJ, ministros de estado, autoridades etc. é parte do jogo. Quem lhe recusaria, em princípio, uma audiência? Que diabos, no entanto, ele dizia a seus interlocutores sobre esses encontros? Num outro pleito seu, já nem me lembro sobre qual assunto, não diz ele que mantinha boa conversa com a ministra do Meio Ambiente? Não se relacionou, também, com autoridades dos ministérios da Educação e da Saúde?

Este caso em que o nome de Mendes é citado deveria servir de alerta para os jornalistas que lidam com o material que foi vazado sobre o inquérito — a propósito: suponho que os vazadores sejam as carmelitas descalças, né? O ministro poderia ter concedido o habeas corpus de boníssima-fé. E estaria agora encalacrado.

Não estão por aí os criminosos da Internet a sustentar que as fitas que traziam imagens do “governo paralelo” de Dirceu — fitas do circuito interno do hotel, reitere-se — foram passadas à VEJA por Cachoeira em troca de uma reportagem favorável a bingos eletrônicos? Cadê a reportagem? Se alguém a encontrar, nunca mais escrevo uma linha!

É bom botar essa bola no chão. Jornalistas decentes só querem a verdade. E têm de ter claro que há vigaristas querendo apenas as instituições — para destruí-las.

Por Reinaldo Azevedo

 

Gilberto Carvalho quer CPI sendo usada para cuidar dos… mensaleiros!

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Gilberto Carvalho, vocês sabem, guarda os arcanos petistas. É o homem mais importante do partido depois de Lula. Era o braço direito do prefeito Celso Daniel quando foi assassinado. Um dos irmãos do prefeito o acusa de ter confessado que levava mala de dinheiro da Prefeitura para José Dirceu. Os dois negam. É uma espécie de olheiro de Lula no governo Dilma — para que nada fuja do controle “do chefe”. E está mobilizado, também, para que a CPI do Cachoeira atenda a um propósito político-partidário — na verdade, para atender a uma banda do partido —, não para que puna os corruptos. Leiam trecho da reportagem de Daniel Pereira, Otávio Cabral e Rodrigo Rangel:

(…)
O senador José Sarney já recomendou ao PT que “controle os radicais”, argumentando que ninguém tem a ganhar se essa CPI começar a sair do controle”. O recado tem endereço certo: a turma que vê na CPI uma chance única de desmoralizar o julgamento do mensalão. A primeira ofensiva desse grupo foi dada na sessão da semana passada, com a tentativa de convocação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, para depor na CPI. Sob o argumento de que ele deve explicar por que retardou a abertura de uma investigação contra Demóstenes Torres, os petistas querem colocá-lo no banco dos réus da CPI para tentar des- moralizá-lo. A imprensa é outro alvo que, na estratégia dos radicais, precisa sair chamuscada da CPI. Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência da República, reuniu, na quinta-feira passada, em seu gabinete no Palácio do Planalto deputados e senadores petistas para lembrá-los de que “o alvo da CPI é o mensalão”. Carvalho, só para lembrar, foi chefe de gabinete de Lula nos oito anos em que ele ficou na Presidência. Conhece de perto, portanto, as entranhas do esquema de compra de apoio no Congresso, parte substancial do escândalo do mensalão.

O cenário inicial da CPI do Cachoeira é muito semelhante ao da CPI dos Correios, instalada em 2005 a partir da gravação na qual Maurício Marinho, diretor da estatal, cobrava 3 000 reais de propina, o que deu origem à descoberta de novos fatos envolvendo dinheiro público e compra de apoios pelo governo. Aquela CPI nasceu com o intuito de blindar os aliados do governo e era controlada por parlamentares fieis ao Palácio do Planalto. Exatamente como agora. Também tinha o mesmo prazo de atuação: 180 dias.

Mas, logo no início dos trabalhos, depoimentos bombásticos, como o do deputado Roberto Jefferson e do marqueteiro Duda Mendonça, incendiaram a comissão e provocaram uma indignação popular que impediu qualquer tipo de acordo. A atual comissão também tem fios desencapados e personagens que podem contar muita coisa. Cachoeira e Cavendish, por exemplo. Com uma matéria-prima mais modesta do que a produzida pelas operações da PF, a CPI dos Correios produziu a denúncia do mensalão, a cassação de José Dirceu e Roberto Jefferson e a renúncia de meia dúzia de políticos, além de tisnar a imagem imaculada de virgem ética do PT. A CPI do Cachoeira, com seu farto material, tem potencial ainda maior. Basta que não se torne refém de arranjos políticos

Leia a íntegra na edição impressa

Por Reinaldo Azevedo

 

Rui Falcão tenta constranger Dilma e defende que governo avance contra a imprensa livre

Rui Falcão, que já foi jornalista, mostra por que é hoje presidente do PT. Enquanto o segundo dia do seminário promovido pelo Instituto Internacional de Ciências Sociais debatia liberdade de imprensa — e o presidente do Supremo, Ayres Britto, rechaçava qualquer controle do estado —, o petista defendia, num encontro partidário, um jornalismo que ficaria bem, deixe-me ver, na Coreia do Norte. Faz sentido! Ele está falando em nome de José Dirceu e de Kim Jong-Lula. O mais interessante no discurso de Falcão não é sua explicitude (a sua fala de ontem foi o “Garganta Profunda” — o filme — da defesa da censura), mas o que esconde. E o que esconde?

A banda do PT em nome da qual ele fala decidiu constranger a presidente Dilma Rousseff. Ela já disse mais de uma vez que o único controle de imprensa que admite é o “controle remoto”. Embora o governo federal financie, sim, por meio de anúncios da administração e de estatais, aquela rede da Internet encarregada de atacar oposicionistas, ministros do Supremo e a imprensa independente, a presidente tem resistido às investidas dos radicais para criar o controle estatal da informação. Entenderam?

À falcoaria, não interessa apenas financiar o jornalismo que puxa o saco do poder — coisa de países com déficit democrático; é preciso também censurar a imprensa que vigia o poder, e isso é coisa de ditaduras.

Falando como se fosse porta-voz do Planalto, anunciou, segundo o Estadão:
“Este é um governo que tem compromisso com o povo e que tem coragem para peitar um dos maiores conglomerados, dos mais poderosos do País, que é o sistema financeiro e bancário. E se prepara agora para um segundo grande desafio, que iremos nos deparar na campanha eleitoral, que é a apresentação para consulta pública do marco regulatório da comunicação”.

A forma como o ministro Paulo Bernardo (Comunicações) conduziu, até agora, o debate sobre o marco regulatório passa longe de censura. Mas os petistas e seus esbirros na Internet estão infelizes. Bernardo já andou sendo atacado. Querem, reitero, ditadura. Falcão deixou claríssimo que não tem em mente uma imprensa que sirva ao país. Ele quer é um jornalismo servil ao PT:
“(a mídia) é um poder que contrasta com o nosso governo desde a subida do (ex-presidente) Lula, e não contrasta só com o projeto político e econômico. Contrasta com o atual preconceito, ao fazer uma campanha fundamentalista como foi a campanha contra a companheira Dilma (nas eleições presidenciais de 2010).”

Como se nota, ele recorre ao nome de Dilma duas vezes para tentar arrastá-la para a sua pantomima liberticida.  Trata-se de uma mentira estúpida. Os grandes veículos do país estão longe de exibir uma mesa voz. É igualmente mentiroso que façam oposicionismo sistemático. Matérias favoráveis ao governo se contam às pencas. Mas digamos que a sua acusação fosse verdadeira… E daí? Ele acha que o fato de o partido ter vencido eleições lhe dá o direito de calar as vozes discordantes? Acha! A democracia, para este senhor, é só um meio para chegar ao poder.

“Campanha contra a companheira Dilma???” Qual? Ah, é verdade! Houve uma oposição que ousou disputar… Coisa gravíssima! Até outro dia, os petistas não admitiam perder eleições. Agora eles chegaram à fase em que já não admitem nem mais disputá-las. Com esse palavrório, Falcão está tentando ressuscitar o projeto deixado por Franklin Martins, que foi encostado por Paulo Bernardo por orientação de Dilma.

Falcão já havia gravado um vídeo em que pedia uma CPI do caso Cachoeira para… livrar a cara dos mensaleiros. Voltou ao tema:
“Essa CPI vai desvendar também quais são os caminhos de ligação com esses contraventores nos setores da mídia brasileira”.
Vai uma ova! Essa acusação já foi desmoralizada. Isso é só palavra de ordem para alimentar a rede suja da Internet. O inquérito vazou. E mostra, sim, políticos no meio da lambança. A imprensa aparece colhendo informações para denunciá-las. E foi assim que Dilma demitiu seis ministros de Estado — contra a vontade dos Falcões, Dirceus e Lulas — e caiu nas graças da população. Tivesse ouvido a companheirada, estava agora amargando a fama de amiga de corruptos.

O presidente do PT referiu-se ainda ao senador Demóstenes Torres:
“Esse fariseu, que é o senador Demóstenes Torres, é apresentado pela imprensa como sem partido, mas vamos nos lembrar sempre que, até um mês atrás, ele era senador do DEM”.
Entendi! Falcão só conhece a realidade do seu partido. Ali, não existe “ex”. Todo mundo é atual. José Dirceu, “chefe de quadrilha”, segundo a PGR, não é ex-petista; é petista! Delúbio Soares, apontado como membro da quadrilha, não é ex-petista; é petista! Todos os aloprados não são ex-petistas. São petistas! A figura do corrupto ex-petista parece ser uma contradição dada pelos termos.

Encerro
O presidente do principal partido da base, aquele ao qual é filiada a presidente, anunciou que o governo vai avançar contra a mídia que ousa “contrastar” o poder petista. Comportou-se como quem fala em nome do governo. Com a palavra, Dilma Rousseff.

Por Reinaldo Azevedo

 

Esquema de Cachoeira fez lobby na Anvisa para liberar medicamentos

Por Vannildo Mendes e Fábio Fabrini, no Estadão:
Diálogos interceptados pela Polícia Federal colocam a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) no foco das investigações sobre a organização criminosa comandada pelo empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, desmantelada pela Operação Monte Carlo. Os grampos revelam que o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) fazia lobby no órgão para que o laboratório Vitapan, de Cachoeira, obtivesse licenças de medicamentos e renovações.

Nos diálogos, gravados em abril de 2011, Cachoeira pede ajuda de Demóstenes para resolver demandas na Anvisa. Os dois combinam uma operação para cooptar Norberto Rech, gerente geral de medicina do órgão. Os grampos indicam que, depois de uma suposta conversa entre o parlamentar e o servidor, em 13 de abril do ano passado, Cachoeira enviou emissários para uma reunião na agência.

Professor da Universidade Federal de Santa Catarina, Norberto Rech foi levado em 2005 para o órgão com o patrocínio do senador Humberto Costa (PT-SP), então ministro da Saúde. O assessor nega ter feito qualquer ato de ofício para favorecer os negócios do contraventor. A oposição quer convocá-lo para prestar depoimento na CPI do Cachoeira e pediu que a Anvisa realize sindicância para verificar se o gerente facilitou a tramitação das demandas do bicheiro.

Cachoeira queria assegurar a renovação automática das liberações necessárias aos seus medicamentos e Demóstenes, conforme deixam claro os grampos, negociou uma “agenda programada” com Rech, então gerente-geral de Medicina. O objetivo do esquema seria obter licenças facilmente e, na hora das renovações, poupar o laboratório de burocracia e exigências técnicas.

“Aquele… o Norberto… você teve com ele ontem pra olhar aqueles trem que eu te pedi?”, questiona Cachoeira a Demóstenes num dos cinco telefonemas sobre o assunto, interceptados em 14 de abril de 2011.

Unidade
A estratégia dos dois era cooptar o assessor com a promessa de construir uma unidade do laboratório de Cachoeira em Santa Catarina. Nas conversas, Cachoeira cita Rech como “aquele rapaz do Ênio, que trabalha na Anvisa”. O bicheiro se referia a Ênio Branco, secretário de Comunicação do governo de Santa Catarina, antigo aliado de Demóstenes e que, na época dos telefonemas, presidia SCPar - Participações e Parcerias, empresa de desenvolvimento do Estado. Branco, que negou em nota ter realizado negócios com o contraventor, também deve ser chamado à CPI. Ele e Rech figuram como alvos de uma investigação devolvida para a primeira instância pelo ministro Ricardo Lewandowski, do STF, porque não têm direito a foro especial.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Maioria dos senadores quer processo contra Demóstenes

Por Gabriela Guerreiro e Márcio Falcão, na Folha:
A maioria dos integrantes do Conselho de Ética do Senado é a favor de abrir, na próxima terça, processo disciplinar contra Demóstenes Torres (ex-DEM-GO). Consulta feita pela Folha mostra que 12 dos 15 componentes do órgão vão votar pela instauração do processo, seguindo a recomendação do relator, Humberto Costa (PT-PE). O senador pediu a abertura do processo ao afirmar que Demóstenes faltou com a verdade no plenário da Casa quando negou conhecer as atividades ilícitas de Carlinhos Cachoeira. Grampos da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, mostram intensa troca de telefonemas entre o senador e Cachoeira, acusado de corrupção e de comandar exploração de jogos ilegais.

Segundo Humberto Costa, Demóstenes usou o mandato para atuar em favor dos interesses do empresário. Quando a questão é a penalidade a ser aplicada ao senador, a maioria diz que vai definir posição sobre uma possível cassação do mandato apenas no final. Apenas três dos 15 membros do Conselho, sob condição de anonimato, se declararam a favor da punição máxima ao senador. O entendimento que prevalece entre os integrantes do Conselho é que o clima em torno de Demóstenes “não é favorável”, especialmente porque a votação é aberta.

Os integrantes do Conselho aceitaram responder à consulta sem serem identificados. O argumento é que não podem antecipar o voto. Após a abertura do processo, o Conselho deve ouvir testemunhas e o próprio Demóstenes (que pode ser representado por advogados), antes da apresentação do relatório final de Humberto Costa.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Epidemia de dengue atinge dois municípios do Rio. Ou: Não existe Aedes aegypti em Paris!

Na VEJA Online. Volto em seguida:
Após a secretaria municipal de saúde do Rio anunciar, há dez dias, que a capital vive uma epidemia de dengue, a cidade de Niterói, na região metropolitana, também entrou nesse perigoso estágio. Considera-se epidemia quando a quantidade de pessoas infectadas ultrapassa 300 casos por 100 mil habitantes. Em Niterói, há 384 casos por 100 mil habitantes. De janeiro a abril deste ano, foram notificados 1951 casos da doença na cidade, sendo 167 confirmados- 57 são do tipo 4. Uma pessoa morreu em decorrência da dengue.

Na cidade do Rio, de 1º de janeiro a 21 de abril houve 50.016 casos da doença e 12 mortes. A secretaria de saúde realizou 2.125.322 inspeções neste ano. Durante essas visitas foram eliminados 26,9 bilhões de criadouros do mosquito.

No estado, de janeiro a 28 de abril, foram notificados 76.064 casos suspeitos de dengue. Até o momento, há 13 óbitos confirmados por dengue no estado. Considerando o total de casos graves, o grau de letalidade da dengue está em 5%, segundo a secretaria estadual de saúde. No ano de 2011, nas primeiras 17 semanas epidemiológicas, foram registrados 108.130 casos de dengue no estado do Rio de Janeiro.

Há presença do vírus tipo 1 da dengue em Barra do Piraí, Campos dos Goytacazes, Itaboraí, Mesquita, Niterói, Nova Iguaçu, Resende, Rio de Janeiro, Valença, Vassouras e Silva Jardim. Há notificações do tipo 3 no Rio de Janeiro, e a presença do tipo 4 em Belford Roxo, Japeri, Mesquita, Nilópolis, Niterói, Nova Friburgo, Nova Iguaçu, Rio de Janeiro, São Gonçalo e São João de Meriti.

Voltei
Estão vendo? E os descontentes de sempre, aquela turma ressentida, ficam criticando a cúpula do governo do Rio por dar uma esticadinha em Paris. Pouca gente entendeu: a Dança do Guardanapo, estrelada por Sérgio Côrtes, secretário de Saúde do Estado, remete a um antigo ritual indígena para espantar mosquito. A prova de que deu certo é que não houve um só registro de Aedes aegypti na capital francesa.

Por Reinaldo Azevedo

 

Juiz rejeita ação do PT contra Serra e Kassab

Na Folha Online:
O juiz Henrique Harris Junior, da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, rejeitou a representação do Diretório Municipal do PT contra o prefeito Gilberto Kassab (PSD) e o pré-candidato do PSDB a sua sucessão, José Serra, por propaganda eleitoral antecipada. No texto, o partido pedia o pagamento de multa e a “suspensão total” da campanha publicitária “Antes não tinha, agora tem”, da Prefeitura de São Paulo, “a fim de evitar indesejáveis desequilíbrios na eleição”.

O partido fundamentou seu pedido no apoio declarado de Kassab a Serra na disputa de outubro e argumentou que as inserções partidárias do PSDB na última semana –que tinham Serra como protagonista– tratam de temas “idênticos” aos da publicidade da prefeitura. De acordo com o PT, os dois “estão se servindo da publicidade institucional para realizar propaganda eleitoral antecipada”.

Por Reinaldo Azevedo

 

As mentiras escandalosas na entrega do título de “Doutor Honoris Causa” a Lula, agora às baciadas!

Eles criam lá suas mistificações e não esperam, certamente, contar com a anuência de todos, não é? Podem até querê-la e ter ganas de cassar e caçar quem ousa divergir, mas sabem que não terão o que pretendem. Não enquanto o país for uma democracia.

Títulos de “Doutor honoris causa”, agora, se concedem às baciadas. Nesta sexta, em cerimônia no teatro João Caetano, no Rio, Luiz Inácio Lula da Silva (claro!) foi agraciado com a prebenda acadêmica por todas as universidades públicas do Rio: Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), Unirio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro), UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), UFF (Universidade Federal Fluminense) e UFRRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro). Chegará o dia em que será preciso fazer a cerimônia num estádio.

Na presença do ex-ministro da Educação Fernando Haddad e do atual, Aloizio Mercadante, Lula lançou ao vento números escandalosamente mentirosos. E foi muito aplaudido. Disse ter criado 14 novas universidades federais. É cascata! Não chegou à metade disso. O resto é divisão de instituições que já existiam ou elevação de status — de faculdade ou campus avançado para universidade. EVIDÊNCIA DA MENTIRA: em 2010, as universidades públicas brasileiras formaram 24 mil estudantes a menos do que em 2004!!!

Mas ainda não era a maior mentira. Segundo informa a Folha, o homem disse ter elevado o número de universitários do país de 6 milhões para 12 milhões. O homem etá no “mundo de Lula”. Haddad ouvia tudo caladinho — e certamente não vai corrigir a batatada, embora seu ministério tenha divulgado o Censo Universitário no fim de 2011. Os números são outros.

Em 2001, havia 3 milhões de estudantes matriculados nas universidades do país; no fim de 2010, eram 6,37 milhões — quase a metade do que Lula alardeou. Atenção! 14,7% desse total (quase um milhão de alunos) estão matriculados na modalidade “ensino à distância” Com raras exceções, esse troço virou, no Brasil, um caça-níqueis ainda mais vantajoso do que instituições de ensino meia-bomba que vendem suas vagas para o ProUni. Não passa de picaretagem! Mas sigamos. A meta do Plano Nacional de Educação, estabelecida em 2000, era chegar a 2010 com 33% dos jovens de 18 a 24 anos na universidade. Segundo o Censo, o governo do Apedeuta ficou bem longe disso: apenas 17,4%. Como? Petistas não acreditam em mim? Faz sentido. Então acreditem nos números postos no portal do MEC, com foto de Fernando Haddad e tudo (aqui).

Como os petistas adoram brincar de arranca-rabo de classes, demonstro pra eles que, se quiser, sou imbatível nesse quesito0—- só que contra as mentiras que eles contam. Lá no Censo, assinadinho pelo senhor Fernando Haddad, consta que as matriculas em cursos noturnos em 2001 representavam 56,1% do total; em 2010, 63,5%. Certo! Nas universidades federais, estudam à noite apenas 30% dos estudantes; nas privadas, 71,8%. Hipótese bastante plausível: pobres estudam em universidade privadas; os ricos, nas federais. Bingo!

O problema do tal ProUni não é a existência do programa em si, é evidente, mas a qualidade do que está sendo oferecido aos pobres com dinheiro público. Mas esse é outro departamento. Que fique aqui o registro: os números que Lula exibiu, sob aplausos comovidos, eram falsos como nota de R$ 3.

A imprensa sabe disso? Acho que sim! O Censo Universitário, feito pela gestão Haddad, não está disponível apenas para este criado de vocês, não é?

Por Reinaldo Azevedo

 

Ainda o abandono afetivo e os culpados de sempre

Volto, e creio que voltarei em outros posts, a tratar da filha que processou o pai por “abandono afetivo”. O acórdão do Tribunal de Justiça está aqui. O STJ praticamente o referendou, mudando apenas o valor da inedenização, de R$ 415 mil para R$ 200 mil. A TAPA do STJ é mais baixa do que a TAPA do TJ. O que e a “TAPA”? É a Tabela do Amor Paterno.

Como já disse, acho que o caso constitui uma absurda intromissão do estado na vida privada, além de abrir as portas para o mais escancarado subjetivismo. E, nesse caso, há duas coisas a considerar.

O AI-5 dos direitos individuais
Existe uma expressão no Inciso III do Artigo 1º da Constituição Brasileira que virou pau para toda obra. Eu o chamo de “AI-5″ dos Direitos Individuais. Com base nele, juízes têm feito o que lhes dá na telha. Transcrevo:
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:
III - a dignidade da pessoa humana;

Eis aí. Em nome da “dignidade da pessoa humana”, qualquer sentença é possível, qualquer lei pode ser inventada, qualquer direito pode ser violado. Esse inciso foi muito citado na sessão do Supremo que decidiu sobre o aborto de fetos anencéfalos. A interrupção da gravidez, nesse caso (num ato de reescritura do Código Penal sem o auxílio do Congresso; Supremo legislando) — atendia à tal “dignidade humana”. A mesma “dignidade” que reconhece a união civil de homossexuais, embora a própria Constituição diga que ela se estabelece entre “homem e mulher”. A mesma dignidade que pode suspender qualquer direito…

Que dias estes, não? Criminalizam-se a palmada e a “falta de afeto”, mas se legaliza o assassinato. Tudo em nome da “dignidade humana”!

Discriminação
E há, claro, o que chamo de “metafísica influente”, expressão que tomei de Umberto Eco. O pai, obviamente, é homem — e empresário. Encaixa-se em duas categorias de saída suspeitas. Nem é preciso especular muito para saber que um filho que processasse uma dona de casa por “abandono afetivo” não iria muito longe. Como amor não se impõe, surge a reparação. Como ela iria recompensá-lo? Fazendo bolinhos de chuva?

Os confrontos se dão hoje por categoria. Índios, sem-terra e quilombolas contra fazendeiros? O resultado é pule de dez. Homem contra mulher? Ele que prove não ser culpado. E vocês podem escolher aí, à vontade, as categorias. Muitos juízes, hoje, estão convictos de que seu papel é corrigir não só as injustiças que estão caracterizadas em lei, mas todas as “injustiças do mundo”, o que abre o terreno para a subjetividade. “Já que eles (ou a sociedade) não fizeram, faço eu…”

Ora, não é isso que tem levado o Supremo — na verdade, o Judiciário — a legislar de maneira desbragada? “Já que o Congresso não faz, fazemos nós…” Se a lei não é o limite, qual é o limite?

Por Reinaldo Azevedo

 

Gravação sugere caixa 2 de ex-assessores de Agnelo

Por Gabriel Castro, na VEJA Online:
O gigantesco volume de informações divulgado sobre o bando do contraventor Carlinhos Cachoeira revela que a quadrilha montou uma poderosa rede de cooptação de agentes públicos. Ao que tudo indica, o grau de infiltração do grupo era maior em Goiás do que no Distrito Federal. Talvez por isso, distorcendo as informações, petistas passaram a alardear a inocência do petista Agnelo Queiroz e sua equipe. Mas a verdade não é bem assim: em um dos trechos interceptados pela Polícia Federal, Cachoeira e alguns de seus auxiliares comentam um episódio que pode revelar a existência de caixa dois na campanha da coligação petista na capital do país, em 2010.

Os diálogos são de 11 de janeiro de 2011, dez dias depois da posse de Agnelo. Idalberto Matias Araújo, o Dadá, braço direito do contraventor, conta a Carlinhos Cachoeira que Cláudio Monteiro, então chefe de gabinete do governador, estaria irritado com João Carlos Feitoza, o Zunga - ocupante de cargos de segundo escalão no governo distrital. O motivo: Zunga teria desviado recursos de empresários que doaram para “a campanha”. Agora, eles estariam cobrando uma contrapartida, mas foram informados de que o dinheiro havia sumido.

Dadá afirma: “Três empresários que doou para a campanha (…) botou o dinheiro na mão do Zunga, mas o dinheiro não chegou na mão do Cláudio. Aí que é que o cara falou: ‘Eu vou juntar vocês e vou chamar quem pegou o dinheiro, quer ver pra fazer essa acareação, porque o dinheiro não foi para a minha mão’”. Cachoeira responde, referindo-se a Zunga: “É, mala não tem jeito não, né?”

Além de apontar para a existência de caixa dois, o diálogo revela que os doadores estavam cobrando de Cláudio Monteiro uma contrapartida pelas doações. Dadá diz que os três empresários foram “arrochar o Cláudio, querendo as coisas”. A eles, segundo Dadá, Cláudio Monteiro afirmou: “Você vai ser atendido através de quem você entregou o dinheiro”.

Em uma segunda conversa, com outro integrante da quadrilha, Dadá afirma que Zunga poderia ter evitado o constrangimento se negociasse com Monteiro “Não precisa disso, né? Cara, se ele assina com o cara… ‘ó, Cláudio, o cara tá dando tanto, tem jeito de tirar uma ponta para mim?’, o cara vai autorizar, bicho, são tudo amigo, né, cara?”. A afirmação foi feita a Lenine Araújo de Souza. O parceiro de Dadá concorda: “Exatamente, porque tirar escondido é feio demais, né, Chico?”

Outro diálogo entre Dadá e Cachoeira revela ainda que, depois de saber das acusações contra Zunga, o chefe da quadrilha se preocupou com o destino de doações intermediadas pelo bando ao grupo de Zunga: “Aqueles que o Lenine passava e o Zunga pegava lá, será que ele entregou?” Dadá responde afirmativamente.

Baixas
Zunga e Monteiro deixaram o governo após o surgimento das primeiras denúncias mostrando a relação deles com o grupo de Cachoeira. Marcelo Lopes, o “Marcelão”, também perdeu o cargo de assessor da Casa Militar do governo do Distrito Federal. Ele é outro personagem citado nas conversas do bando.

Zunga e Monteiro não foram encontrados, mas em ocasiões anteriores sempre negaram ter atuado em conluio com a quadrilha. A Secretaria de Comunicação do governo do Distrito Federal alega que o diálogo não diz respeito à campanha do governador Agnelo Queiroz. O porta-voz do governo, Ugo Braga, afirmou ao site de VEJA que Cláudio Monteiro foi candidato a deputado distrital e que o diálogo diz respeito a essa campanha. Monteiro ficou em 98º lugar na disputa pelas 24 vagas na Câmara Legislativa.

 

Leia a transcrição dos diálogos, feita pela Polícia Federal:

11/0112011  18:15:07

DADA: o CHlCÃO, MARCELÃO te contou o negócio do ZUNGA?

CARLINHOS: não, o que é que é?

DADA: três empresários foram atrás do CLAUDIO. Falou que deu “as quantia” na mão do ZUNGA e o dinheiro não apareceu na mão do CLAUDIO. O bicho tá indignado velho.

CARLINHOS: como é que é? Me fala ai de novo.

DADA: três empresários, que doou para a campanha, mas botou o dinheiro na mão do ZUNGA, mas o dinheiro não chegou na mão do CLAUDIO. Aí que é que o cara falou: “eu vou juntar vocês e vou chamar quem pegou o dinheiro, quer ver pra fazer essa acareação, porque o dinheiro não foi para a minha mão”. Falou para os empresários.

CARLINHOS: é, mala não tem jeito não, né?

DADA: rapaz, como é que o cara se suja desse jeito, né bicho? Diz que vai deixar ele lá na Secretaria de … de .. Ele me ligou agora, diz que a … (incompreensível) não está atendendo ele, aí o CLAUDIO falou para o MARCELÃO que vai botar ele na SECRETARIA DE ESPORTES, botar ele lá na assessoria lá. Quer ele bem longe dele. O cara se suja por causa de besteira, nê rapaz? varalzeiro .. não tem jeito não.

 

11/01/2011 18:16:50

LENINE:LENINE: oi CHICO

DADA: deixa eu te falar, vou te contar aqui uma do ZUNGA cara. O eLADIO está indignado com ele cara (incompreensível) três empresários foram arroxar o CLAUDIO, querendo as coisas: “meu innão, você não me ajudou .. não.” eu entreguei tanto, tanto na mão do ZUNGA ué”. Ai diz que ele vai fazer uma acareação com os empresários e com o ZUNGA. Porque ele disse “ó … não chegou na minha mão não … você vai ser atendido através de quem você entregou o dinheiro”.

LENINE: é mesmo Chico? Você contou isso para o HOMEM?

DADA: contei, contei para o HOMEM, falei. Rapaz não é possível um trem desse … o cara (incompreensivel) não tem jeito não … pois é.” falou isso para o MARCELÃO. Falou “MARCELÃO, não quero ele perto de mim, tá me enchendo o saco para ser o meu segundo. Não vai ser nunca meu segundo, vou botar ele lá na Secretaria de Esportes, lá na assessoria lá … numa chinelagem para ele ficar lá … não quero ele nem passando na minha porta. Desse jeito CHICO … rapaz como é que um cara se suja num negócio por causa de um negócio desse … os caras, bicho, são tudo louco, né?

LENINE: pois é, como é que faz um trem desse, não é não, cara? rapaz .. é foda … ai queimou, vai ficar queimado agora … mais oito anos.

DADA:pois é rapaz, ele me ligou .. eu to sabendo disso desde ontem à noite, ai ele me ligou agora, né, perguntando pelo HOMEM, né, e tal… ele falou assim “E O CLAUDIO?”" “não .. ele tá muito ocupado, não to nem indo lá para não perturbar ele, tô em casa aguardando ele me chamar”, Aí eu falei: “c…, como é que pode um cara ser cara de pau desse jeito?”

LENINE: como é que queima né rapaz? é f…

DADA: Não precisa disso né … cara se ele assina com o cara .. “ó CLAUDIO, o cara tá dando tanto, tem jeito de tirar uma ponta para mim?”, o cara vai autorizar, bicho, são tudo amigo, né cara?

LENINE: exatamente, exatamente, PORQUE TIRAR ESCONDIDO É FEIO DEMAIS, NÉ CHICO!

 

11/01/2011 18:33:55

DADA: Fala CHICÃO.

CARLINHOS: até o ZUNGA mexe no que não é dele?

DADA: pois é rapaz, fiquei “de cara” com o negócio, rapaz, fiquei “de cara”, entendeu? Aí hoje ele me liga, né e aí eu falei assim:”po bicho, e o CLAUDIO”? … : “não … ele tá muito ocupado, to ficando em casa, eu to esperando ele me chamar”, “mas e aí? você vai ser o que lá no GABINETE?”… “não não sei, acho que não vou ficar lá não. Acho que vou ficar em outro lugar” .. “ah .. então tá bom”. Mas ele desabafou ontem com O MARCELÃO, assim que o CLAUDIO saiu da sala, ele desabafou, bicho … falou pra caramba, falou tudo, bicho, falou até o nome,dos empresários que procurou lá…

CARLINHOS: aqueles que o LENINE passava e o ZUNGA pegava lá, será que ele entregou? Entregou né, porque … ele sabia né … ?

DADA: não … aquele entregou … porque, por três vezes, eu fui lá com o LENINE e o LENINE falou na frente do CLÁUDIO: ”deixei lá pro ZUNGA”. E a última vez, a última parcela, fui eu que entreguei. Aí eu fui lá, o CLÁUDIO tava lá, entendeu? aí, entreguei para ele para o ZUNGA e falei para o CLÁUDIO: “ó CLAUDIO, a última lá lá com o ZUNGA … agora não, lá beleza … e o ZUNGA junto, entendeu? Aí, essa aí ele não deu chapéu não, mas essas outras ele deu.

CARLINHOS: Ah… então lá bom. Excelente.

DADA: Não … ele sabe … o CLAUDIO sabe que aquela lá tá tranquilo … o problema é (incompreensível) … aquela ali foi f…,  bicho, po .. como é que faz um negócio desses, cara? O cara é varalzeiro mesmo, se sujar por causa de bobagem,cara. Na realidade o cara não tem que se sujar por p… nenhuma, nem com pouco nem por muito, mas p… o cara é foda … e amigo, se ele chega pro cara e pede pra tirar a ponta pra ele, o cara ia deixar .. como é que faz um negócio desse.

Por Reinaldo Azevedo

 

ABANDONO AFETIVO É PURA MANIFESTAÇÃO DE “DIREITO CRIATIVO”! É DEGRADAÇÃO DA CULTURA DEMOCRÁTICA. OU: QUANTO CUSTA O AMOR PATERNO?

Os Cachoeiras e, sobretudo, as cascatas que tomam conta da vida pública acabam nos levando a deixar de lado alguns temas relevantes, que dizem respeito não exatamente à política como jogo do poder, mas à cultura política entendida como uma ética de relação com o outro e com o mundo. Estamos nos tornando um país de fanáticos do sentimentalismo, de pervertidos da reclamação, de ditadores da reparação. Aquele que tiver a sorte, para desdita de muitos, de manejar o aparato do estado impõe, então, o seu fanatismo, a sua perversão, a sua ditadura. E ao arrepio da lei! Lei pra quê? O que importa é “fazer justiça” segundo a metafísica influente.

Em uma decisão inédita, a 3º Turma do STJ reconheceu o direito que tem uma filha, hoje com 38 anos, de receber uma indenização de R$ 200 mil de seu pai. O “crime” dele: “Abandono Afetivo”!!! É inútil procurar essa caracterização em qualquer código. Não existe. Trata-se de um manifestação de “Direito Criativo” — área em que o Brasil desponta para o mundo com farta produção —, formulado com base em umas tantas considerações de ordem subjetiva feitas por juízes. Vocês certamente acompanharam o caso. Um senhor teve uma filha fora do casamento. Depois de uma ação judicial, ela foi legalmente reconhecida e assistida materialmente. Goza de todos os direitos dos demais herdeiros. Mas reclama que não foi devidamente amada quando criança…

A exemplo da Lei da Palmada, a decisão da Justiça constitui uma intromissão absolutamente inadmissível do estado na vida dos indivíduos. Como mensurar se esse pai deu amor demais ou de menos? Como estabelecer um padrão mínimo — garantida a assistência material, que existiu — de dedicação amorosa, de modo que possa ser mensurada num tribunal? O que sabem aqueles juízes das altercações e dificuldades que pai e mãe, numa relação não-familiar, tiveram ao longo da vida? Por que é ele, necessariamente, o vilão da história?

A relatora do caso, ministra Nancy Andrighi, argumentou por um caminho curioso:
“O cuidado é fundamental para a formação do menor e do adolescente. Não se discute mais a mensuração do intangível — o amor —, mas, sim, a verificação do cumprimento, descumprimento ou parcial cumprimento de uma obrigação legal: cuidar.”
O pai dispensou, segundo consta, o cuidado que está estabelecido em lei. A filha está reclamando é de falta de amor.

E, ora vejam, contrariando, então, o que diz a ministra, é justamente esse amor que está sendo mensurado. A mulher havia perdido a causa em primeira instância. Recorreu ao Tribunal de Justiça e ganhou, com uma indenização fixada em R$ 415 mil. O STJ reformou a decisão para R$ 200 mil. Fico cá me perguntando: como chegaram àquele primeiro valor? Aqueles R$ 15 mil, em particular, desafiam a minha quietude: o que ele deveria ter feito para que fosse, sei lá, apenas R$ 400 mil? Por que o próprio STJ considerou que o “abandono afetivo” não vale tanto, podendo ficar por R$ 200 mil mesmo?

Este trecho da reportagem do Estadão é espetacular:
“A ministra afirmou que a filha conseguiu constituir família e ter uma vida profissional. ‘Entretanto, mesmo assim, não se pode negar que tenha havido sofrimento, mágoa e tristeza, e esses sentimentos ainda persistam, por ser considerada filha de segunda classe’, disse Nancy.”
Entendi. Ela recebeu o devido aporte material, leva uma vida normal, constituiu família, tudo nos conformes. Mas sobrou “a dor”. Ora, Val Marchiori já nos ensinou em “Mulheres Ricas”, certo? Não há dor que o dinheiro não cure…Relooouuu!!

Ineditismo por ineditismo, por que essa filha, que é herdeira do pai (como os irmãos), não recorreu à Justiça para obter, então, um mea-culpa, um pedido de desculpas, um reconhecimento público da falta de cuidado amoroso, um abraço? Não! Nada disso! Existe um preço para a falta de amor! Era R$ 415 mil, mas pode ficar por R$ 200 mil.

No mérito, o caso é, parece-me, eticamente escandaloso. Mas também é uma aberração jurídica. O Judiciário brasileiro acaba de legislar, mais uma vez, criando o crime do “abandono afetivo”? Cadê a lei, santo Deus? Não há! Eis aí. Vivemos o que chamo a era dos fanáticos do sentimentalismo — juízes, agora, acham que podem pôr um preço nas sensações e subjetivismos. Vivemos a era das perversões da cultura da reclamação: basta que o “oprimido” saia por aí proclamando a sua dor para gerar solidariedade automática. Com sorte, encontra pela frente os ditadores da reparação, que resolverão, como costumo dizer, fazer justiça com a própria toga.

Está criada a jurisprudência, embora a decisão não seja vinculante. Cabe a cada juiz decidir. Mas adivinhem só… Nesse caso, pobre pai!, ele é culpado antes mesmo de qualquer juízo objetivo. Afinal, teve uma filha fora do casamento, só reconhecida depois de uma ação judicial, com quem ele não conviveu — embora tenha cumprido todas as obrigações QUE AS LEIS EXISTENTES LHE IMPUNHAM. Ele só não sabia que estava na mira de uma lei desconhecida porque… simplesmente inexistente!

Quanto tempo vai demorar para que quiproquós familiares comecem a lotar a Justiça ainda mais do que hoje? Quanto serão os filhos, mesmo frutos de uniões estáveis e vivendo sob o teto familiar, que alegarão, a depender dos conflitos, esse tal “abandono afetivo”? Não havendo lei, pode-se acusar qualquer coisa: “Olhe, quero dizer que o meu pai (ou mãe) me sufoca”… Pobre pai! Em breve, estará impedido de exercer, digo com ironia, até aquele papel que Freud lhe reserva, não é? Não poderá mais ser o saudável repressor, a quem cumpre dizer que os limites existem.  Quem sabe chegue o dia em que o parricida alegará no tribunal que só cumpriu seu gesto tresloucado porque seu aparelho psíquico, malformado pelo morto, não operou a necessária interdição, e a morte simbólica de Laio na disputa por Jocasta se fez física,  pelas mãos de um Édipo que era, sei lá, contador…

Uma perguntinha à ministra Nancy Andrighi e a seus colegas: esse valor pelo “abandono afetivo” foi estabelecido, suponho, com base na condição financeira do pai, certo? Um homem muito pobre seria condenado a compensar a subjetividade ferida da filha com um pão com mortadela? O “abandono efetivo” de Eike Batista custaria R$ 200 milhões, em vez de R$ 200 mil? Havendo boas respostas, juro que publico. O pai disse que vai recorrer ao Supremo. Considerando o que se anda fazendo por lá ultimamente, corre o risco de a indenização sair pelo dobro. Ou o nosso Supremo não tem protagonizado cenas explícitas de “Direito Criativo”?

Caminhando para o encerramento, pergunto: a filha vitoriosa troca os R$ 200 mil por um abraço e por um pedido de desculpas?

O assunto parece besta? Mas não é! A rigor, acreditem, é mais importante do que essa canalha que vive assaltando o dinheiro público. A cada pouco, há uma! Precisamos é metê-las na cadeia. Ou bem se tem um estado de direito funcionando, que proteja a coletividade e os indivíduos, a nação e o estado, ou ficamos à mercê do indeterminado. Se podemos ser punidos por um crime que não está tipificado e obrigados a fazer alguma coisa em razão de uma lei que não existe, então estamos numa ditadura. Ainda que uma ditadura exercida, com freqüência, por alguns juízes.

Por Reinaldo Azevedo

 

Reportagem põe na boca de Serra o que ele não disse. Ou: A agenda do PT

O meu querido “Estadão”, que me ajudou, JÁ FAZ TANTO TEMPO!!!, a ser um liberal parece que está começando a flertar com o fim da liberdade religiosa. Não nos editoriais, claro! No noticiário. Título de um texto e chamada de primeira página chegam a ser espantosos.

Na capa do jornal, lê-se: “Serra defende igrejas no debate eleitoral”. Errado, mas ainda não absurdo. Este ficou para o título do texto assinado por Bruno Boghossian: “Serra defende atuação de igrejas na campanha”.

Na campanha???

Pois bem. Vamos, então, ler o texto que levou a uma coisa e outra:

Em processo de aproximação com líderes religiosos de São Paulo, o ex-governador José Serra (PSDB) afirmou que a manifestação das igrejas na campanha eleitoral é “legítima”. O pré-candidato tucano à Prefeitura disse que padres e pastores podem defender seus princípios, mas sem praticar uma “militância” formal.
Em entrevista exibida na madrugada de ontem pelo Programa Amaury Jr., da RedeTV!, Serra não citou nenhum tema presente na pauta de grupos religiosos, como aborto e homofobia, mas se disse “inteiramente aberto” a expor e dizer o que pensa.
“(Se) a pessoa tem uma religião e quer discutir princípios, é legítimo que o faça. Não são os candidatos que fazem a agenda. Quem faz a agenda são as pessoas”, disse. “Nós devemos respeitar e dar a elas o direito de se manifestar. Do contrário, seria autoritarismo.”
A entrada de igrejas em campanhas políticas ganhou peso após a eleição presidencial de 2010, quando grupos religiosos passaram a apoiar ou criticar candidatos. O PT acusa a equipe de Serra na época de instigar entre os evangélicos um voto contra Dilma Rousseff, eleita no 2.º turno.
O tucano afirma que sua campanha não desenvolverá “nenhuma batalha específica em relação às igrejas”, mas já começou a se aproximar de grupos católicos, evangélicos e judaicos.
Em conversas recentes com representantes de diferentes religiões, a equipe de Serra confirmou a avaliação de que o tucano tem vantagem sobre seus principais adversários: Fernando Haddad (PT) e Gabriel Chalita (PMDB).
Eles afirmam que Haddad sofre uma “rejeição gigantesca” de pastores evangélicos, sob acusação de ter autorizado a elaboração de um kit didático contra a homofobia para as escolas quando era ministro da Educação.
O time do PSDB acredita ainda que Chalita só deve ter aceitação dentro da ala carismática da Igreja Católica - à qual pertence.
Argumento.
Aos aliados, Serra justifica a abertura à manifestação de líderes religiosos como uma defesa da liberdade de expressão. “É legítimo que diferentes setores da sociedade se manifestem em defesa dos seus valores”, afirmou o ex-governador na entrevista. “Não vejo como questão propriamente de militância eleitoral.”
Os petistas classificam a aproximação entre Serra e as igrejas como “conservadora”, mas também vêm dialogando com padres e pastores.
Um dos responsáveis pela interlocução entre tucanos e grupos religiosos, o deputado Walter Feldman (PSDB-SP) afirma que não tem o objetivo de repetir os temas da eleição de 2010.
“A pior eleição que o Brasil já teve foi a anterior. Os temas foram levados para o campo da emoção e não houve um debate progressista”, disse.

Voltei
1 - Serra disse que padres e pastores podem defender seus pontos de vista, “sem praticar militância formal”.
2 - O tucano disse que é preciso respeitar o ponto de vista dos religiosos —”do contrário, seria autoritarismo”.
3 - Cadê as palavras que autorizam o título do texto e da chamada de primeira página? Trata-se, lamento, de uma tentativa de requentar uma acusação petista, segundo a qual a campanha do tucano insuflou os cristãos contra Dilma em 2010. Isso é apenas falso. E sei que é porque esse é um tema que acompanho de perto. O jornalismo, hoje, só cobre religiões pelo viés negativo. Ter uma crença é considerada coisa pior do que traficar drogas. A mobilização dos cristãos foi espontânea. A acusação de que era tudo coisa de tucano foi feita pela turma da Internet da campanha petista, comandada por aquele cabeludo esquisito, cujo nome esqueci.
4 - Para não “ganhar” esse título e essa chamada, o que tucano deveria ter dito? Deveria ter se manifestado contra o direito de voto aos crentes? Deveria ter atacado a liberdade religiosa? Deveria ter afirmado que é preciso proibir os cristãos de votar e debate?
5 - No caso dos “kits gays”, o que faz lá, Boghossian, aquele “sob acusação”? Por quê? Há alguma dúvida de que Haddad tenha autorizado a confecção do material?
6 - A frase de Walter Feldman, se é aquela, me é incompreensível. Serra está certo: os temas também são dados pelos eleitores. Se eles quiserem, ainda que o PT e a imprensa que lhe dá suporte não queiram, temas relativos a costumes voltarão a ser debatidos.

Mas isso é o de menos. As minhas perguntas técnicas permanecem:
a) Que parte da fala de Serra autoriza os dois títulos?
b) O que ele deveria ter dito para não ser objeto de tamanha distorção?

As palavras fazem sentido. Título de reportagem e chamada de primeira página, até onde a vista alcança, não podem ser pura interpretação.

Como sempre, ouço contra-argumentos com a maior boa-vontade. Desde que centrados no sentido que as palavras têm.

Arremato lembrando que os únicos, até agora, que decidiram discutir religião foram Fernando Haddad, Gabriel Chalita, Rui Falcão… Serra, na referida entrevista, só defendeu a liberdade religiosa. Será que ele deveria ser contra?

Por Reinaldo Azevedo

 

“CPI não vai blindar ninguém. Não há tema proibido”

Por Eugênia Lopes, no Estadão:
Relator da CPI do Cachoeira, o deputado Odair Cunha (PT-MG) só terá acesso aos documentos das Operações Vegas e Monte Carlo, da Polícia Federal, a partir de segunda-feira. Daí a demora na convocação de autoridades supostamente envolvidas com o esquema de Carlinhos Cachoeira. Mas o petista garante que a CPI não vai blindar ninguém.

O sr. é favorável à convocação dos governadores Marconi Perillo (GO), Agnelo Queiroz (DF) e Sérgio Cabral (RJ)?
Não há nenhuma preocupação em convocá-los ou não. Nós vamos tomar a decisão com base nas informações que nós tivermos dos inquéritos da Polícia Federal. Não vou fazer juízo sobre os governadores a partir de matérias jornalísticas. Quero deixar uma coisa clara: não há blindagem a ninguém. Não há tema proibido na CPMI. Nós vamos investigar a organização criminosa do Carlinhos Cachoeira e quem se relacionou com ela. Todos os tentáculos dessa organização devem ser por nós investigados.

Por que o sr. não convocou o dono da Delta, Fernando Cavendish, nessa primeira fase da CPI?
Coloquei na primeira leva de convocados gente da Delta. A partir deste depoimento, das quebras de sigilo e da leitura dos inquéritos da Polícia Federal, ele e outros poderão ser convocados.

Mesmo depois de o procurador-geral, Roberto Gurgel, ter levantado a suspeita de que Cachoeira seria sócio oculto de Cavendish?
Na hora em que o procurador-geral da República nos encaminhar os documentos que motivaram a denúncia dele e eu tiver acesso aos documentos, eu farei juízo de valor. Estamos aguardando esse documento chegar à CPI.

O sr. pretende requisitar os documentos e relatórios de outras CPIs, como a dos Bingos?
As outras CPIs já cumpriram o seu papel.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Cabral vê “zero risco” de ter caído em grampo. E a vaia…

Por Wilson Tosta, no Estadão:
Diante das suspeitas sobre sua relação com Fernando Cavendish, controlador da Delta, um dos focos da CPI do Cachoeira, o governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB), traçou uma estratégia baseada na inexistência - pelo menos por ora - de indícios que o envolvam no escândalo.

“Zero, zero risco de haver uma conversa minha tratando de assuntos públicos com o Fernando”, disse o governador a interlocutores do PMDB, no fim de semana. Dois pontos sustentam a tática de Cabral: não foram encontrados grampos da Operação Monte Carlo nos quais o peemedebista apareça beneficiando Cavendish; e, segundo a versão do governador, eles só costumam abordar assuntos privados, sem tocar em interesses públicos. A Delta tem, com o Estado do Rio, contratos de obras que somam R$ 1,49 bilhão.
(…)
Cabral tem se manifestado sobre o caso apenas por notas. Ontem, o governador chegou a evento no Rio ao lado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e evitou um vexame público - Lula foi aplaudido de pé, o que abafou os apupos a Cabral. Sisudo, o governador fez um discurso curto e manteve-se sério, demonstrando abatimento. Depois da solenidade, não falou com os repórteres.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Produção industrial recua 3% e confirma início de ano fraco

Por Mariana Carneiro, na Folha:
A produção industrial seguiu fraca no primeiro trimestre do ano. A atividade nas fábricas encolheu 3% de janeiro a março, em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo o IBGE, ainda reflexo da concorrência com importados e estoques elevados. O resultado confirma o mau momento do setor, que registra resultados negativos desde o segundo trimestre do ano passado, e indica que a recuperação da economia em 2012 está mais lenta do que o esperado. Em relatório, o economista Aurélio Bicalho, do Banco Itaú, afirma que para a economia acelerar mais fortemente é necessário que a indústria volte a crescer.

“Nossa expectativa é que isto aconteça, dados os estímulos ao crescimento implementados. No entanto, avaliamos que aumentou a chance de uma retomada, nos próximos trimestres, em intensidade menor do que o antecipado”, escreveu. Em março, a produção recuou 0,5% em relação a fevereiro. Dezoito dos 27 segmentos pesquisados registraram recuo na produção. Apesar da recuperação do setor de veículos (alta de 11,5% no mês)-depois de dois meses de resultado negativo-, isso pode não ser um sinal de melhora.

Dados de abril indicam que os estoques no setor-que responde por 11% da produção da indústria e tem uma cadeia importante de fornecedores-seguem elevados. “O licenciamento de veículos manteve-se fraco no mês passado, e os estoques elevados indicam a possibilidade de novo enfraquecimento da atividade industrial no início do 2º trimestre”, diz Bicalho. Diante deste resultado, economistas passaram a prever que o PIB (Produto Interno Bruto) no primeiro trimestre pode ter sido menor do que o esperado. O Bradesco manteve projeção de 0,7% de crescimento ante o 4º trimestre, mas com possível revisão para baixo. A LCA Consultores projeta expansão de 0,5% para o 1º trimestre. O número sugere uma retomada em ritmo lento.

JUROS EM QUEDA
O resultado reforçou as apostas de baixa da taxa básica de juros (Selic), atualmente em 9% ao ano. Além da atividade fraca, o governo anunciou alteração de regras da poupança que devem permitir redução da taxa básica. No mercado de juros futuros, as apostas para a taxa em janeiro de 2013 caíram de 8,15% (ontem) para 8,11%.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Servidora do TJ ganha R$ 230 mil “sem motivo”

Por Fausto Macedo, no Estadão:
Uma única servidora do Tribunal de Justiça de São Paulo, Ivete Sartorio, recebeu R$ 229.461,49 em apenas 14 meses, a título de pagamentos antecipados, fora os vencimentos. Os desembolsos para Ivete, que é escrevente técnico judiciário, ocorreram entre agosto de 2009 e outubro de 2010, na gestão dos presidentes Vallim Bellocchi (2008-2009) e Vianna Santos (2010).

Expediente intitulado “antecipação de pagamentos a funcionária relacionada ao então presidente Vianna Santos” indica mês a mês todos os procedimentos que resultaram na concessão de créditos a Ivete. Uma planilha revela que todas as solicitações atendidas não foram acompanhadas de justificativa. Anotação “sem motivo” aparece ao lado do “autorizado”.

Os créditos concedidos a funcionários são capítulo à parte na crise que atravessa a corte paulista e estão sob inspeção por ordem do presidente do TJ, desembargador Ivan Sartori. São três procedimentos em curso. O primeiro trata dos contracheques milionários a cinco desembargadores; o segundo examina a liberação antecipada de valores a 41 outros magistrados; o terceiro trata dos recursos para servidores. Os valores, assevera o TJ, são devidos porque de natureza alimentar e trabalhista. A inspeção busca identificar como e sob quais critérios houve as antecipações.

Ivete Sartorio trabalhou no gabinete civil da Presidência, gestão Vianna Santos. Antes, em 2008, ela atuou com Vianna na Presidência da Seção do Direito Público. Naquele ano, alegando “motivo financeiro”, Ivete protocolou pedido de recursos referentes a férias dos exercícios 1986, 2002, 2003, 2004 e 2005, “mais os dias de licença-prêmio, com isenção de I.R.”. Este pleito foi indeferido por “restrições orçamentárias”.

A apuração mostra que depois Ivete recebeu 13 repasses sucessivos, dos quais 5 relativos a férias não tiradas a seu tempo; 4 a título de licença-prêmio e 4 por Fator de Atualização Monetária (FAM). Ontem, Ivete não quis se manifestar. Na semana passada, por telefone, ela disse: “Eles foram pagando, é um direito que a gente tem e pagaram. Sou servidora há muitos anos. A gente fica feliz quando recebe alguma coisa. É direito trabalhista, férias indeferidas por absoluta necessidade de serviço. É um dinheiro que há muitos anos a gente recebe. A gente tem que ter alguma compensação. Passa a vida toda sem receber nada. Requerimentos todos fazem. Conforme eles têm dinheiro pagam ou não”.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

Fonte: Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)
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