China economiza US$ 460 bi ao ano em importações com commodities mais baratas

Publicado em 26/01/2016 16:18 e atualizado em 26/01/2016 18:06
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Os preços mais baixos registrados pelas commodities vêm pesando sobre vários países, já que os efeitos são globais e se estendem do Brasil à África do Sul. E quem mais se beneficia desse novo quadro é, indiscutivelmente, a China, segundo mostra uma reportagem feita pela agência internacional de notícias Bloomberg. E mesmo que a nação asiática continue ganhando as páginas da grande mídia em função do pânico instalado pelos investidores em seu mercado financeiro em função de um índice ligeiramente menor de crescimento esperado para este ano, alguns itens importados por ela têm consumo assegurado, de acordo com a análise de especialistas nacionais e internacionais. 

As economias chinesas anuais nesta nova "rota das commodities" somam cerca de US$ 460 bilhões, segundo mostram os cálculos de Kenneth Courtis, vice-chairman Ásia do Goldman Sachs Group. E cerca de US$ 320 bilhões deste total vêm do petróleo mais barato, e o demais de itens como outras fontes de energia, metais, carvão e commodities agrícolas. Um levantamento feito pelo economista André Bittencourt Lopes, do Notícias Agrícolas, mostra que no período de 31 de dezembro de 2012 a 20 de janeiro de 2016 o petróleo Brent acumula uma queda de 75,01%, enquanto no mesmo intervalo a baixa do WTI é de 68,90%. 

Petróleo WTI - 31.12.2012 a 20.01.2016

Queda do Petróleo WTI - 31.12.2012 a 20.01.2016

Petróleo Brent - 31.12.2012 a 20.01.2016

Queda do Petróleo Brent - 31.12.2012 a 20.01.2016

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Os benefícios, dessa forma, passam por toda a economia, pressionando ou equilibrando de diversos itens como aquecimento doméstico e preços da gasolina, até os custos de matérias-primas em fábricas. E esse movimento também favorece o modelo que vem sendo buscado pela China em sua nova fase da economia em que o modelo de crescimento visa se distanciar da dependência de indústrias pesadas ou do investimento para consumo e serviços. 

"Já tem aparecido uma inflação mais baixa de preços ao consumidor e itens que estão mais acessíveis ao poder de compra das famílias", explica Louis Kuijs, chefe do setor de economiada consultoria Oxoford Economics Ltd., em Hong Kong, e ex-economista do Banco Mundial em Pequim, em entrevista à agência de notícias Bloomberg. "E, para as indústrias de manufaturados, esses preços baixos poderiam ter um impacto mais severo ainda caso as commodities não estivessem nos atuais patamares de preços, mas em outros mais elevados", completa. 

Em uma cesta com as dez principais commodities, a China economizou US$ 188 bilhões em custos com importações, passando de petróleo até chegar à soja e gás natural, informou, neste mês, o Ministério do Comércio local. "Isso corta, significativamente, os custos das empresas locais também e aumenta sua eficiência", explica o porta-voz da pasta. 

Ao contribuir com a movimentação da inflação, a queda nos preços das commodities favorece ainda os líderes das políticas econômicas do país, dando os mais espaço para medidas que possam estimular o crescimento econômico interno. E uma conta menor com as importações ajuda ainda no superávit comercial da nação, que cresceu para US$ 549,5 bilhões no ano passado, ajudando a suavizar as saídas de capital que vinham pressionando a moeda local, o yuan. 

A China está se capitalizando sobre esses preços mais baixos, importanto um volume recorde de petróleo no ano passado, já que a commodity vem registrando suas mínimas em mais de uma década, o que favorece o armazenamento e estimula a demanda de refinarias independentes. Além disso, em 2015, a China fechou o ano com importações recordes de minério de ferro, soja e concentrado de cobre.  

"A China é o maior vencedor dessa baixa nos preços das commodities", disse Courtis. "E boa parte dessa economia expressiva é transferida para a população local", completa.  

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Com informações da agência de notícias Bloomberg

Por: Carla Mendes e André Bittencourt Lopes
Fonte: Notícias Agrícolas

1 comentário

  • Liones Severo Porto Alegre - RS

    China: o valor economizado corresponde a 1/3 do PIB do Brasil e, adicionando o valor correspondente ao crescimento de 6,9% em 2015, no somatório significa que a China cresceu 2/3 do PIB do Brasil em apenas 1 ano. Indiscutivelmente é uma brutal transferência de renda dos setores produtivos mundiais, principalmente para a China, um país que tem 3.4 trilhões de dólares de reservas cash. Cada chinês deveria acender uma vela para o USDA continuar manipulando os números de oferta & demanda, ou não ?

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    • VILSON AMBROZICHAPADINHA - MA

      Quando o jogador esta com cacife alto só tem pra ele. Os chineses apesar de anos fora de mercado não desaprenderam.

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    • PAULO ROBERTO RENSIBANDEIRANTES - PR

      Ainda com relação à China, pouco se falou quando a empresa chinesa China Three Gorges (CTG), que opera a maior hidrelétrica do mundo, na China, arrematou a outorga das usinas hidrelétricas de Ilha Solteira e Jupiá, que eram controladas pela Companhia Energética de São Paulo (Cesp), por R$ 13,8 bilhões pelo direito de opera-las nos próximos 30 anos. Com essa compra o grupo chinês se torna um dos maiores geradores de energia do País, pois essas usinas têm capacidade instalada de gerar 4.995 MW.

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    • RODRIGO POLO PIRESBALNEÁRIO CAMBORIÚ - SC

      Será que o BNDS financiou os Chineses? Sr. Frédéric Bastiat, publicou um pequeno livro que está disponivel de graça na internet, em que ele fala sobre "o que se vê e o que não se vê", algo como o juiz de futebol que rouba para nosso time e tudo então está muito certo. Põe uma bandeira enorme da China na reportagem em que é publicado que a China é a grande beneficiada da crise econômica, vejam que aqui ela deixa de ser a causa da crise para ser o País que será beneficiado por ela, comunistas são antes de tudo experts em inverter a realidade. Mas deixando de lado essas pequenas mentiras, que são apenas marketing, há uma coisa que ninguém fala, a diminuição das exportações Chinesas e a queda no preço dos produtos exportados por eles, que tem quebrado muitos empresários Chineses. Há muito tempo dizem que a China falsifica dados, e não devia ser novidade, afinal por que somente os Chineses teriam politicos honestos? Por óbvio, a renda de uma boa parcela da população Chinesa também diminui, quando não acaba, quando os produtos exportados por eles perde valor e receita, por que a perda de valor é acompanhada de uma diminuição das vendas. O que se vê e o que não se vê. Os Chineses pagaram alguns bilhões a menos pelas importações, o que se vê, e receberam alguns bilhões a menos pelas exportações, o que não se vê.

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    • LIONES SEVEROPORTO ALEGRE - RS

      O superavit comercial da China em 2015 foi de 549,5 bilhões de dólares. A China é reconhecida globalmente como capitalismo socialista, se não não teria tantos bilionários. É única economia que cresceu ininterruptamente durante os últimos 30 anos a níveis entre 6,9 e 12%, enquanto que neste mesmo período quebraram quase todos os grandes países globais. Se economia se mede pelo resultado fica difícil contestar o sucesso da China. Contra fatos não há argumentos...

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    • RODRIGO POLO PIRESBALNEÁRIO CAMBORIÚ - SC

      Começo pelo fim, não estou contestando o sucesso da China e vou usar um chavão agora que diz que "o desempenho do passado não é garantia de sucesso no futuro". O superavit da record da China se deve à diminuição das importações e não ao aumento das exportações, igualzinho ao Brasil. Todas as economias comunistas estão cheias de bilionários, tem bilionários até em Cuba. Os EUA pagaram quase toda importação que fizeram da China com títulos de dívidas, para pagar essa conta os EUA poderiam fazer como o Brasil, desvalorizar o dólar para pagar a conta, põe a máquina de dólares para funcionar e paga a conta. Mas o que irão fazer ninguém sabe, nem eles. Tem pronunciamento da Janet Yellen hoje às 5, se ela disser que vai aumentar juros, haverá novas quedas da China e desvalorizações da commodities, se falar que não vai aumentar o dólar se desvaloriza um pouco e as bolsas sobem. É só isso.

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    • LIONES SEVEROPORTO ALEGRE - RS

      Minhas intervenções limita-se ao propósito de mostrar para os produtores de soja, que o comprador de 70% de nossa soja, com quem convivi por mais de 10 anos, está em situação confortável para pagar melhores preços, já que são extremamente dependentes da produção brasileira. Está em vocês fazer valer a vossa importância na busca por melhores preços. Confúcio disse : um cavalheiro não ensina o que não experimentou...

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    • PAULO ROBERTO RENSIBANDEIRANTES - PR

      Além das diferenças geográficas a China e Brasil demonstram outras diferenças. Segundo o Sr. Liones a China apresenta um Capitalismo Socialista, enquanto o Brasil apresenta um Capitalismo Dilmista*. O (*) "asterisco" é necessário, haja vista, que todos os experts em finanças não conseguiram definir qual é modelo econômico adotado pelo governo brasileiro, pois não existe na história mundial e atualmente nada parecido. O exemplo singular é a Petrobrás. Engraçado que existe uma blindagem em ITAIPU, quando o MPF vai bater à sua porta?

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    • RODRIGO POLO PIRESBALNEÁRIO CAMBORIÚ - SC

      Liones, vou continuar insistindo, a demanda não é o único fator de formação de preços. Estar na mão de um único comprador não é uma situação confortável. George Soros disse que a China não escapa de um pouso dificil. O Daoud falou que o frete do milho do MT até o porto é de 16 reais, quer dizer, os custos de produção estão altissimos, a carga tributária massacra os investimentos dos produtores e a China o principal comprador de soja já está em crise, embora digam que só começou, George Soros, Jim Richards, etc... todos esses que ganham verdadeiras fortunas explorando as cagadas dos governos. A interferencia desses caras, os planejadores governamentais, foi tão grande na economia mundial que toda ela é manipulada. Ontem o FED manteve as taxas, disse que ficará observando a inflação, que querem que volte, para depois dizer que podem demorar para subir as taxas. Logo depois do anúncio a soja subiu um pouco, mas o preço está ali no congestionamento, e digo sem medo de errar que se o FED tivesse afirmado categóricamente que não aumentaria as taxas de juros, a soja iria para 9 ou mais. Eu vejo isso todo dia. Os EUA determinam o rumo do mundo.

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