Safra 2015/16: Após MT e GO, PI também deve ter plantio prorrogado

Publicado em 28/12/2015 13:46 e atualizado em 28/12/2015 18:36
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Soja seca em Sorriso/MT

Lavoura seca de soja em Sorriso/MT - Foto: Notícias Agrícolas

O dia é 28 de dezembro, início da última semana de 2015 e os sojicultores do Centro Norte do Brasil continuam sofrendo perdas em suas lavouras que se agravam a cada dia com as chuvas extremamente irregulares, ou até mesmo pela falta delas já há muitos dias, nas principais regiões produtoras do país. E as previsões ainda não mostram alívio. As precipitações nessas regiões só devem melhorar entre 2 e 11 de janeiro, de acordo com a Somar Meteorologia.

 Para os próximos 6 a 10 dias, segundo a Somar, a tendência é de que haja uma melhora das chuvas das áreas norte e central, porém, ainda não confirmada, já que trata-se de um ano de forte El Niño e as condições climáticas ainda estão bastante sensíveis aos impactos do fenômeno. "Há uma expectativa de aumento da chuva sobre o centro e norte do Brasil entre 2 e 11 de janeiro em função da Oscilação Madden Julian favorável. Trata-se de uma informação que exige cautela e monitoramento. Para que chova na intensidade sugerida, há necessidade do enfraquecimento do Vórtice Ciclônico do Nordeste, algo que ainda não foi confirmado", informou, em nota, a consultoria.

Somar 2

No leste de Mato Grosso o sol forte continua derretendo as plantas de soja no campo. As precipitações chegaram apenas à parte Centro-Norte do estado e também de forma pontual e localizada, e sem reverter as perdas já registradas. Segundo um levantamento prévio das entidades de classe e associações, os prejuízos com a seca no plantio da soja podem superar a cifra de R$ 1 bilhão somente em MT. O mapa a seguir, também da Somar Meteorologia, mostra que em todo o leste mato-grossensse os acumulados variaram de 1 a 25 mm de chuvas entre 21 e 27 de dezembro. 

Mapa Somar

Mato Grosso - No estado, que é o maior estado produtor da oleginosa, a janela permitida para o plantio, que valia até 31 de dezembro, foi prorrogada oficialmente e vai agora até 15 de janeiro. A medida faz parte de uma Portaria Conjunta assinada pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec) e pelo Indea (Instituto de Defesa Agropecuária) e indicam que a medida vale para as lavouras "que sofreram perdas e necessitam do replantio". Assim, a colheita será permitida até 20 de maio, prazo que antes terminava em 5 de maio. 

Em áreas próximas aos municípios de Sinop e Cláudia, por exemplo, o solo está muito seco, sem reserva hídrica e as plantas apresentam baixa estatura, folhas queimdas, flores abortadas e, consequentemente, o número de vagens bem abaixo da média, com as lavouras muito comprometidas na fase reprodutiva e, em alguns caso, já no enchimento de grãos. Assim, a expectativa de produtividade já caiu de 50 para 40 sacas por hectare, segundo uma reportagem do MT Rural. Em tantas outras, o  replantio poderia ser uma solução, entretanto, essa tão esperada melhora das chuvas ainda não é garantida. 

No entanto, os prejuízos também já vêm sendo contabilizados em outros estados do Centro-Oeste, como Goiás, por exemplo, e ainda na região conhecida como Matopiba - que inclui os estados de Maranhão, Tocantis, Piauí e Bahia - por conta do clima seco, e no Sul do Brasil devido ao excesso de umidade. No Paraná, há locais próximos a Santa Maria do Oeste onde o replantio foi feito pela terceira vezm e ainda assim as chuvas causaram severos estragos nas lavouras. Em Cerejeiras, Rondônia, no norte do Brasil há campos alagados. A principal característica da safra 2015/16 de soja do Brasil tem sido a severidade com que a irregularidade climática vem impactando as plantações de soja. A ilustração abaixo mostra o padrão que as chuvas têm obedecido em todo o país nas últimas semanas. 

Mapa NA

Goiás - Em Goiás, o período permitido para a semeadura da soja também foi prorrogado pelo Ministério da Agricultura. A medida foi publicada no Diário Oficial da União na edição do último dia 24 de dezembro e passou de 31 de dezembro para 31 de janeiro em 73 municípios do estado. 

"O ministério esclarece que as lavouras semeadas no mês de janeiro, nos municípios indicados, continuam apresentando riscos climáticos semelhantes àquelas semeadas em dezembro, conforme os estudos de Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC). E ainda lembra que, nos municípios onde a prorrogação foi autorizada, a janela de semeadura para o milho 2ª safra será comprometida, ou seja, não será possível fazer o plantio dentro da janela do ZARC. O produtor deve ainda observar as regras estaduais quanto às questões fitossanitárias aprovadas pela Agência Goiana de Defesa Agropecuária", informou a nota oficial do Mapa. 

Piauí também deverá ter plantio prorrogado por conta seca

Por Fernanda Custódio

Diante da ausência de chuvas e das altas temperaturas, a Aprosoja Piauí (Associação dos Produtores de Soja e Milho do PI) protocolou nesta segunda-feira (28) um ofício pedindo ao Mapa (Ministério da Agricultura) a prorrogação da janela de plantio da soja até o dia 31 de janeiro no estado. Os trabalhos nos campos permanecem atrasados e a projeção é a área semeada com o grão até o momento esteja próxima de 35%. 

Segundo o representante da entidade, Altair Fianco, a expectativa é que o Ministério homologue o pedido da Aprosoja/PI. "Ainda assim, acreditamos que essa será uma medida paliativa. Já tivemos experiências de plantio da soja em janeiro, entre os dias 27 a 31 de janeiro, e a produtividade média ficou próxima de 17 sacas por hectare. Além disso, não sabemos se teremos chuvas em abril para o enchimento de grãos", afirma.

Por enquanto, as previsões climáticas indicam precipitações para o estado a partir do final dessa semana. "Porém, o grande problema é que as projeções não se confirmam. Na região de Uruçuí, a última chuva aconteceu no dia 24 de novembro e o clima segue seco e quente. Já a semeadura da oleaginosa não ultrapassa os 20% na localidade", explica o representante da entidade.

Com isso, muitos produtores avaliam a possibilidade de migrarem para a cultura do milho. "Tenho muitos vizinhos já destinando áreas para o cereal devido às intempéries climáticas", ressalta Fianco.

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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