China: Importações de soja sobem 14% no ano e fecham 2015 com recorde de 81,7 mi de t

Publicado em 13/01/2016 10:37 e atualizado em 13/01/2016 13:17
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Nesta quarta-feira (13), a China divulgou seus dados oficiais de exportações e importações em dezembro e surpreedeu positivamente, mais uma vez, o mercado internacional. O relatório da Administração Geral da Alfândega trouxe um inesperado aumento das vendas externas e apenas uma leve baixa, menor do que as projeções do mercado, nas compras do país asiático. 

Economistas e especialistas em todo o mundo falam de um novo ciclo de baixas das commodities, com alguns mercados registrando seus índices mais fracos em 25 anos, o que tem trazido ainda mais oportunidades para os chineses, que são os maiores consumidores mundiais de energia, metais e grãos. O resultado? A China comprou, em 2015, um volume recorde de petróleo bruto, minério de ferro, soja e concentrado de cobre. 

"Um retorno do crescimento das exportações, após cinco meses de contração, é um sinal tranquilizador, ao lado de outras evidências, de que a economia chinesa não está à beira do abismo", explica o economista da agência internacional Bloomberg, Tom Orlik. 

Dados preliminares sobre as importações de soja mostram que, somente em dezembro de 2015, as compras foram de 9,12 milhões de toneladas, apresentando um aumento de 23,41% em relação a novembro e de 7,04% se comparado ao ano anterior. De janeiro a dezembro do ano passado, as importações chinesas de soja alcançaram 81,69 milhões de toneladas, volume que superou em 14,42% o total de 2014. O número é um recorde histórico. 

Para a temporada comercial 2015/16 a projeção é de que as importações de soja pela nação asiática cresçam cerca de 2%, de acordo com a projeção do Centro de Informações sobre Grãos e Óleos da China (CNGOIC). 

Nesta semana, o Índice de Commodities da Bloomberg registrou seu menor nível desde 1991. Porém, as expectativas são de uma recuperação para os preços diante dessas compras recordes que vêm sendo registradas pela China, as quais se esperam que mantenham e aumentem seu ritmo. 

E o sentimento se dá não só pelos números, mas pela série de medidas adotada pelo governo da segunda maior economia do mundo para estimular o crescimento local. Entre as principais ações estão as tentativas de estabilizar o iuan e de 'atrasar' a saída de capitais do país. Nesta quarta-feira, o Banco Central manteve estável a taxa referencial da moeda após elevá-la nos últimos dias. 

"É inegável que a China aumentou suas compras de uma série de commodities no ano passado, entre outros fatores, por conta do dos preços mais baixos. A questão agora é como se comportarão as vendas daqui em diante", acredita o analista sênior de commodities Hong Sung Ki, da Samsung Futures, em Seul, na Coreia. 

Consumo de Alimentos

No setor de alimentos, o cenário econômico, porém, ganha menos peso diante de uma população crescente e em franca mudança de seus hábitos alimentares. Há uma intensa migração para a classe média, com um número que pode chegar a 500 mil pessoas consumindo mais proteína animal e exigindo, consequentemente, mais do setor de alimentação aniamal. Inclusive, o cenário, que continua promissor, foi um dos protagonistas nesse resultado de importações recordes de soja pela China em 2015. 

A demanda por farelo no país é muito forte e as indústrias processadoras ainda contam com margens bastante positivas, o que também favorece as compras. Hoje, a China detém o maior plantel mundial de suínos e está longe de ser auto-suficiente na produção de toda a a ração que precisa. 

Assim, o aumento das importações dos componentes da alimentação animal se dão por conta de uma expansão e comercialização da produção. Um levantamento feito pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) mostrou, no entanto, que o desenvolvimento da indústria alimentar da China ainda fica atrás da crescente demanda da nação por alimentos. 

Para Fred Gale, economista sênior da consultoria internacional ERS, a enorme necessidade das importações de soja para a produção de ração já é conhecida pelo mercado, porém, até mesmo as compras de milho, produto em que a China seria auto-suficiente, devem aumentar. "Neste ano, mesmo no caso do milho o governo tem conhecimento de que sua produção não é suficiente", diz em entrevista ao FeedNavigator. 

China lança investigações anti-dumping e anti-subsídios no DDGS contra os EUA

O Ministério do Comércio da China lançou, nesta quarta-feira (13), investigações de anti-dumping e anti-subsídio contra os Estados Unidos sobre alguns componentes para a fabricação de ração. 

A medida se deu depois que alguns produtores chineses alegaram que alguns itens vendidos para a nação asiática estariam sendo comercializados "abaixo dos valores normais", prejudicando, portanto, a indústria doméstica. As informações partem do ministério chinês. 

Ainda de acordo com os produtores da China tais produtos - entre eles o DDGS - são subsidiados pelos Estados Unidos sob cerca de 42 programas norte-americanos. E as investigações podem durar, ainda de acordo com o ministério, cerca de um ano sob condições normais, ou se estender para um ano e meio caso novas evidências entrem no processo. 

O Conselho de Grãos dos Estados Unidos respondeu à medida da China por meio de pronunciamento de seu presidente e CEO, Thomas N. Sleight. 

"Nós estamos desapontados de ver hoje o início das investigações anti-dumping do DDGS exportados para a China. Acreditamos que as alegações dos peticionários chineses são injustificadas e inúteis, já que podem ter um impacto negativo sobre os produtores norte-americanos de etanol e DDGS, bem como nos consumidores chineses por muitos anos. Nós também estamos confiantes de que nossas práticas de negociação tanto para o DDGS como para o etanol e todos os grãos forrageiros são justas em todo o mundo. Nós continuamos cooperando integralmente com essas investigações e iremos trabalhar de maneira ainda mais próxima com nossos membros para coordenar a resposta da indústria norte-americana. O Conselho de Grãos dos Estados Unidos tem trabalhado com a China desde 1981 para encontrar soluções para seus desafios de segurança alimentar ao desenvolvimento e comércio. E há mensuráveis efeitos positivos deste trabalho tanto para as indústrias de alimento, quanto para os setores de animais e ainda os consumidores chineses. Trabalharemos nos próximos meses para mostrar que essas denúncias são falsas, mesmo enquanto continuamos prontos para seguir expandindo nossa coooperação com a China nos assuntos agrícolas e de interesse mútuo". 

Analistas internacionais já afirmam que um rompimento no comércio entre Estados Unidos e China, que é a maior importadora mundial de alimentos, poderiam impactar de forma bastante severa os mercados de milho e etanol dos Estados Unidos. Paralelamente, o desenrolar das investigações poderia trazer oportunidades ainda melhores para o produto brasileiro. 

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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