Soja: Descolado de Chicago, mercado brasileiro fecha semana com altas de até 2,9%

Publicado em 15/01/2016 18:08
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Os preços da soja no mercado brasileiro registraram uma semana turbulenta sentindo a volatilidade do dólar frente ao real, das cotações em Chicago, enquanto, ao mesmo tempo, vinham encontrando suporte em um quadro de desabastecimento e demanda aquecida, característico da entressafra.

Assim, nas principais praças de comercialização do país, as oscilações foram bastante tímidas e patamares importantes foram mantidos. No Sul, os preços seguem acima dos R$ 70,00 por saca e, em alguns casos, superam os R$ 80,00. No Centro-Oeste, os valores também trabalham próximos dos R$ 70,00 ou ligeiramente mais baixos. 

O dólar fechou a semana cotado a R$ 4,0458 na venda, acumulando uma alta de 0,14%, apesar de subir, somente nesta sexta-feira (15), mais de 1%. A intensa aversão ao risco, motivada entre outros fatores, por novas baixas nos preços do petróleo, motivaram uma corrida dos investidores para ativos mais seguros e derrrubaram, inclusive, as commodities agrícolas. 

"Os mercados globais como um todo sofreram muito hoje, é um dia de pânico. Na realidade, é um pouco surpreendente que o dólar tenha subido só isso aqui", afirmou o gerente de câmbio de uma corretora nacional à agência Reuters.

Dessa forma, em Não-Me-Toque/RS, alta de 0,68% no balanço semanal, para R$ 74,50 por saca, de 2,86% para as praças de Londrina e Ubiratã, ambas no Paraná, para R$ 72,00 e de 2,90 para R$ 71,00 em Cascavel. Já no estado mato-grossense, estabilidade em Tangará da Serra nos R$ 69,00 e leve baixa de 0,72% para Campo Novo do Parecis, onde o último valor também foi de R$ 69,00. Em São Gabriel do Oeste, em Mato Grosso do Sul, queda semanal de 1,43% para R$ 69,00, e em Jataí, Goiás, manutenção nos R$ 66,00. 

Para as cotações nos principais portos de exportação a semana também fechou sem uma direção comum. Em Paranaguá, queda de 2,99% no disponível, que terminou com R$ 81,00,624% para R$ 79,00. Já em Rio Grande, os fechamentos foram, respectivamente, de R$ 85,20 e R$ 82,50, subindo 0,24% e 1,85%. 

O mercado brasileiro continua descolado da Bolsa de Chicago. Como relata o analista Marcos Araújo, da Agrinvest Commodities, os estoques muito escassos de soja no Brasil neste início de ano tem provocado uma disputa pelo pouco produto disponível entre demanda interna e para exportação. 

"A Bolsa de Chicago reflete a realidade local, mas ainda é referência mundial para a formação de preços. Mas esse problema de quebra no Brasil, em relação ao potencial inicial estimado, deve ser mais regionalizado e isso provoca um descolamento dos preços internos", diz. 

E além disso, há anida uma retração vendedora como outro componente da formação dos preços no Brasil. Com elevado percentual de vendas antecipadas e ainda enfrentando problemas de clima, o produtor brasileiro não vai a mercado e opta por observar o mercado e concluir bem sua safra, dentro do possível . 

"Isto se justifica pela baixa oferta de soja disponível e bons volumes de vendas antecipadas. É momento de augardar e observar", diz Camilo Motter, analista de mercado e economista da Granoeste Corretora de Cereais. "Mas isto é normal. A virada do ano trouxe mudanças radicais também no mercado do milho. Então o produtor deu uma certa recuada para analisar o quadro", completa. 

Clima no Brasil

No Brasil, ainda chove muito e de forma generalizada, com os maiores acumulados sendo registrados na faixa central do país. E de acordo com as últimas previsões da Climatempo, esse deve ser o padrão, pelo menos, até o próximo dia 20 de janeiro.  

No entanto, não são só benefícios que são contabilizados com essa mudança no quadro climático. Segundo um relato de Rodrigo Herval no espaço do Fala Produtor, do Notícias Agrícolas, o excesso de precipitações em regiões como a do Triângulo Mineiro, Alto Parnaíba, Noroeste de Minas Gerais e mais o Sul do Goiás já comprometem o andamento dos trabalhos de campo, além de favorecerem a incidência de doenças de início de ciclo. As áreas sofrem ainda com o ataque de lagartas e percevejos. 

O cenário se repete em campos do Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, além das perdas irreversíveis que foram contabilizadas em regiões como o MATOPIBA e importantes municípios produtores de Mato Grosso por conta do tempo seco das última semanas.

Bolsa de Chicago

Nesta sexta-feira, os preços da soja negociados na Bolsa de Chicago e testaram algumas baixa mais acentuadas entre os principais contratos. No entanto, no balanço semanal, as posições mais negociadas subiram de 0,97% a 1,59%, levando o vencimento maio/16, referência para a safra brasileira, a US$ 8,78 por bushel. 

O mercado internacional contou, nos últimos dias, com números altistas trazidos pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) em seu boletim mensal de oferta e demanda na última terça-feira (12), e ainda do comércio da China, com as importações recordes de 81,7 milhões de toneladas em 2015. 

Porém, mesmo com um potencial de recuperação dos preços estimados pelos analistas, que esperam que os futuros da oleaginosa busquem novamente os US$ 9,00 por bushel, a pressão vinda do mercado financeiro internacional é inevitável. 

Nesta sexta-feira, o recuo no petróleo intensificou o mau humor do mercado financeiro global e, como explicaram os analistas da Agrinvest Commodities, "dispararam as vendas de ativos de risco como ações e moedas de países exportadores de commodities". No acumulado da semana, os futuros do combustível já perderam 10% e renovaram suas mínimas em 13 anos. 

* Na próxima segunda-feira, 18 de janeiro, a Bolsa de Chicago não funcionará devido ao feriado de Martin Luther King. 

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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