Soja: Bem vendido e sem novidades no mercado, produtor brasileiro tem semana de poucos negócios

Publicado em 26/02/2016 17:13
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O mercado brasileiro de soja registrou uma nova semana de baixo volume de negócios. As oscilações ainda tímidas dos futuros da oleaginosa na Bolsa de Chicago e a volatilidade na taxa cambial mantém os produtores às margens do mercado, ainda focados somente nos trabalhos de colheita. 

De acordo com o último levantamento da França Junior Consultoria, a colheita no Brasil, até o último dia 25,  já estraa concluída em 33% da área, superando o índice do mesmo período de 2015, de 30%, e o da média dos últimos cinco anos, de 29%. A pesquisa mostrou ainda um aumento na estimativa em relação à projeção anterior para a safra brasileira 2015/16, que passou a 98,942 milhões de toneladas.  

E, segundo explicam analistas, esse ainda deve ser o padrão do mercado enquanto as variações de preços na CBOT continuarem sem força - em parte por estarem bastante atrelados ao quadro financeiro global - para romperem algumas barreiras e enquanto as projeções para a economia nacional seguirem dando sinais de incertezas e trazendo insegurança. 

Porém, como explica o economista e analista de mercado Camilo Motter, da Granoeste Corretora de Cereais, "nesse momento, os preços não fecham. Entre a pedida dos vendedores e a indicação de compra há uma distância que varia entre R$ 1,00 e R$ 2,00", quadro que também contribui para essa trava no mercado interno. 

O que se viu, portanto, foi uma queda expressiva dos preços nos portos e no interior do Brasil, afugentando ainda mais os vendedores. 

Nas principais praças de comercialização, as baixas foram de 0,80% a 3,08%, com destaque para São Gabriel do Oeste, no Mato Grosso do Sul, onde o preço foi de R$ 65,00 a R$ 63,00 por saca e Cascavel, no Paraná, com o valor caindo de R$ 69,00 para R$ 67,50. 

Nos portos, baixas ainda mais intensas, variando de 2,52% a 5,05%. Em Paranaguá, a soja disponível foi de R$ 80,50 a R$ 78,00 por saca, enquanto o produto futuro caiu de R$ 79,50 a R$ 77,50. Em Rio Grande, as cotações foram, respectivamente, de R$ 81,10 para R$ 80,00 e de R$ 83,20 a R$ 79,00 por saca. 

Na sessão desta sexta-feira, a moeda norte-americana subiu 1,21% e fechou com R$ 3,9976 na venda, buscando ainda retomar o patamar dos R$ 4,00. Na semana, por outro lado, a divisa acumulou uma baixa de 0,62%. Como explicam especialistas, o final do mês é um período típico de uma ajuste de posições e, portanto, não reflete uma tendência para a moeda norte-americana, a qual também vem apresentando significativa volatilidade. 

"O mercado fica pouco previsível quando chega o fim do mês, a gente sabe que tem fatores como a Ptax que levam o real a se descolar dos fundamentos", disse o operador da corretora Spinelli José Carlos Amado à agência de notícias Reuters.

Dessa forma, os produtores, ainda apostam na soja, portanto, como um ativo financeiro, o que também acaba travando as vendas. E esse movimento vem se confirmando mesmo com algum suporte para os preços vindo dos prêmios. No porto de Paranaguá, por exemplo, as principais posições de entrega ainda contam com valores que vão de 28 a 40 centavos de dólar sobre os preços praticados em Chicago, indicando uma demanda ainda forte pelo produto brasileiro. 

E segundo relata o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting, o produtor brasileiro está bem vendido - com cerca de 60% da safra já comercializada, na maior parte dos casos - e se preocupa agora em entregar seus contratos. 

"Hoje, o produtor tem que entregar seus contratos para quitar dívidas, insumos, trocas, e garantir crédito, manter sua credibilidade com os fornecedores. O restante deles, como o mercado está barato demais, pode esperar, porque o espaço da baixa é mínimo. O risco dele perder segurando a soja é quase que insignificante", diz. 

Mercado Internacional

No mercado internacional, não só da soja, mas dos grãos negociados em Chicago de uma forma geral, a esperança de um novo fôlego para as cotações vinha sendo alimentada pelas informações trazidas pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) em seu Agricultural Outlook Forum. As novidades chegaram, mas o mercado não reagiu. 

As autoridades do departamento, em estimativas ainda iniciais e baseadas em projeções feitas pelos técnicos das instituições, projetaram uma redução na área de plantio da soja, estoques menores e um aumento das exportações na temporada 2016/17. 

Ainda assim, no balanço semanal, o resultado entre as posições mais negociadas em Chicago foi negativo e as baixas variaram entre 1,61%, para o contrato agosto/16, que fechou com US$ 8,72 por bushel, a 2,65% no contrato março/16, terminando a semana com US$ 8,55. 

Outlook Forum - Principais Números

Segundo o economista chefe do departamento, Robert Johansson, a área destinada à oleaginosa deverá ficar, na temporada 2016/17, em 33,39 milhões de hectares, número que vem abaixo das expectativas do mercado, de 33,71 milhões. Além disso, a área esperada é menor ainda do que a plantada na safra 2015/16, de 33,47 milhões de hectares. A área colhida é esperada em 33,02 milhões de hectares e a produtividade média foi projetada em 52,95 sacas por hectare. 

Os estoques finais dos EUA na safra 2016/17 esperados são menores do que os da última temporada e devem ficar em 11,97 milhões de toneladas. A produção, seguindo o mesmo ritmo, deve cair de 107 milhões para 103,7 milhões de toneladas e as exportações, por outro lado, podem aumentar de 45,99 milhões para 49,67 milhões de toneladas no novo ano comercial. Há ainda uma possibilidade de um aumento do esmagamento de soja no país, que passaria de 51,17 milhões da temporada 2015/16 para 51,71 milhões de toneladas na 2016/17. 

O USDA estimou ainda uma redução no preço médio da soja, o qual passaria de US$ 8,80 para US$ 8,50 por bushel. 

Commodities x Mercado Financeiro

Para os analistas de mercado, a pouca reação das cotações aos fundamentos positivos que surgiram nesta semana reflete a íntima relação não só da soja, mas de todas as commodities de uma forma geral, ao cenário financeiro mundial, que segue inspirando cautela aos investidores diante das incertezas crescentes. A aversão ao risco, que pontualmente cai ao longo dos pregões, segue fortalecida e ainda muito presente entre os negócios. 

Dessa forma, os fundos seguem às margens do mercado, evitando se posicionar entre as commodities agrícolas dado seu perfil de um ativo mais sensível e arriscado. "O mercado financeiro hoje está de mau humor. Há muita flutuação nas bolsas, muita gente perdendo dinheiro em commodities, petróleo, minério de ferro. Os riscos estão grandes nesse final de fevereiro", diz Brandlizze. 

Ainda segundo o consultor, há espaço para mais algumas baixas para a soja na Bolsa de Chicago, como mostram as análises técnicas, porém, de forma limitada. Além disso, reforça a opinião de de que isso não se daria por conta de fundamentos, principalmente por não haver vendedores no mercado físico tanto nos EUA, quanto no Brasil ou na Argentina. 

"Acredito que possa haver uma pressão a mais diante desse nervosismo, o financeiro ainda vai forçar um pouquinho para baixo", diz. "Ao se aproximar do patamar dos US$ 8,50 o mercado traz uma catástrofe para os produtores norte-americanos", completa.  

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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