Soja: De olho na safra dos EUA, mercado mantém tom negativo nesta 3ª feira em Chicago
As cotações futuras da soja negociadas na Bolsa de Chicago (CBOT) reduziram as perdas ao longo do pregão desta terça-feira (23). Ainda assim, as principais posições da oleaginosa mantêm o tom negativo e, por volta das 12h32 (horário de Brasília), testavam perdas entre 3,00 e 4,50 pontos. O setembro/16 era cotado a US$ 10,31 por bushel, enquanto o novembro/16 trabalhava a US$ 10,11 por bushel.
Segundo o consultor de mercado da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze, os preços passam por um ajuste técnico depois das recentes valorizações. "E o movimento também é um reflexo do boletim de acompanhamento de safras do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) reportado ontem mostrando boas condições das lavouras. Com isso, os participantes do mercado liquidam suas posições", pondera.
Ainda no final desta segunda-feira, o departamento norte-americano manteve em 72% o índice de lavouras em boas ou excelentes condições. O USDA ainda reportou que cerca de 89% das plantações da oleaginosa estão em fase de formação de vagens.
"E, de forma geral, o clima continua sendo favorável ao desenvolvimento das lavouras. Apesar das chuvas mais fortes, que ocasionaram inundações em algumas localidades como Louisiana e Arkansas e, do tempo mais seco mais ao Norte do Meio-Oeste dos EUA, a safra não registra grandes problemas", explica Brandalizze.
De acordo com mapas atualizados do NOAA - Serviço Oficial de Meteorologia do país - entre os dias 30 de agosto a 5 de setembro, algumas partes do Meio-Oeste dos EUA ainda receberão chuvas acima da média. No mesmo período, as temperaturas deverão ficar acima da normalidade.
Além disso, as agências internacionais já começam a mostrar os primeiros resultados do Crop Tour Pro Farmer, um renomado tour que acontece anualmente no Meio-Oeste americano. Em Ohio, a expedição indicou 1.055 vagens por amostragem, número abaixo do registrado em igual período do ano passado, de 1.125,3 vagens por amostragem. Já a média dos últimos três anos é de 1.250,4 vagens por amostragem.
Para o estado de Dakota do Sul, o número ficou em 970,6 vagens por amostragem. A média do ano anterior é de 1.055 vagens por amostragem.
Contudo, o consultor ainda sinaliza que a demanda continua sendo um fator importante de suporte aos preços da oleaginosa. "Acredito que novas vendas de soja para a China deverão ser anunciadas pelo USDA nos próximos dias", completa Brandalizze.
Portos brasileiros
Diante da queda em Chicago e da instabilidade registrada no câmbio, os preços trabalham em campo misto nos portos brasileiros. Em Paranaguá, a saca disponível recuava 0,59%, cotada a R$ 84,00 nesta terça-feira. Já o valor futuro está próximo de R$ 80,50 a saca, com queda de 0,62%.
No terminal de Rio Grande, as cotações sobem nesta terça-feira. O disponível trabalha a R$ 82,50 a saca, com alta de 1,23%, já o preço futuro está próximo de R$ 80,50 a saca, com ganho de 0,63%.
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