Petróleo cede mais de 3%, pressiona commodities e soja fecha com mais de 1% de baixa na CBOT

Publicado em 29/11/2016 18:11
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Os preços do petróleo caíram mais de 3% nas bolsas de Londres e Nova York nesta terça-feira (29). 2016 pode terminar sem um acordo efetivo entre os membros da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) sobre manter ou reduzir a produção atual. E as novas conversas que acontecem nesta semana já identificam uma postura mais dura de nações como o Iraque e o Irã, afirmando que deverão resistir às pressões, principalmente da Arábia Saudita, sobre uma possível redução. 

"Nós vamos manter o nível de produção decidido na Argélia (durante a reunião de setembro)", disse a jornalistas o ministro do petróleo do Irã, Bijan Zanganeh, chegando em Viena para o novo encontro. A declaração já foi suficiente para promover ainda mais especulação entre os traders e investidores, e os preços da commodity passaram a despencar nas bolsas internacionais. Nas bolsas internacionais, ao longo do dia, o recuo entre os futuros do petróleo superaram os 4%. 

Investidores do setor vinham otimistas em relação aos próximos dias e ainda apostam nas chances de um acordo em torno de uma redução na produção, agora, diante da postura mais radical do Irã e do Iraque, o sentimento já não é mais linear como vinha sendo e as expectativas estão divididas. 

Na última sexta-feira (25), o brent registrou seu maior recuo em mais de dois meses, chegou a retomar parte dessas baixas no pregão de segunda-feira (28), porém, voltou a perder força nesta terça com a chegada dessas novas informações. A volatilidade, segundo explicam analistas internacionais, deve continuar e se intensificar nos próximos dias. 

Enquanto isso, os preços do petróleo mantêm-se na metade de seus níveis de meados de 2014, com a oferta global ainda superando a demanda pelo produto. Para alguns analistas estrangeiros, sem acordo na Opep, o preço do barril encontraria espaço para novas baixas e chegar aos US$ 35,00. 

E o impacto sobre as demais commodities, portanto, pode continuar acontecendo, como pôde ser observado nos negócios desta terça-feira. Na Bolsa de Chicago, as baixas foram lideradas pela soja, que terminaram o pregão com perdas de mais de 10 pontos. Os futuros do milho e do trigo também cederam e caíram, respectivamente, mais de 2% e 1%. Em Nova York, as baixas mais intensas foram registradas pelos futuros do café arábica, os quais também cederam mais de 2%. 

O recuo da oleaginosa, nesta terça, chegou ainda após uma série altas na Bolsa de Chicago, que levaram as cotações a registrarem suas máximas em quatro meses e meio, o que deu espaço para os especuladores, ainda como explicam analistas e consultores, para essa rodada de realização de lucros e liquidação de parte de suas posições. 

"Há uma pressão do cenário macroeconômico sobre o complexo soja. Observamos um forte rally, agora o mercado está corrigindo parte disso", explica, à Reuters África, o corretor da Linn & Associates, Terry Linn. Ao lado da despencada do petróleo, afinal, um fortalecimento do dólar nesta terça - movimento que vem ganhando mais espaço nos últimos dias, principalmente do dólar index - também ajudou a pesar sobre as cotações.

Preços no Brasil

Enquanto a soja perdeu mais de 1% na Bolsa de Chicago, somente na sessão desta terça-feira, o dólar subiu, porém, apenas 0,33% para encerrar os negócios valendo R$ 3,3957. Na máxima, a divisa alcançou os R$ 3,4148. E com essa conjunção de fatores, os preços no mercado brasileiro registraram um dia de novas e consideráveis baixas. 

No interior do Brasil, as baixas chegaram a mais de 5% no interior de Mato Grosso, com as referências orbitando perto dos R$ 66,00 por saca. Nas demais regiões, perdas de 0,46% a 3,62%, com exceção de Ponta Grossa, onde o valor subiu para R$ 78,00 com alta de 1,30%, e no Oeste da Bahia, com a cotação avançando 1,95% para R$ 71,75. 

Nos portos, baixa entre os principais indicadores. A soja disponível perdeu 2,47% no porto de Paranaguá, para R$ 79,00 por saca e 1,22% nos negócios com a safra nova, para fechar o dia em R$ 81,00. Em Rio Grande, perdas respectivas de 1,7% e 1,27%, para R$ 81,00 e R$ 85,00 por saca.  

Demanda

A força da demanda, porém, não saiu do radar dos traders, nem ao menos ocupa agora menos espaço. A China segue muito ativa no mercado, principalmente frente aos seus baixos estoques domésticos de farelo e de margens positivas de esmagamento, as quais contam ainda com boas perspectivas também. 

Uma estimativa do banco internacional JPMorgan indica que as importações chinesas da oleaginosa possam alcançar o recorde de 87,5 milhões de toneladas na temporada 2016/17. E, no mesmo período, a instituição acredita ainda que o consumo global cresça cerca de 6%, sendo esse o índice mais forte entre grãos e oleaginosas. 

"O consumto global de soja continua muito forte, estimulado pela crescente força da demanda por proteínas animais", disse, em nota, o JPMorgan. 

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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