Na FOLHA: Maioria acredita que empreiteiras beneficiaram Lula, aponta o Datafolha

Publicado em 26/02/2016 17:43 e atualizado em 29/02/2016 04:44
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Na Folha de S. Paulo + VEJA

Pesquisa Datafolha revela que, para a maioria dos brasileiros, houve um "toma lá, da cá" na relação entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e empresas envolvidas na Operação Lava Jato. O petista teria ganho favores pessoais e as empresas, ajuda em governos do PT.

Segundo o levantamento, a maior parte dos entrevistados avalia que o ex-presidente foi beneficiado diretamente por obras realizadas em dois imóveis supostamente ligados ao petista e a sua família.

Entre os que acreditam que Lula obteve vantagens por reformas em um sítio em Atibaia, no interior de São Paulo, e em um apartamento triplex em Guarujá, no litoral paulista, a maioria também acha que as empresas supostamente responsáveis pelas obras foram beneficiadas por governos do PT.

De acordo com o Datafolha, independente do grau de conhecimento sobre o assunto, 62% avaliam que Lula foi beneficiado pelas obras no tríplex, a cargo da empreiteira OAS. Entre eles, 58% acham que a construtora recebeu vantagens do PT.

No caso do sítio em Atibaia, 58% acreditam que o presidente tenha sido beneficiado pelas obras na propriedade, sendo que, para 55%, os responsáveis pelas reformas também receberam vantagens de governos do PT.

Em relação ao sítio, testemunhas ouvidas pela Folha e investigações oficiais indicam que uma espécie de consórcio informal de empresas bancou as obras. Entre elas estariam a Odebrecht, a OAS e o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente.

Mesmo entre os simpatizantes do PT, cerca de um terço dos entrevistados acredita que Lula foi beneficiado tanto no caso do sítio quanto no do tríplex.

Segundo o Datafolha, 69% dos brasileiros tomaram conhecimento das denúncias envolvendo a reforma do sítio. No caso do tríplex, 77% estão informados.

Nos dois casos, quanto mais escolarizado e rico, maior o percentual de entrevistados que consideram ter havido o "toma lá, dá cá" entre as empreiteiras, Lula e governos petistas.

A pesquisa foi realizada entre os dias 24 e 25 de fevereiro. Foram feitas 2.768 entrevistas em 171 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

No caso do sítio em Atibaia, na última semana, a Odebrecht admitiu ter ligação com as obras na propriedade. Na sexta (26), a defesa de Lula afirmou que a reforma do sítio foi oferecida por Bumlai. O advogado do pecuarista, preso Lava Jato, nega a versão.

Sobre o tríplex, Lula justifica que comprou uma cota da cooperativa Bancoop que dava direito a uma unidade no condomínio, mas que desistiu de comprar o imóvel. Hoje o tríplex está em nome da OAS e foi reformado pela empreiteira.

MELHOR PRESIDENTE

Lula, porém, segue sendo o mais citado espontaneamente na consulta sobre o melhor presidente que o Brasil já teve, embora seu percentual tenha oscilado negativamente entre novembro de 2015 (39%) e hoje (37%). O segundo mais mencionado pelos brasileiros foi Fernando Henrique Cardoso (PSDB), indicado por 15% (em novembro, ele tinha 16%).

Em entrevista à Folha, a jornalista Mirian Dutra, que foi amante do tucano, disse que o ex-presidente custeou parte de despesas dela e do filho no exterior, por meio da Brasif, empresa que administrava free shops em aeroportos. A Polícia Federal abriu na sexta (26) inquérito para apurar se houve crime de evasão de divisas.

 

Pessimismo com economia diminui, aponta Datafolha

Apesar da queda do PIB estimada em 4% em 2015, houve uma redução, entre o final do ano passado e agora, do pessimismo da população em relação à sua própria situação econômica e à do Brasil, aponta pesquisa Datafolha.

Apesar disso, o governo Dilma Rousseff segue rejeitado por 64% dos brasileiros, taxa praticamente idêntica à de dezembro. Outros 60% (mesmo percentual de há dois meses) querem que a Câmara dos Deputados vote a favor do impeachment da presidente.

O levantamento do Datafolha realizado entre os dias 24 e 25 de fevereiro indica que, na comparação com pesquisa feita em dezembro, os brasileiros estão menos apreensivos. O Índice Datafolha de Confiança, que tem como base expectativas econômicas e pessoais, subiu sete pontos, alcançando 87 pontos.

Embora abaixo de 100 pontos, o que deixa o índice ainda no campo negativo, essa é a maior taxa desde dezembro de 2014 (121 pontos), pouco antes do início do segundo mandato de Dilma.

As variações foram mais significativas nas expectativas da situação econômica do entrevistado (+15 pontos) e do país (+17). Os brasileiros também estão menos pessimistas em relação ao desemprego e à deterioração do poder de compra.

Apesar das expectativas terem melhorado, o desemprego segue em alta no país, a renda dos brasileiros está em queda e a inflação persiste acima da faixa de um dígito, apesar da forte recessão.

O número de desempregados no Brasil chegou a 9,1 milhões no trimestre de setembro a novembro de 2015. É o maior já registrado pelo IBGE desde o início da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua mensal, em 2012.

EMPREGO

Para o diretor de Pesquisas do Datafolha, Alessandro Janoni, o início de cada ano produz na população uma "percepção de melhora", fato que pode ter impactado na avaliação geral do índice de confiança medido pelo instituto.

Parte da redução do pessimismo com o mercado de trabalho pode ser explicada pelo aumento no total dos que têm conseguido trabalhar por conta própria: foram quase 1 milhão a mais no trimestre até novembro em relação ao ano anterior, segundo dados oficiais.

SEGMENTOS

O levantamento mostra que embora siga estável o percentual dos que acham ruim ou péssimo o governo Dilma (64%), houve um pequeno aumento dos que o consideram apenas regular. A taxa passou de 22% em dezembro para 25% agora.

Essa evolução foi maior entre os brasileiros que vivem no Nordeste e entre os menos escolarizados.

INVESTIGAÇÕES

A pesquisa, realizada na semana passada, foi feita depois da notícia da prisão do publicitário João Santana e de sua mulher, Mônica Moura. Planilha apreendida pela Polícia federal indica que o marqueteiro recebeu ao menos R$ 4 milhões da Odebrecht no Brasil em 2014, quando trabalhava para a reeleição de Dilma.

Segundo as investigações, há suspeita de que dinheiro desviado do esquema de corrupção na Petrobras possa ter abastecido contas do publicitário e de sua mulher. A Odebrecht e Santana negam irregularidades.

 

Datafolha indica que a crise anestesiou o Brasil, por JOSIAS DE SOUZA (do UOL)

Pesquisa Datafolha indica que o brasileiro pode estar se acostumando com seu drama. No Brasil de hoje, basta abrir um jornal, uma janela, uma geladeira ou qualquer fresta para dar de cara com a crise. A Lava Jato exibe o pus no fim do túnel. A recessão congestiona a trilha rumo ao olho da rua. E a inflação faz sobrar mês no fim do salário. Porém…

A despeito da progressiva deterioração da conjuntura, houve, desde dezembro, uma redução do pessimismo do brasileiro em relação à situação econômica —pessoal e do país. A taxa de reprovação de Dilma ainda é alta, mas permaneceu praticamente inalterada, na casa dos 64%. Ficou congelado também o percentual de brasileiros favoráveis ao impeachment: 60%. (veja os detalhes aqui)

É como se o país estivesse na UTI, mas anestesiado. A vida cotidiana numa nação submetida à perversão perpétua acaba ganhando contornos de anormal normalidade. As ruas voltaram para casa. Estão sendo intimadas a roncar novamente no dia 13 de março. Mas parecem hesitar. Os primeiros atos de impaciência não surtiram efeito. Quando soube que o heroi da resistência da oposição era Eduardo Cunha, o asfalto foi dormir. Acordou sem culpa, virou o rosto e foi cuidar do seu feijão com arroz.

Nunca antes na história do país uma crise foi tão televisionada. A roubalheira, o desemprego e a carestia não transcorrem num cofre remoto, numa empresa desconhecida ou num supermercado distante. Os fenômenos acontecem, em cores vivas, na sala de estar de todos os brasileiros que escolhem não virar o rosto. O descalabro virou mais uma novela. A diferença é que é mais difícil distinguir mocinhos de bandidos.

A novela atual tem um roteiro de terror. Mas é, essencialmente, um reencontro do brasileiro com a vocação da política para o mal —agora em versão revista e ampliada. Durante anos o país assiste, em capítulos diários, entre comerciais de sabão e inseticida, à mistura da roubalheira com a ineficiência. A propaganda é enganosa. A mancha não sai. E os ratos se multiplicam.

A longo prazo, estaremos todos mortos. A curto prazo, se você consegue manter a cabeça no lugar, provavelmente já virou o rosto. Terceirizou a reação ao juiz Sérgio Moro e à força-tarefa da Lava Jato. E foi cuidar do seu feijão com arroz. Muitos ainda tentam ver o lado bom das coisas. Mesmo que seja preciso procurar um pouco.

 

PT ataca Dilma por ruína que ajudou a produzir, JOSIAS DE SOUZA (no UOL)

Tornou-se muito fácil identificar um petista numa roda de políticos. Ele será sempre o que estiver falando mal de Dilma com maior estridência. Reunido no Rio de Janeiro, o diretório nacional do PT caprichou no oportunismo. Criticou duramente a ruína em que se encontra assentada a administração Dilma. E pregou a ressurreição da política econômica de Lula. Esqueceu dois detalhes: 1) foi Lula quem tirou a gênia da garrafa. É um pouco tarde para obrigá-la a entrar de novo; 2) o PT ajudou a produzir os escombros. O partido fez o pior o melhor que pôde.

O petismo tem saudades da era Lula porque foi no reinado dele que o PT tornou-se uma máquina coletora de dinheiro público. Foi uma fase em que o velho lema do ‘rouba mas faz’, piscando num letreiro invisível ao fundo, fornecia a imunidade preventiva para um sistema de conveniências em que o suposto proveito substituía a ética. Hoje, a roubalheira exposta pela Lava Jato fulminou a ética. E a estagflação fez sumir a falsa noção de proveito.

É nesse contexto que o PT traz à luz o seu Plano Nacional de Emergência, um programa econômico desconectado da realidade. Aprovado sob aplausos generalizados, o texto sugere que os juros sejam reduzidos na marra, propõe o escancaramento das arcas já faliadas e prega o uso das reservas cambiais para financiar obras públicas.

Desde que abandonou a noção de responsabilidade fiscal, Dilma vem tocando as coisas na base do vai ou racha. O PT informa que, neste ano de eleições municipais, a coisa terá que ir mesmo rachada. Com o apoio de Lula, o partido critica o ajuste fiscal que não deixou Joaquim Levy executar. E ignora que Lula inaugurou o seu reinado, em 2003, produzindo superávits de caixa de dar inveja nos liberais tucanos. Coisas do passado.

Hoje, reduzido à condição de organização partidária com fins lucrativos, o Partido dos Trabalhadores, 100% financiado pelo déficit público, virou a principal evidência de que o poder longevo pode levar qualquer agremiação a atingir a perfeição da ineficiência impudente. Com os ideais dissolvidos em corrupção, o PT dedica-se a desfazer o que ele mesmo fez. É um caso raro de autodissolução.

Justiça prorroga prisão do marqueteiro João Santana e da esposa Mônica Moura

O juiz federal Sergio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato em Curitiba, prorrogou nesta sexta-feira, por mais cinco dias, as prisões temporárias do marqueteiro petista João Santana e da mulher e sócia do publicitário, Mônica Moura. O magistrado, que havia negado, durante as investigações, decretar a prisão preventiva do casal Santana - situação em que os dois não teriam data pré-definida para deixar a cadeia - considerou que "há certos problemas no álibi" apresentado pelos dois, que, em depoimento à Polícia Federal, afirmaram que não sabiam da origem dos recursos que foram depositados na conta da empresa que mantinham no exterior e que não tinham relação com o codinome "Feira" - referência utilizada na contabilidade paralela do Grupo Odebrecht para registrar repasses de dinheiro. Para o juiz, que chegou a dizer que considera até a hipótese de Santana e Mônica terem outras contas secretas no Brasil e no exterior, a prorrogação da prisão "prevenirá a prática de fraudes para justificar as transações já identificadas".

Segundo as investigações, entre 25 de setembro de 2013 e 4 de novembro de 2014, dias após o fim do segundo turno presidencial, o operador de propinas Zwi Skornicki repassou dinheiro a offshore panamenha Shellbill Finance SA, de João Santana e Mônica Moura. Foram nove transações, totalizando ao menos 4,5 milhões de dólares. A Shellbill Finance SA não foi declarada às autoridades brasileiras. Outros 3 milhões de dólares pagos ao marqueteiro, via Shellbill, pelo Grupo Odebrecht partiram de contas ocultas no exterior em nome das offshores Klienfeld e Innovation, que já são alvo da Lava Jato por terem sido usadas para abastecer com dinheiro sujo os ex-diretores da Petrobras Renato Duque, Paulo Roberto Costa, Jorge Zelada e Nestor Cerveró.

Além da presença da Klienfeld como fonte pagadora do casal Santana, a atuação do operador de propinas Zwi Skornicki como responsável por outros repasses - de 4,5 milhões de dólares - à dupla foi classificada como "perturbadora" pelo juiz.

Leia a notícia na íntegra no site da Veja

Fonte: Folha / Veja

1 comentário

  • Paulo Roberto Rensi Bandeirantes - PR

    Gostaria de deixar uma pergunta aos leitores do NA: IMAGINE SE O "MENSALÃO" ESTIVESSE SOB O JUÍZO DE SÉRGIO MORO, QUAIS SERIAM AS SENTENÇAS ???
    No dia 26/02 ele "esticou" a prisão provisória dos "FEIRA", sob a alegação de que mentiram no depoimento. Os insetos estão se enrolando na teia da justiça, com certeza suas sentenças já vão aumentar diante de mais essa mentira.
    CONTINUEM MENTINDO... IDIOTAS !!! ... & APODREÇAM NA CADEIA !!!
    TACÁ-LE PAU!... TACÁ-LE PAU!... MORO !!!

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    • DALZIR VITORIAUBERLÂNDIA - MG

      Caro Rensi....dia destes voce me chamou de pessimista com relação aos preços da soja...estamos no final de fevereiro ..portanto veja como estão os preços.. Produtores rurais...abram o ZOIO...entenda-se os olhos...o setor vai aos poucos tendo seus custos sendo elevados e alguns preços de venda que salvaram a lavoura vão aos poucos caindo e o setor deve entrar como os demais setores da economia brasileira no vermelho...cuidem os custos...enxuguem gastos...posterguem investimentos com retôrno lento e não muito claro...pois o que ronda hoje a industria..serviços...empregados vai aos poucos chegar com força ao setor rural..

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    • PAULO ROBERTO RENSIBANDEIRANTES - PR

      Sr. Dalzir, esse é um problema do espaço do NA, nós nos relacionamos com a escrita, a qual não tenho domínio. Sinceramente, se o Sr. entendeu dessa forma, peço que me desculpe, pois não tive a intenção, às vezes e, quase na maioria delas, por problemas de falta de conhecimento da língua portuguesa, coloco palavras ou formulo sentenças que não exprimem o pensamento. O Daniel Olivi sabe do que estou falando, pois (acho) é ele que conserta meus textos. Enfim... DESCULPE-ME.

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    • DALZIR VITORIAUBERLÂNDIA - MG

      Rensi...não há o que pedir desculpas..o espaço é democrático e como humanos nunca acertamos 100%..costumo usar o PDCA em quase tudo e comparo o que planejo e prevejo com o que acontece..se erro resta-me corrigir..assumir o erro...agir para corrigir...e vamos em frente..

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