Ainda irregulares, chuvas podem comprometer colheita da soja em Mato Grosso

Publicado em 01/02/2016 10:47 e atualizado em 01/02/2016 16:47
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Últimos números do Imea mostra quem trabalhos estão concluídos em 8,2% da área. Apesar do avanço, índice reflete atraso em relação ao ano anterior

Foto Chuva - MT - Fundação MT

Imagem mostra áreas de pesquisa com soja, da Fundação MT, em Nova Mutum, na última sexta-feira (29), onde o acumulado de chuvas chegou a 100 mm

O El Niño está com os dias contados, segundo explicou o agrometeorologista Marco Antônio dos Santos, da Somar Meteorologia, em entrevista no evento Fundação MT em Campo 2016, realizado em Nova Mutum, no final da última semana. Seus efeitos, porém, continuam a ser sentidos pela agricultura brasileira. Em Mato Grosso, muitas áreas estão com as lavouras de soja prontas para serem colhidas, mas o excesso de chuva não permite o andamento dos trabalhos de campo. 

O estado, ainda segundo explicou o especialista, não deve contar com longos períodos de invernada, porém, as precipitações continuam chegando ao estado nos próximos dias, durante o período de colheita e, dessa forma, os trabalhos tendem a ainda registrar algum atraso. E isso acontece ainda de forma mais significativa depois de o plantio ter acontecido mais tarde nesta safra, por conta da falta de umidade. 

"O avanço de uma frente fria pela região Sul, nessa manhã de segunda-feira, mantém o tempo instável e com possibilidade para ocorrência de pancadas de chuvas em Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso", diz.

E assim, os números mais atualizados do Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária) já refletem esse quadro climático mostrando que a colheita da soja no estado está atrasada. Nesta semana, a colheita alcançou 8,2% da área plantada, contra 3,7% da semana passada. Porém, no final do primeiro mês do ano passado, a área colhida já passava de 10,3%. 

A irregularidade climática em Mato Grosso, porém, continua e, consequentemente, os trabalhos de colheita também. Entretanto, os produtores aproveitam cada dia de tempo mais seco para dar continuidade ao processo, evitando que as plantas sofram muito nos campos e comecem a perder qualidade. Ainda assim, já há algumas áreas onde os grãos estão ardendo, ficando murchos e até mesmo onde a soja começa a brotar. 

Ainda assim, as previsões mostram que as condições podem melhorar a partir desta semana e, para Marco Antônio dos Santos, os trabalhos podem começar a ganhar mais ritmo, sem deixar de citar a desuniformidade característica desse ano safra. 

"Desse modo, a colheita da soja e posterior plantio das culturas de segunda safra no Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e no Paraná poderão ser parcialmente prejudicadas, já que o dia será apenas para a ocorrência de pancadas de chuvas. Lógico, que um ou outro produtor poderá ser tais trabalhos totalmente inviabilizados devido a intensidade dessas chuvas ao longo do dia, mas de um modo geral a colheita da soja irá deslanchar não só durante essa segunda-feira, mas ao longo de toda a semana, pois esse será o padrão do tempo essa semana. Chuvas apenas na forma de pancadas", explica o agrometeorologista.

Alerta Agroclimático 01.02.2016 - Figura 3

Mapa da Somar Meteorologia mostra a previsão de chuvas para 1º a 5 de fevereiro

Em Nova Mutum, os agricultores já iniciaram a colheita, porém, as chuvas dos últimos dias tornaram os trabalhos nos campos mais lentos. "Existe uma preocupação com o clima, tem época que chove muito como agora, então o cenário é complicado. Por enquanto, não registramos perdas por conta do excesso de chuvas, mas se continuar assim poderemos ter prejuízos em relação à qualidade do grão. Já a produtividade gira em torno de 30 sacas até 50 sacas de soja por hectare", ressalta o produtor rural do município, Paulo Roberto Martinazzo. Somente na última sexta-feira (29), o acumulado de chuvas na cidade chegou a 100 mm e, no mês de janeiro todo, passou de 400 mm. 

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Imagem mostra áreas de pesquisa com soja, da Fundação MT, em Nova Mutum, na última sexta-feira (29), onde o acumulado de chuvas chegou a 100 mm

A diretora da Aprosoja MT e produtora de Cláudia, Roseli Giachini, destaca que devido à ausência de chuvas, muitas propriedades ficaram até 20 dias sem chuvas, a perspectiva é de rendimento irregular. "Vamos ter lavouras com  baixa produtividade e outras com desempenho um pouco melhor. Tivemos um atraso grande no calendário de plantio e só conseguiremos dimensionar a safra quando a colheita estiver mais adiantada", afirma.

Em uma avaliação prévia da Fundação MT, a safra 2015/16 de soja de Mato Grosso vem registrando, com a ajuda de relatos de produtores locais, índices de produtividade que variam de 20 a 75 sacas por hectare nas primeiras áreas colhidas. E a preocupação agora passa a ser com as lavouras plantadas mais tarde, já que o clima segue irregular, com chuvas em forma de pancadas, podendo prejudicar seu enchimento de grão nos meses seguintes. 

Leia mais:

>> MT: Primeiras áreas colhidas de soja têm produtividade variando de 20 a 75 sacas/ha, avalia Fundação MT

E no link abaixo, confira mais informações e vídeos direto de Nova Mutum:

>> Fundação MT em Campo 2016

Previsão para os próximos 7 dias

De acordo com informações da Climatempo, áreas de instabilidade ainda irão atuar no Mato Grosso até o dia 5 de fevereiro. Com isso, algumas localidades do estado poderão receber chuvas de até 150 mm. Porém, no restante das regiões, as precipitações deverão totalizar entre 20 mm até 125 mm.

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Por: Carla Mendes e Fernanda Custódio
Fonte: Notícias Agrícolas

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