MT: Primeiras áreas colhidas de soja têm produtividade variando de 20 a 75 sacas/ha, avalia Fundação MT

Publicado em 28/01/2016 16:06
Exclusivo, direto de Nova Mutum/MT: Índices de produtividade nas primeiras áreas colhidas, variam de 20 a 25 sacas por hectare em algumas áreas, enquanto outras colhem de 70 a 75 sacas

"O Mato Grosso nunca teve um ano tão desuniforme", foi assim que o presidente da Fundação MT, Francisco Soares Neto, deu início ao evento realizado pela instituição - o Fundação MT em Campo - nesta quinta-feira (28), em uma coletiva de imprensa. A irregularidade da safra 2015/16 de soja do estado e as incertezas que essa temporada ainda reserva são os assuntos mais debatidos entre lideranças, pesquisadores e produtores rurais. 

As primeiras áreas de lavouras plantadas mais cedo já refletem com clareza essa falta de padrão, com algumas delas trazendo índices de produtividade entre 20 e 25 sacas por hectares, enquanto em outras, esse número sobe para algo entre 70 e 75 sacas. 
"Essas regiões onde o rendimento foi muito baixo serão compensadas por outras onde os números foram mais elevados", disse Neto, destacando ainda que as áreas mais afetadas foram o Norte e o Leste do estado."Devemos ter uma safra mediana", completa o presidente. 

A colheita da soja caminha lentamente no Mato Grosso e, até o último dia 21 de janeiro, estava completa em 3,7% da área semeada nesta temporada, conforme dados do Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária). Uma diferença de 3,8% em relação ao mesmo período do ano passado, no qual, a área colhida já estava em 7,5%. 

Ainda no boletim, a entidade destaca que o cenário mais delicado está em torno das regiões nordeste, médio-norte e noroeste do estado. Já o sudeste apresenta melhores condições até o momento. Cerca de 30,1% das lavouras mato-grossenses de soja estão em condições ruins e péssimas.

Sobre a região de Cláudia, a diretora da Aprosoja MT e produtora rural, Roseli Giachini, também presente no evento, destaca que os produtores estão iniciando os trabalhos nos campos. "O El Niño e a falta de chuvas acabaram afetando o plantio da oleaginosa e, consequentemente a colheita. Tivemos lavouras que ficaram até 20 dias sem chuvas. Acreditamos que teremos uma variação muito grande da produtividade e só teremos uma perspectiva melhor quando a colheita estiver avançada", afirma.

Riscos são elevados para lavouras plantadas mais tarde

E além das perdas já consolidadas no estado, pesquisadores da Fundação MT alertam ainda para os riscos que aquelas lavouras plantadas mais tarde sofrem ao serem expostas por mais tempo em uma janela de plantio que não é a mais adequada, porém, foi necessária em função das adversidades climáticas. A semedura, por conta da falta de chuvas, foi prorrogada no estado pelo Governo, até 15 de janeiro este ano. 

Segundo explicou Fabiano Siqueri, pesquisador da fundação e especialista em proteção de plantas, essa janela ficou muito extensa e há, portanto, nesse período, uma maior pressão da ferrugem asiática, por exemplo, além do aumento da incidência de pragas e doenças. "Plantio e colheita se emendaram em Mato Grosso este ano", relatou Siqueri. "A ferrugem nessas lavouras plantadas mais tarde já está bem agressiva", disse. 

E a equipe do Notícias Agrícolas chegou a Nova Mutum debaixo de muita chuva e tempo quente na tarde desta quarta-feira (27), condições ainda presentes nesta quinta (28) e que favorecem o aparecimento e a proliferação da doença. 

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Tags:
Por:
Carla Mendes e Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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1 comentário

  • geraldo emanuel prizon Coromandel - MG

    É incrível como se tem dificuldade em reconhecer a quebra da safra. Ora, em anos normais sempre existiram as áreas de 70-75 sacas por hectare, o que nunca existiram foram as áreas de 10-15-20-25 sacas por hectare como neste ano, e que correspondem a mais de 30% da área, segundo o IMEA. Assim, dizer que aquelas compensam estas últimas, me desculpem, não passa de uma grande falácia. Mato Grosso vai ter quebra sim, e das grandes.

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    • Roberto Cadore Cruz Alta - RS

      Sr. Geraldo, muito bem observado, e digo também por experiência própria que a média sempre cai do início ao fim da safra. Acho que tem muita gente interessada em convencer-nos de que faremos uma grande safra!

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