O consumidor brasileiro deve começar a sentir os efeitos da disparada nos preços das commodities agrícolas a partir de agosto, de acordo com especialistas do
mercado financeiro. Mesmo que soja e milho não entrem diretamente na cesta dos Índices de Preços ao Consumidor, fazem parte da composição de outros produtos relevantes , como óleo de soja e ração animal, o que aumenta o preço da carne e derivados do leite.
O maior impacto para o bolso do consumidor, no entanto, deve chegar apenas em setembro. O principal motivo para as altas históricas nos preços da oleaginosa e do milho é a estiagem nos Estados Unidos, que já causou perdas irrecuperáveis para as lavouras dos grãos. De acordo com o
relatório do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos),divulgado nesta sexta-feira(10), os estoques finais da safra 2011/12 dos grãos foram novamente reduzidos.
A alta nos preços das commodities agrícolas já tinha afetado cadeias produtivas como a avicultura e suinocultura, mas agora deve chegar ao varejo com mais força. Além da soja e do milho, as lavouras de trigo também estão comprometidas e a oferta está apertada, o que também coloca o produto na lista dos grãos com altos preços que serão repassados ao consumidor.
O temor de uma nova crise alimentar mundial já preocupa alguns analistas, e a ONU alertou para essa possibilidade nesta quinta-feira(09). De acordo com o alerta, caso os países restrinjam exportações para tentarem proteger seus estoques, essa ameaça pode se concretizar.