Mercado de café: NOVA IORQUE CAI E ORIGENS AJUSTAM SUAS OFERTAS (Archer)

Publicado em 09/02/2020 19:51
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Por *Rodrigo Corrêa da Costa, que escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting

Os índices acionários dos Estados Unidos voltaram às máximas, assim como as bolsas de ações subiram na Europa e recuperaram na China boa parte das perdas de 9% no primeiro pregão após o retorno deste país das festividades do ano novo lunar.

As preocupações sobre as contaminações do coronavírus e as mortes relacionadas à gripe permanecem, com medidas de prorrogação da suspensão de atividades na indústria e no comércio chinês a ponto de estar causando a falta de peças produzidas na China e exportados às montadoras de veículos Coreanas, por exemplo.

O impacto nas commodities é sentido na diminuição da disponibilidade de containers e de espaço em navios, dado o corte nas rotas por parte dos armadores, além, é claro, da queda na demanda de matérias-primas, como o petróleo.

O CRB sustentou acima das mínimas recentes, entretanto os componentes da cesta de matérias-primas continuam a maioria no vermelho, tendo o café arábica a pior performance no curto ano.

O contrato “C” está tentando estancar a queda, ainda que tenha voltado a negociar abaixo de um dólar por libra-peso, mas o Real brasileiro enfraquecendo para seu pior nível (nominal) histórico contra o dólar americano não tem permitido uma reação das cotações.

O swing nos preços do terminal, que foi a US$ 140 centavos e agora volta a US$ 98 centavo – em sua maior parte provocado pela alteração do posicionamento dos fundos – permitiu às origens venderem seus cafés a níveis que poucos imaginavam ser possível no curto prazo e agora devolve à quem precisa fixar suas compras a oportunidade de garantir suas necessárias coberturas.

O fato é que daqui para baixo a participação dos compradores naturais aumenta e os fundos, por mais que possam adicionar mais vendas às suas posições, tem de ser cautelosos para não sofrerem com uma “falta” de vendedores em uma reversão de Nova Iorque e de Londres.

Explico.

Tendo o Brasil praticamente comercializado toda a safra atual – é bom lembrar que sempre há um tanto de estoque que não vem ao mercado (ou é “renovado”) – assim como ter vendido quase um terço da colheita de 2020/21, juntamente com a Colômbia ter encerrado sua safra-principal (eles tem também uma safrinha) e Honduras ter vendido ao redor de 50% do que vai colher este ano, o volume de venda no terminal será limitado para “prover liquidez” quando da liquidação de uma eventual posição grande vendida dos especuladores.

Desta forma, uma apreciação de, digamos US$ 20 centavos das cotações pode ocorrer de uma maneira muito mais repentina e acentuada do que vimos no último trimestre de 2019.

Os diferenciais das principais origens corroboram com o argumentos, basta ver os US$ 40 centavos acima pedidos pelos Colombianos, os US$ 15 acima oferecidos pelos Hondurenhos, os US$ 6 abaixo para cafés finos Brasileiros e os US$ 150 por tonelada de prêmio do robusta Vietnamita.

Se os estoques nos destino já era atrativos antes, agora então podem valer bastante, ainda mais se ocorrer atrasos nos embarques das origens quando a indústria, em geral, trabalha no modo “just-in-time”.

Demanda não está faltando e após alguns anos de sofrimento por parte dos exportadores, hoje são poucos os que são agressivos em vender café abaixo do custo de reposição.

Tecnicamente o gráfico está negativo (embora sobrevendido), desencorajando compras e dando munição para os fundos de sistema pressionar mais para baixo os preços. Por outro lado, os fundos discricionários provavelmente estão apenas observando o mercado do lado de fora.

O cenário macroeconômico ficando menos azedo pode rapidamente devolver o apetite ao risco e conter a fuga parar o dólar americano.

Uma ótima semana e bons negócios a todos,

Rodrigo Costa*

 

Fonte:
Archer Consulting

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