Sinais negativos no mercado de café (por Rodrigo Costa, direto de NYork)

Publicado em 17/05/2020 09:38 e atualizado em 18/05/2020 08:29 761 exibições
*Rodrigo Corrêa da Costa escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting

As bolsas de ações cederam nos últimos cinco dias influenciadas pelas incertezas das respostas das economias na reabertura gradual entre os países desenvolvidos e pela elevação do tom do presidente Donald Trump na disputa comercial com a China – como se já não existisse problemas suficientes para serem resolvidos.

A concordata declarada por uma grande loja de departamento americana, que já vinha há algum tempo lutando para revitalizar seu modelo de negócios, alerta o receio de muitos, já que mesmo com uma eventual abertura total do comércio as novas regras limitarão o trafego de pessoas, sem mencionar o medo dos consumidores em se expor ao vírus que ainda não tem uma vacina ou remedido efetivo para cura-lo.

Os índices de commodities ficaram de lado, mas houve movimentos agudos entre os componentes do CRB, por exemplo, onde o petróleo subiu quase 20% e o suíno magro cedeu 14% em cinco dias.

O café caiu 4.81% em Nova Iorque e ficou virtualmente inalterado em Londres.

As exportações brasileiras em abril totalizaram 3,348,601 sacas, as de março foram revisadas para cima e tudo indica que o país vai encerrar mais um ano-safra com embarques acima de 40 milhões de sacas.

A estatística contradiz os altistas que há muito tempo acreditavam em um fluxo bem mais modesto apontando estoques baixos na principal origem.

Os dados devem forçar a revisão do tamanho das safras anteriores e/ou do estoque de passagem, mesmo que haja alguma perda do consumo doméstico por causa do COVID-19.

Falando em consumo, uma apresentação da respeitada Euromonitor divulgada nesta semana faz um prognóstico de perda do desaparecimento nos Estados Unidos em quase 3% no ano e estima uma recuperação muito lenta - algo bem negativo para as cotações.

Os estoques americanos em abril aumentaram em 494,299 sacas, segundo a Green Coffee Association. O incremento é maior do que a média de cinco e dez anos, que fira ao redor de 130 mil sacas, e não muito animador para os altistas – ainda mais se eventualmente o consumo de fato arrefecer.

Os diferenciais se mantêm barateados para os naturais, reflexo do desencaixe de oferta e demanda mencionado neste espaço no comentário anterior.

Por outro lado, os suaves não enfraquecem, pelo contrário, mas neste ponto pesa uma mudança nos padrões de consumo, mesmo que pontual.

A colheita no Brasil adiantada ajuda os produtores em um momento que o Real negocia em suas mínimas, e neste ponto os bancos e analistas já preveem uma cotação do câmbio acima dos R$ 6.00 por algum tempo.

O contrato “C” precisa respeitar os US$ 103.80 para não atrair uma nova onda de venda dos fundos.

Uma ótima semana e bons negócios a todos com muita cautela e saúde.

Rodrigo Costa*

Semana finaliza com estabilidade para o café: Mercado de olho na colheita e no clima do Brasil

A semana termina sem grandes variações para o mercado futuro do café arábica na Bolsa de Nova York (ICE Future US). Após registrar altas de mais de 100 pontos nos principais contratos nesta sexta-feira, as variações finais não ultrapassaram os 15 pontos. 

Julho/20 finaliza com 15 pontos, valendo 106,85 cents/lbp, setembro/20 com valorização de 5 pontos, valendo 108 cents/lbp, dezembro/20 com queda de 5 pontos, valendo 109,75 cents/lbp e março/21 com baixas de 10 pontos, negociados por 111,55 cents/lbp. 

"Os preços do café na sexta-feira registraram ganhos modestos, à medida que um dólar mais fraco provocou uma cobertura curta no futuro do café", destacou o site Barchart em sua análise diária. Outro fator de suporte para o café está diminuindo os estoques de café nos EUA, depois que os estoques de café monitorados pelo ICE na quarta-feira caíram para uma baixa de dois anos e meio e meio de 1,79 milhão de sacas.

Durante essa semana, as previsões de chuvas para as principais regiões produtoras do café arábica chamaram atenção no mercado. Os trabalhos de colheita começam avançar no sul de Minas Gerais e o final de semana tem previsão de chuvas com volumes significativos para a região.

Apesar das previsões, a Cooxupé acredita que as chuvas não devem interferir na colheita. Importante lembrar que os estoques nas principais regiões produtoras do país estão praticamente zerados no Brasil e o mercado aguarda a entrada da nova safra. 

>>> Seca no Paraná também atinge o café: Grãos serão menores, mas podem compensar na qualidade

Segundo o Conselho Nacional do Café, No mercado físico, o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) aponta que os valores do café avançaram recentemente, contudo, a liquidez permanece limitada, já que produtores, principalmente de arábica, estão focados nos trabalhos de colheita. 

Nesta sexta-feira (15), as principais regiões produtoras do país finalizaram com valorização. 

O tipo 6 duro teve alta de 0,82% em Guaxupé/MG, valendo R$ 612,00. Poços de Caldas/MG teve aumento de 1,68%, valendo R$ 605,00. Espírito Santo do Pinhal/SP teve a alta mais expressiva, de 6,67% e com preços valendo R$ 640,00. Patrocínio/MG manteve o valor de R$ 600,00 e Araguarí/MG também não registrou variações, sendo negociado por R$ 620,00.

O tipo 4/5 teve alta de 1,65% em Poços de Caldas/MG, valendo R$ 615,00. Varginha/MG manteve a estabilidade por R$ 610,00 e Franca/SP também não registrou variações, sendo negociado por R$ 620,00.

O tipo cereja descascado teve alta de 0,77% em Guaxupé/MG, valendo R$ 655,00. Poços de Caldas/MG registrou baixa de 1,47%, negociado por R$ 670,00. Patrocínio/MG manteve a estabilidade por R$ 650,00 e Varginha/MG também não registrou variações, valendo R$ 630,00.

>>> Veja mais cotações aqui

Funcafé: Governo sinaliza liberação antecipada e descontingenciamento de 2019

Através de ofício, o Mapa confirmouao CNC que os recursos do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) para a safra 2020 serão liberados de forma antecipada, agora no final de maio.

“Isso permitirá que os produtores, mediante a intensificação da colheita, contem com o capital do Fundo para honrar seus compromissos com a folha semanal de trabalhadores e também não precisem vender seu café de imediato, podendo analisar os momentos mais oportunos do mercado para garantir renda”, comemora o presidente do CNC, Silas Brasileiro.
Para a safra 2020, o Funcafé dispõe de orçamento recorde de R$ 5,710 bilhões. Desse total, $ 1,6 bilhão é destinado à linha de financiamento de Custeio; R$ 2,3 bilhões para Estocagem; R$ 1,15 bilhão para Aquisição de Café (FAC); R$ 650 milhões para Capital de Giro; e R$ 10 milhões para Recuperação de Cafezais Danificados.

DESCONTINGENCIAMENTO

Na quarta-feira, 13 de maio, foi publicada, no Diário Oficial da União, a Portaria 11.899 do Ministério da Economia, que desbloqueia o superávit do Funcafé 2019, viabilizando fluxo de caixa para a concessão de financiamentos à cafeicultura.
De acordo com o presidente do CNC, o desbloqueio desses recursos foi um dos motivos para que o Conselho tenha trabalhado com muita intensidade para ressalvar o Funcafé na PEC 187 (confira aqui http://www.cncafe.com.br/site/interna.php?id=15491).

“Isso porque, se não tivéssemos conseguido retirar o Fundo da Proposta, a utilização desse superávit financeiro seria para a amortização da dívida pública do Governo Federal, ao invés de viabilizar fluxo de caixa para a concessão de financiamentos à cafeicultura”, conclui Brasileiro.

 

Fonte:
Archer Consulting/CNC

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