Café: Bases oferecidas no mercado físico brasileiro dificulta o fechamento de negócios

Publicado em 02/02/2018 19:11
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Os contratos de café na bolsa de Nova Iorque fecharam em baixa todos os dias esta semana, se contrapondo à alta praticamente diária da cotação do dólar frente ao real. O dólar subiu no mercado internacional com a expectativa de alta dos juros americanos no decorrer de 2018. Hoje o dólar subiu mais forte e superou R$ 3,21 com a divulgação de dados econômicos e de geração de empregos acima do previsto nos EUA. A taxa de desemprego nos Estados Unidos está agora em 4,1%.

O mercado físico brasileiro é comprador, mas trabalha com dificuldades. As bases oferecidas continuam afastando boa parte dos vendedores e dificultando o fechamento de negócios em um volume maior. Diariamente saem negócios com lotes de produtores que precisam de “caixa” para cumprir compromissos próximos e não podem mais aguardar preços melhores. O volume de negócios fechados esta semana foi um pouco maior que na semana anterior. Nos preços praticados atualmente os compradores não conseguem comprar todos os lotes que precisam para fazer seus embarques.

A industrialização de café continua se concentrando em todos os grandes mercados consumidores do mundo. Esta semana, o grupo de produtos de consumo JAB Holding formalizou a compra, por US$ 18,7 bilhões em dinheiro, do Dr Pepper Snapple, que será fundido com sua divisão de café Keurig Green Mountain. O negócio constitui a maior aquisição de uma empresa de bebidas não alcoólicas.

A JAB, um veículo de investimentos sediado em Luxemburgo que gerencia a fortuna da família alemã Reimann, tem absorvido agressivamente varejistas de produtos de consumo americanas ligadas a café nós últimos anos, como a Keurig, Panera Bread, Krispy Kreme e Peet`s Coffee. A aquisição da Dr Pepper Snapple criará uma gigante americana das bebidas, com faturamento anual de pouco menos de US$ 11 bilhões (fonte: Valor Econômico).

Segundo informações que circulam na imprensa internacional, parte dos recursos necessários para as grandes aquisições que têm ocorrido no mercado internacional de café é conseguido com o alongamento, sem precedentes, nas condições de pagamento das compras de café verde (commodity) pelos grandes conglomerados que dominam a indústria de torrefação. À medida que a indústria de café se concentra, os comerciantes (traders) são pressionados a dar prazos mais longos para o pagamento do café verde. Somente os maiores comerciantes são capazes de fornecer prazos tão longos (até 300 dias) para os conglomerados. Esse movimento de concentração das indústrias acabará se replicando no lado do comércio, com uma maior concentração de comerciantes (traders) de café verde (fonte: Buy Now, Pay Later, Helps JAB Billionaires Build Beverage Empire – www.bloomberg.com)

No Brasil, segundo maior consumidor de café do mundo, e maior mercado comprador de cafés do Brasil, aproximadamente 50% da industrialização de café já está concentrada em três grandes grupos.

Até dia 31, os embarques de janeiro estavam em 2.015.371 sacas de café arábica, 7.330 sacas de café conilon, mais 125.381 sacas de café solúvel, totalizando 2.148.082 sacas embarcadas, contra 2.573.937 sacas no mesmo dia de dezembro. Até o mesmo dia 31, os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em janeiro totalizavam 2.760.711 sacas, contra 2.888.654 sacas no mesmo dia do mês anterior.

A bolsa de Nova Iorque – ICE, do fechamento do dia 26, sexta-feira, até o fechamento de hoje, sexta-feira, dia 2, caiu nos contratos para entrega em março próximo 475 pontos ou US$ 6,28 (R$ 20,18) por saca. Em reais, as cotações para entrega em março próximo na ICE fecharam no dia 26 a R$ 520,65 por saca, e hoje dia 2, a R$ 511,58 por saca. Hoje, sexta-feira, nos contratos para entrega em março a bolsa de Nova Iorque fechou com baixa de 100 pontos.

Fonte: Escritório Carvalhaes

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