Fala Produtor - Mensagem

  • Angelo Miquelão Filho Apucarana - PR 09/04/2009 00:00

    João Batista, jamais vou conseguir entender a matemática dos muitos produtores de nosso Brasil! Colhemos aqui na região de Apucarana (PR), em média 226 sacas de milho por alqueire. Milho que foi plantado e conduzido para produzir para mais de 450 sacas, pois os investimentos em adubação e tratos culturais ultrapassam em mais de 303 sacas o alqueire, isso porque os insumos foram comprados a preço de ouro (tomei por base, na época, um preço médio de 16 reais a saca). Todos diziam; "você está ficando louco! Vamos vender o milho a mais de 20 reais, e se fizermos as contas assim teremos que parar de plantar". Pois bem, queria eu ter errado ou ainda que minha conta estivesse errada, mas não está! Ao preço de mercado aqui praticado, algo em torno de 16,50 a saca, eu precisaria ter colhido no minimo 380 sacas para conseguir empatar, ou seja cobrir custos de insumos, plantio, condução, colheita e frete. Alguém vai dizer: "Mas isso não podemos contar, afinal temos trator, colheitadeira e caminhão, é tudo nosso mesmo"! Será que quando essas maquinas estiverem caindo aos pedaços alguém vai nos dar outra novinha e de graça? Claro que não! Será que alguém vai ter dó e vai plantar, cuidar, colher e puxar nossa produçao sem cobrar pelo serviço? Evidentemente que não! Por isso é que defendo uma conscientização e reflexão sobre o assunto. Um computador custa em média 1.200 reais! Compre um, façam uma planilha no excel, e vejam o que você está colhendo, certamente vai concordar com minha opinião! É evidente que isso por si só não vai resolver todos os nossos problemas, mas vai nos dar uma luz e permitir que tomemos atitudes e decisões mais acertadas e menos apaixonadas. Precisamos ser mais gerentes, perder um dia em frente a um PC e montar uma boa planilha de custos, levando em conta todos os gastos e riscos. Não adianta apenas produzir, temos que ter lucratividade liquida e não bruta e sem controle. Aposto que se os plantadores de milho safrinha fizessem as contas, jamais plantariam esse entrave para nós mesmos. Produzir o nescessário é importante e preciso. Produzir excessos é no minimo falta de contabilidade e conhecimento do mercado. O fortalecimento do setor passa pelo enfrentamento e conhecimento das verdadeiras condições e possibilidades do setor mais importante do Pais. Enquanto impera a nossa desorganização e a ignorância contábil, o governo e os atravessadores agradecem muito pela nossa incompetencia administrava e estratégica, perante o mercado e o mundo.

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