De novo, não!

Publicado em 17/02/2012 13:23 e atualizado em 17/02/2012 14:03
Por Lygia Pimentel, médica veterinária, pecuarista e especialista em commodities.
Olha, essas últimas semanas têm sido difíceis, como são todas as outras em que o boi engata 
uma ré. Análise do Rogério Goulart da Carta Pecuária nos mostrou que esta é a quarta semana 
consecutiva de queda para o preço da arroba. (Para quem quiser conferir, segue o link: 

Essa análise deixa claro que, estatisticamente, fica difícil pensar em mais queda. Ou seja, este 
pode não ser o fundo do poço, mas também não me parece ser uma boa hora para vender os 
animais, se é que você me entende. 

Bom, neste momento estou observando alguns fatores pra tentar enxergar até onde pode ir o 
movimento. Reconheço que estou um pouco preocupada. 

Primeiro, vamos ao aspecto técnico da questão. Observe este gráfico: 

Clique aqui para ampliar!

Eu sei, eu sei. Tem muita gente que não acredita na análise gráfica, que faz piada e diz que isso 
não serve pra nada, mas peço apenas uma chance de mostrar como os movimentos técnicos 
podem nos ajudar a levantar alguns alertas. 

Em primeiro lugar, essas linhas traçadas no gráfico da arroba do boi gordo são um estudo que 
chamamos de Fibonacci. Esse grande cara, o Leonardo Fibonacci, era uma pessoa realmente 
inteligente. Claro, tinha que ser italiano! 

Piadinhas a parte, ele descobriu que tudo nessa vida se movimenta dentro de um determinado 
padrão. As ondas do mar, as vibrações sonoras, os índices financeiros e até mesmo os preços 
do boi gordo.  

A partir disso, pegamos o movimento mais representativo do boi gordo nos últimos tempos, 
que foi a queda ocorrida entre novembro de 2010 e junho de 2011, e traçamos o estudo de 
Fibonacci. É assim que se faz. São as linhas contínuas vermelhas do gráfico acima, observe que 
elas estão posicionadas entre o valor mais alto e o mais baixo desse movimento importante. 
A partir desse range, o que interessa é o que esse movimento projetará, traduzido por linhas 
tracejadas azuis. Percebam que o Fibonacci estabelece suportes e resistências que o mercado 
respeita mais cedo ou mais tarde. 

Isso ocorreu em novembro de 2011, quando o boi atingiu seu pico da entressafra nos 
R$109,00/@. Aqueles mesmos R$109,00 representavam o padrão estabelecido pelo Fibonacci 
a partir do movimento que se localiza entre as linhas contínuas. 

E agora, o Fibonacci nos sugere algo. Neste exato momento, o boi gordo testa a mínima 
registrada em junho do ano passado, exatamente o fundo da safra de 2011. Preocupante. É 
um suporte importante. Se perdido, poderá levar a arroba aos R$90,00. O Índice de Força 
Relativa (IFR) também está representado no gráfico. Ele reflete a força do movimento 
conforme anda a carruagem. 

O IFR pode ir de 0 a 100. Neste momento, estamos nos aproximando do fundo, ou seja, o IFR 
tem força 17. Normalmente, ele não fica ali por um período longo, mas ao mesmo tempo, 
ninguém consegue estabelecer um limite. Em todo caso, uma coisa é certa: ele costuma durar 
mais esticado em movimentos de alta do que em movimentos de baixa, o que fica bem claro 
no gráfico que colocamos acima. 

Em outras palavras, ele apenas encosta nos patamares mais baixos, mas nos patamares mais 
altos, ele chega a colar por mais tempo. 

Agora sairei do âmbito técnico e entrarei na questão fundamental. Uma coisa que me 
preocupa um pouco mais. Vocês têm observado as escalas de abate ultimamente? Estou 
sempre de olho nelas. É o meu tira-teima para cada análise que faço. Todas elas consideram, 
invariavelmente, as escalas de abate.  

Em São Paulo, a média das escalas vem diminuindo desde setembro de 2011, quando as 
programações chegaram a seu patamar mais alto desde outubro de 2009. É claro, em plena 
entressafra, a concentração de venda de animais confinados estava dando folga para o pessoal 
dos frigoríficos.  

Eles não são bobos nem nada, aproveitaram pra fazer o máximo de escala bem rápido, antes 
que os preços começassem a subir e – diga-se de passagem – foi exatamente o que aconteceu.  
Agora, essa linha mais suave e vermelha que coloquei no gráfico indica que nos aproximamos 
do patamar em que as escalas não estão tão longas, mas são o suficiente pra deixar emplacar 
uma pressão baixista.  

Clique aqui para ampliar!

Esse gráfico não possui o comportamento das escalas nas outras praças, mas preparei uma 
tabela interessante pra acompanharmos. 

tabela lygia

Ela mostra que o pessoal dos frigoríficos está abatendo mais hoje em comparação com o 
mesmo período do ano passado. Em outras palavras, as escalas estão mais longas em 2012. 
Gente, tem mais boi ofertado hoje. É visível em todas as praças. Mesmo sem olhar a tabela, 
sabemos pelas conversas que não está difícil encontrar bois magros para comprar. É claro, isso 
é um reflexo do péssimo regime de chuvas que temos vivenciado em algumas regiões 
importantes para a pecuária, como no Mato Grosso do Sul, por exemplo.  

Mesmo que a média de duração das escalas esteja caindo, temos que considerar que aquele 
era um período em que o frigorífico precisava aproveitar a oportunidade e escalar o que aparecesse. E tinha, sim, uma grande concentração de animais de cocho. E quem confina, sabe: o boi de cocho não espera preço melhor. Se esperar, vira prejuízo. 

figura 1

Respondam pra mim se isso é época de vermos um mapa como esse!  

Mas não é só isso. Não dá pra esquecer que retivemos fêmeas desde 2006 e que aqueles 
bezerros têm que aparecer uma hora ou outra. Portanto, acredito que temos aí dois fatores 
combinados levando a uma oferta maior de animais – e refletindo sobre as escalas de abate. 

Por sorte, o consumo interno tem segurado muito bem o baque, mas tem horas que o 
movimento fica exagerado, vai além do que a gente acha que deveria ir por causa de uma 
oferta maior. 

E agora, hein? 

Agora entraremos na segunda quinzena do mês, nada bom para o consumo. Mas tenho um 
palpite para 2012: estamos todos pessimistas. E você sabe o que acontece quando todo 
mundo senta do mesmo lado da canoa, não é? 

Bom, pra finalizar, vou fofocar um pouco. A minha semana foi agitada. Estive em São Paulo 
para prestigiar o 1º Workshop BeefPoint e foi muito bom. Lá conheci muita gente legal, 
encontrei alguns amigos do mercado e, pra melhorar, ganhei do pessoal do Novilho 
Precoce/MS uma picanha maravilhosa. Vou experimentar no carnaval e depois conto as 
minhas impressões pra vocês, pra passar um pouco de inveja pra quem gosta de carne de 
qualidade. 
carne

Abração e até a semana que vem! 
... 
Ah, só mais uma observação. Não quero adiantar nada nem queimar largada, mas sou uma 
pessoa ansiosa. Depois do carnaval possivelmente teremos uma surpresa muito legal aqui na 
coluna. Aguardem! 

Abraços de novo. 

Twitter: twitter/lygiapimentel 
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Fonte:
Lygia Pimentel

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