DA REDAÇÃO: Sucroenergético - Em crise, setor tem preços em queda, alta tributação e safra atingida por chuvas

Sucroenergético: Indústria recebe 11% a menos de cana moída este ano e preços devem permanecer estáveis, apesar de recentes quedas no mercado internacional devido à maior produção mundial. Crise dura desde 2008 e ausência de política agrícola tira competitividade do produtor e do etanol brasileiro.
Publicado em 13/06/2012 11:26 | Atualizado em 13/06/2012 15:18
Com chuvas em plena fase de maturação dos canaviais, usinas recebem 11% a menos de matéria prima em relação a 2011. Menor repasse de cana moída acontece também devido ao atraso no plantio da cultura este ano. As precipitações incomuns para o período também diminuem o ATR (Açúcar Total Recuperável) da cana, prejudicando produtores e o rendimento industrial da usina na fabricação de açúcar e etanol.    

Nos portos, as filas de espera somam até 60 navios devido ao atraso na colheita, pressionando cotações nos preços do mercado internacional. No entanto, preços podem melhorar com fim das chuvas e retorno da colheita e moagem.

Setor trabalha com preço mínimo de US$0,20 por libra-peso, sendo que hoje a cotação média do açúcar no mercado internacional é de US$0,2036 na bolsa de NY. Portanto, segundo o presidente da G7 Agrocommodities, João Baggio, “2012 é um ano de muito cuidado e cautela, é necessário otimizar produção e reduzir custos, pois setor já vem em crise com relação ao etanol e o que dava sustentação eram os preços do açúcar e como reduziram esse ano a situação fica complicada”, afirma.

Oferta de açúcar mundial também pressiona cotações. A Tailândia terá uma ótima safra de açúcar e poderá exportar seu produto. A Rússia vem com uma boa produção de beterraba. A Índia também tem uma safra boa, com excedente da produção e incertezas na economia européia.

De acordo com Baggio, o setor passa por grave crise desde 2008, sem renovações de canaviais. “Há um estudo que o álcool seria competitivo em todos os estados brasileiros se não houvesse tributação de 37%. Hoje, ele é competitivo somente em SP, PR e MG, pois possuem unidades produtoras. Há necessidade urgente de política agrícola de longo prazo para o setor”, conclui.

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