DA REDAÇÃO: Novos números do USDA podem estimular preços mais altos para os grãos

Grãos: Dados divulgados pelo USDA nesta sexta-feira(10) indicam grande tendência altista. Queda na produção de milho é de mais de 100 milhões de toneladas,e estoques finais vão cair para 16,5 milhões.
Publicado em 10/08/2012 13:51 | Atualizado em 10/08/2012 16:49
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou na manhã desta sexta-feira (10) o relatório de oferta e demanda. O órgão reduziu suas estimativas para a produção, estoques e produtividade para a soja e também para o milho. Só na produção do cereal houve uma queda na ordem de 101,9 milhões de toneladas, o que resultou em uma projeção de uma safra de 273 milhões de toneladas. 

Para o consultor de mercado da Consultoria Agroeconômica, Carlos Cogo, essa situação terá um reflexo muito grande a médio e longo prazo, os estoques finais em 2013 irão cair para níveis expressivamente baixos, cerca de 16,5 milhões de toneladas e as exportações terão que ser reduzidas nos Estados Unidos.

Essa queda prevista na exportação norte-americana, de 40,6 milhões de toneladas para 33 milhões, poderá beneficiar países como Argentina e Brasil, que são o segundo e o terceiro maiores exportadores mundiais de milho, respectivamente. No entanto, o consultor explica que a Argentina vem de uma safra ruim e a área de plantio do milho irá diminuir em 2013.

Em decorrência desse cenário, Cogo sinaliza que o Brasil terá um grande espaço de exportação de milho em 2012, que deve chegar a 15 milhões de toneladas, volume que em 2013 pode ultrapassar 20 milhões de toneladas. “O país pode se tornar o segundo maior exportador mundial do cereal”, afirmou.  Com isso, as cotações do milho no mercado brasileiro podem chegar a R$ 40,00 a saca.

Além disso, o USDA aponta que também houve uma redução na destinação de cereal para a produção de etanol nos Estados Unidos de cerca de 7%. Porém, o mercado norte-americano de etanol reduziu apenas 3%, o que, segundo Cogo, mostra que o dado apresentado neste último boletim não estaria em acordo com a real situação.

No caso da soja, a demanda de biocombustível não é tão expressiva e a queda de 14 milhões de toneladas e uma produção de 73,3 milhões de toneladas está de acordo com o que o mercado projetava. “Mas, o aperto ficou muito grande, os estoques finais são projetados em 3,1 milhões de toneladas, o que é muito baixo. Então, há uma franca tendência altista, e as cotações do milho podem se recuperar”, explica o consultor. 

Devido a essa situação, a tendência a curto prazo para a oleaginosa e para o milho é altista. E poderá se estender para a cultura de trigo, que pode sofrer uma pressão maior para ser usado nas rações, em função da grande quebra na produção de milho nos Estados Unidos.

Cogo afirma que a saca de 60 kg de trigo pode ultrapassar R$ 30,00 no mercado brasileiro. “Podemos chegar a R$ 33,00, por conta da quebra na safra da Rússia, e uma redução da produção na Argentina, com isso os estoques mundiais irão cair. O Leste Europeu colhe uma safra menor, os excedentes de trigo no mundo são menores e o principal abastecedor não tem o trigo que o Brasil precisa”, enfatizou.

Ainda de acordo com o consultor, o mercado já precificou bastante a quebra e as cotações da oleaginosa têm fôlego para alcançar US$ 20 por bushel no contrato mais curto e o milho pode alcançar US$ 10 por bushel, por conta dessa oferta norte-americana apertada.

“Está aberto espaço para preços mais altos, está aberto o caminho para uma alta de US$ 1 dólar por bushel para cada um dos grãos e pode chegar a US$ 2 dólares por bushel, caso o mercado entenda que os números possam ser mais severos do que os divulgados no relatório”, disse Cogo.

O consultor ainda orienta os produtores brasileiros que não tiverem comercializado a safra 2012/2013 a aproveitar os próximos dias para travar preços. Cogo frisa que no Brasil cerca de 45% da próxima safra já está negociada.
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