DA REDAÇÃO: Soja registra altas em Chicago nesta sexta-feira (28)

Grãos: Altas registradas em Chicago não significam tendência. Números do USDA apontam estoques acima do esperado para soja e abaixo para o milho. Cotações do cereal puxaram as dos outros grãos para o positivo. Expectativas de aumento no rendimento dos grãos geram indefinição a médio prazo.
Publicado em 28/09/2012 13:43 | Atualizado em 28/09/2012 14:57
Nesta sexta-feira (28) os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago operam com alta de mais de vinte pontos nos principais vencimentos. Os contratos de março e maio/2013 trabalham com ganhos de 30,25 e 30,50, respectivamente.

De acordo com o operador de mesa, Liones Severo, essa alta registrada hoje não significa tendência, mas sim uma alta pontual. E no mês de outubro o mercado pode apresentar novas quedas. O operador também sinaliza que é necessário considerar a situação econômica Europeia, visto que o continente consome muito farelo de soja da América do Sul.

“O hemisfério sul exporta cerca de 30 milhões de toneladas, e agora com a crise a Europa tem dificuldades para pagar os preços atuais, pode ser que tenha realmente um prejuízo nas cotações logo a seguir”, explicou Severo.

Além disso, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou os números de estoques dos grãos hoje. Os números apontaram que os estoques da oleaginosa estão acima do esperado e para o cereal abaixo. 

“E partir do relatório do outubro, tem uma expectativa de um aumento de área e rendimento tanto no milho como para a soja, então ainda há uma indefinição. Mas certamente houve uma corrida hoje para a cobertura do milho e isso carregou as demais commodities”, afirmou Liones.

As três commodities, milho, trigo e soja, concorrem então quando uma tem um ganho exponencial, naturalmente as demais acompanham. Ainda segundo o operador, não há uma tendência de baixas, uma vez que o mercado recende de grandes quebras e a produção atual não atende a demanda e isso fortalece os preços.

O principal fator de suporte de mercado é exatamente o estoque em relação à demanda, e se os estoques são muito diminuídos como é o caso, tanto no milho como na soja, certamente o mercado não deve apresentar movimentos de baixa, conforme falou Liones.

“Penso que US$ 14,50 US$ 14,00 é um número razoável pelo lado da baixa e US$ 15,00, US$ 15,50 pelo lado de alta, na história não houve nenhum acontecimento que a seguir os maiores preços verificados são em 4 de setembro, aparentemente são os mais altos do ano”, argumentou o operador.

Já em relação às adversidades climáticas registradas no sul do Brasil, Liones diz que as lavouras mais prejudicadas foram as de milho, que ainda não podem ser quantificadas, mas há prejuízos. E para replantar o milho a janela é muito pequena, então provavelmente irão substituir por soja.

“Temos que analisar qual será o desempenho da demanda para o produto americano para os três primeiros meses e em seguida podemos contar com mais volatilidade com relação à safra sulamericana”, finalizou o operador.

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