DA REDAÇÃO: Estiagem e custos favorecem nova alta no leite ao produtor
Pesquisadores do Cepea indicam que essa terceira alta consecutiva é consequência da oferta reduzida de leite, dada a estiagem prolongada em várias regiões do Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, e da finalização da safra sulista. Além disso, os custos de produção de leite estão quase 20% mais elevados que no mesmo período de 2011 (dados de setembro). O encarecimento da alimentação concentrada é o item que mais pesa, limitando, inclusive, investimentos dos produtores.
Em setembro, o Índice de Captação de Leite (ICAP-Leite/CEPEA) registrou queda de 0,5% em relação a agosto. As variações foram relativamente pequenas nos sete estados da pesquisa. A queda mais expressiva, em torno de 2%, foi verificada em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul; em Goiás, a diminuição foi de 1,8%. Em Minas Gerais e no Paraná, o índice ficou praticamente estável. Em São Paulo, houve aumento em torno de 2%. Em relação a setembro de 2011, o índice esteve 1,3% superior. Considerando-se acumulado em doze meses, houve aumento de 2% frente aos 12 meses anteriores.
A menor oferta de leite tem elevado os preços também no mercado atacadista. De acordo com dados do Cepea, no atacado do estado de São Paulo, o preço médio do leite UHT em outubro (apurado até o dia 30) teve aumento de 3,1% frente ao mês anterior, com média de R$ 1,89/litro. O valor é praticamente estável se comparado a outubro/11. No caso do queijo muçarela, houve alta de 3,5% no período, com média de R$ 11,13/kg. Em relação a outubro/11, entretanto, registra-se queda de 2,7% em termos nominais. A pesquisa é feita diariamente com laticínios e atacadistas e tem o apoio financeiro da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e da Confederação Brasileira de Cooperativas de Laticínios (CBCL).
Nesse cenário, a maior parte dos agentes de mercado consultados pelo Cepea espera que os preços do leite tenham estabilidade ou alta para o próximo pagamento. Para novembro (referente à produção entregue em outubro), 54% dos compradores de leite entrevistados (que representam 33% do volume amostrado) acreditam em estabilidade de preços. Para 44% dos laticínios/cooperativas (que respondem por 64% do volume de leite da amostra) deve haver alta de preços, e apenas 2% dos entrevistados, que representam 3% do volume amostrado, acreditam em queda de preços.
AO PRODUTOR – A maior alta de preços foi novamente observada no estado de Goiás, de 3,7%. A média foi para R$ 0,8572/litro (valor líquido), a maior entre os estados pesquisados que compõem a média “nacional”. Em Minas Gerais, houve ligeiro aumento de 0,3%, com média de R$ 0,8233/litro. No estado de São Paulo, o preço médio aumentou 0,9%, com o litro a R$ 0,8422.
No Espírito Santo, o preço médio líquido foi de R$ 0,8005/litro em outubro, alta de 2,8% frente a setembro. No Rio de Janeiro, houve aumento de 4,9%, com média de R$ 0,8868/litro. Em Mato Grosso do Sul, houve ligeira queda de 0,3%, com média de R$ 0,7092/litro.
No Rio Grande do Sul, a alta foi de 0,9%, com o litro a R$ 0,7457. Em Santa Catarina, com o acréscimo de 1,6%, a média foi para R$ 0,7887/litro. No estado paranaense, houve alta de 1,9%, com média de R$ 0,7859/litro.
Na Bahia, o preço médio foi de R$ 0,8053/litro, aumento de 1,5% frente ao mês anterior. No Ceará, a alta foi de 3%, com média de R$ 0,8519/litro.
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