Boi: Abate de fêmeas é o maior dos últimos seis anos e pode reduzir oferta de bezerros

Publicado em 29/01/2013 09:23
Entre janeiro e setembro de 2012 a participação das fêmeas nos abates bovinos chegou a 43,2%, maior volume desde 2006, quando no mesmo período o abate de fêmeas foi de 44,6%. O aumento no volume de matrizes que foram para o gancho no ano passado pode, em médio prazo, reduzir a oferta de bezerros no mercado pecuário. Segundo o analista de mercado da Cross Investimentos, Caio Junqueira, uma redução na oferta de bezerros com impacto no mercado poderá ser sentida ainda este ano, mas com maior projeção em 2014 e 2015. Atualmente, os preços de um bezerro macho de 12 meses com 7 arrobas têm oscilado entre R$720 e R$760 em praças como Goiás e Mato Grosso do Sul, respectivamente. Em 2011, a média ficou em R$710 (GO) e R$735 (MS). Já em 2010 os preços médios em janeiro foram de R$633 (MS) e R$645 (GO), segundo informações da Scot Consultoria. 

A consultora de mercado da Agrifatto, Lygia Pimentel, afirmou que “considerando que o abate de fêmeas começou a acelerar já há dois anos, podemos esperar mais 1 ou 2 anos, no máximo, para que o mercado mostre novamente sinais de falta de oferta, com o bezerro incluído nisso e, inclusive, dando ele os primeiros sinais de que o mercado virou para cima”, garante. No entanto, Lygia lembra que ainda há boa oferta de bezerros em decorrência das fêmeas mantidas no plantel entre 2006 e 2010.

Entre as causas do aumento no abate de matrizes estão os custos elevados de produção em 2012, devido à quebra na produção de grãos nos EUA que levaram insumos como soja e milho a preços recordes, a descapitalização do produtor e a transferência de áreas da pecuária para a agricultura. “Esse ano (2012) foi praticamente de transição. A gente teve uma oferta melhor do que em 2011 e em função disso o mercado patinou, mas por outro lado não tivemos preços muito deprimidos. Foi um ano de preços estáveis. O patamar de resistência foi em torno de R$92”, explica Alcides Torres, consultor de mercado da Scot Consultoria.

Para Lygia, outros fatores que contribuíram para a aceleração no abate de fêmeas foram o valor da categoria ter se aproximado do valor do macho, além do clima adverso, que aumenta a taxa de repetição de cio.

André Locateli, gerente executivo da Associação dos Criadores de Nelore (ACNB), alerta que apesar do aumento no número de abates de fêmeas, são poucas as informações sobre os perfis desses animais. “Bastante gente tem produzido fêmeas para abate, que em alguns casos dão resultados de engorda melhores que os machos”, lembra.

Mato Grosso

Em Mato Grosso, estado com o maior rebanho de gado, os abates de fêmeas em 2012 chegaram a 46% do volume total. Em 2011, a participação das fêmeas foi de 44% e, em 2010, 34%.  Como consequência, o rebanho bovino em MT diminuiu 2%, saindo dos 29,1 milhões de cabeças para 28,6 milhões de cabeças, segundo levantamento do Instituto de Defesa Agropecuária do Estado do Mato Grosso (Indea-MT).

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