DA REDAÇÃO: Milho safrinha: Perdas são consolidadas e a produção não deve ultrapassar 40 milhões de toneladas
“A produtividade deve cair cerca de 30% a 40% em relação ao ano passado, e a grande safra que se esperava já está comprometida. A projeção inicial de 45 milhões de toneladas já está distante de ocorrer. A safra deve ficar menor do que 40 milhões de toneladas com o produtor tendo produtividade mais baixa e cotações menores do que as registradas em 2012, colocando a lucratividade em risco nessa safra”, afirma o consultor.
As condições climáticas desfavoráveis deverão impactar o mercado a médio e longo prazo, conforme destaca Brandalizze. E caso não haja precipitações nos próximos dias, a situação das plantações poderá se agravar, e a colheita do milho ficará concentrada no final de maio e início de junho.
“Vamos ter uma grande oferta do cereal, nas próximas 7 ou 8 semanas, mesmo com perdas na produtividade vai ter muito milho ofertado, uma vez que grande parte da safrinha não foi comercializada. E os produtores terão que vender o grão para quitar as dívidas, o que é uma fator negativo para o mercado interno”, alerta o consultor.
O setor precisará do mercado interno comprador para se desfazer de parte da produção e não forçar, ainda mais, as cotações internas, acredita o consultor. No entanto, ainda há os problemas logísticos e a falta de armazéns, variáveis negativas para o mercado. Frente a esse cenário, os negócios para embarque de milho entre os meses de julho a setembro seguem em ritmo lento. Os preços praticados são menores dos que os custos de produção e estão abaixo do que os produtores esperam vender, conforme explica Brandalizze.
Na tentativa de amenizar a situação, há uma comitiva do Brasil na China tentando negociar espaço para o milho brasileiro no mercado chinês. A nação asiática enfrenta uma severa estiagem que está comprometendo as lavouras do país. “Existe uma necessidade crescente de importação de grãos para este ano, e indicativos apontam que os chineses já compraram muito milho nos EUA, e vão comprar novos volumes em outros mercados. Se confirmada, essa situação, essa negociação facilitaria para o produtor e o mercado brasileiro desovar parte dessa produção a partir de julho e agosto quando os portos estarão mais tranquilos”, diz.
Já em relação ao trigo, o consultor destaca que o mercado do Brasil é importador, e precisará comprar mais de 6 milhões de toneladas ainda este ano. Porém, a Argentina tem um total de 3,5 milhões de toneladas destinadas à exportação, e o país terá que comprar o produto de outros destinos.
“O trigo importado não chegará barato aqui no mercado brasileiro, mesmo com a retirada das tarifas de importação de países de fora do MERCOSUL pelo Governo, o trigo em principio continua sendo uma boa alternativa para os produtores no médio e longo prazo, as cotações de R$ 600,00 e R$ 750,00 a tonelada nas regiões produtoras não mostram sinais de retração, porque o trigo importado vai chegar acima desses valores no país”, relata Brandalizze.
Ainda de acordo com o consultor, na soja os produtores estão saindo da fase de colheita e entrando na fase de entressafra. Então, o mercado irá se tornar regionalizado com pressão de alta nas regiões produtoras, uma vez que os produtores não querem comercializar e talvez o mercado interno não acompanhe as movimentações na Bolsa de Chicago, que é um mercado de baixa nesse início de semana, finaliza o consultor.
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