Falta de soja estimula mercado e soja fecha com boas altas na CBOT
A falta de soja disponível nos Estados Unidos tem estimulado um expressivo avanço das cotações na Bolsa de Chicago, além da firmeza vista no mercado físico norte-americano. Na sessão desta segunda-feira (20), os vencimentos mais próximos foram ampliando seus ganhos e o contrato julho encerrou o dia próximo do seu melhor preço em 10 meses.
Nos EUA, a falta de produto já faz com que os produtores tenham que disputar o volume disponível, o que tem gerado prêmios historicamente altos em muitos portos norte-americanos - chegando, em alguns lugares, a US$ 1,50 sobre o preço de Chicago - além da demanda mundial dos importadores que também permanece bastante ativa.
Na última semana, o contrato julho subiu 50 cents nas negociações feitas em Chicago. No pregão desta segunda, a posição fechou o dia valendo US$ 14,64, com alta de 16 pontos. O vencimento agosto fechou o dia cotado a US$ 13,91, se aproximando do patamar dos US$ 14/bushel, subindo 12,50 pontos.
Não só a falta de soja em grão, mas também a de farelo tem estimulado as altas em Chicago. Os preços do derivado também sobem com muita força nos Estados Unidos, movimento que estimula e favorece as altas do grão. Atualmente, o preço do farelo já está US$ 10 acima do valor médio de mercado, podendo chegar a US$ 460 por tonelada, o equivalente a US$ 15,60 o bushel da soja grão na CBOT.
"Nos Estados Unidos, a soja está sendo disputada e ainda é preciso abastecer o mercado interno, que também está precisanodo de soja", diz Liones Severo, consultor de mercado do SIMConsult. "A soja hoje no mercado interno americano está US$ 2 acima de Chicago", completa.
Safra Nova - Apesar do suporte que os vencimentos de mais curto prazo encontram, os mais distantes sentem a pressão negativa das boas expectativas de uma safra cheia nos Estados Unidos.
A temporada 2013/14 deverá contar com mais de 90 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos, de acordo com as primeiras estimativas, e nem mesmo o atraso do plantio em função do clima desfavorável têm prejudicado as projeções por enquanto. Os trabalhos de campo estão no início e na tarde desta segunda o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) atualiza seus números sobre a evolução da semeadura.
"Escassez de produto, de oferta disponível, e atraso do plantio da nova safra são os temas mais recorrentes da semana e devem continuar sendo daqui para frente", diz o economista da Granoeste Corretora de Cereais, Camilo Motter.
Assim, ao menos nos contratos mais distantes, o mercado deverá continuar registrando intensa volatilidade, já que há muitas indefinições sobre o andamento do clima durante o desenvolvimento da nova safra. "Um fato evidente disso é que a posição novembro, referência para a safra norte-americana, subiu 10 pontos na última semana, enquanto o julho subiu 50, alargando ainda mais o spread que existe entre a safra velha e a safra nova. Isso é muito típico de momentos em que você tem uma escassez de oferta da safra momentânea e uma expectativa de safra boa pela frente", completa o economista.
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