DA REDAÇÃO: Paralisações dos caminhoneiros impactam o agronegócio brasileiro

Logística: Paralisações nas estradas podem trazer grande impacto para o agronegócio. O frete é item significativo no custo do escoamento da safra. Altos valores do frete e restrições em infraestrutura no país, situação que afeta a rentabilidade dos transportadores.
Publicado em 01/07/2013 13:02 | Atualizado em 01/07/2013 17:34

Os caminhoneiros realizam manifestações em várias rodovias do país nesta segunda-feira (01). A expectativa é que a paralisação dos transportadores brasileiros dure 72 horas. O setor protesta contra os altos preços do óleo diesel e as elevadas tarifas de pedágios.

Segundo o Coordenador de Infraestrutura Logística da Fundação Dom Cabral, Paulo Resende, a situação impacta o agronegócio brasileiro, uma vez que o frete é um item significativo no custo do escoamento da safra. “Temos uma equação complicada, que é o aumento no valor do frete com tendência de continuar, juntamente com a restrição de infraestrutura cada vez maior”, afirma.

O cenário também impacta o rendimento dos transportadores brasileiros. Por outro lado, a expectativa é que os problemas continuem, já que nenhuma medida foi tomada para modificar a situação de infraestrutura e logística da safra anterior. Os problemas são os mesmos, insuficiente capacidade de armazenagem, dependência do modal rodoviário e situação nos portos brasileiros.

Na visão do coordenador, uma das soluções para os impasses do setor seria aumentar a capacidade de armazenagem na origem. “Temos tecnologia e capacidade, precisamos de incentivo e financiamento para aumentar a capacidade de armazenagem. Hoje, os produtores têm que escoar a produção o mais rápido possível e quando faz isso, superlota o sistema logístico de transportes, criando as famosas filas e aumento no valor do frete”, explica Resende.

Se houvesse investimentos nesse setor, os agricultores do país poderiam trabalhar com os preços de forma melhor, aumentando as margens de lucros e comprando o transporte sem muita pressão. Além disso, o coordenador destaca que nos corredores logísticos de escoamento da safra no Brasil, há uma concentração de grandes volumes em poucos corredores, cujo destino é Porto de Santos e Paranaguá.

“Se o Governo incentivar a oferta de transportes nesses corredores poderá garantir uma oferta maior. As soluções para os problemas se aproximam de uma solução de guerra, o ideal seria que tivéssemos a solução com tranqüilidade. O Brasil deixou de planejar o seu futuro há muito tempo. Produtores devem contratar o frete o mais rápido possível, pois esse ano os valores podem apresentar um aumento de até 20%”, ressalta Resende.

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