DA REDAÇÃO: Soja – Produtores devem aproveitar taxa de câmbio valorizada e altos preços em Chicago, destaca analista

A manifestação dos caminhoneiros vai chegando ao fim, mas uma greve dos portos é anunciada para a próxima semana, em um ano complicado em termos de logística, que já contou com perdas gigantescas. Greve é legítima, mas não traz benefício para o setor do agronegócio e pode causar problemas nos prêmios de exportação.
Publicado em 04/07/2013 13:43 | Atualizado em 04/07/2013 16:23

Nesta quinta-feira (04), a Polícia Rodoviária Federal informou que não há mais interdições nas rodovias brasileiras. Os caminhoneiros estavam bloqueando as principais estradas do país desde a última segunda-feira (1). Entretanto, uma nova greve dos portos já foi anunciada para a próxima semana.

De acordo com o analista de mercado da Safras & Mercado, Flávio França, a manifestação dos transportadores não trouxe benefícios para o  setor do agronegócio e pode prejudicar os prêmios de exportações. Este ano, tantos os produtores como os exportadores já registraram prejuízos devido à ineficiente logística brasileira.

“É legítimo todos devem buscar os seus direitos. Eu não apostaria que essa variável se transforme em uma onda, pois poderia atrapalhar os embarques. Ainda há muitos embarques acontecendo, estamos batendo recordes mensais consecutivos de saída de soja e farelo, e temos o milho. Então seria ruim uma paralisação, já que sofremos com as perdas dos prêmios de exportações em função do atraso no escoamento da nossa safra de grãos”, explica o analista.

Por outro lado, a alta do dólar frente ao real tem sido favorável aos exportadores do país. Para o analista, com a alta nos preços em Chicago somado à taxa de câmbio valorizada, os produtores rurais devem aproveitar a oportunidade para participar do mercado. Já que no segundo semestre, o mercado internacional dá sinais de as cotações podem recuar.

Além disso, o Governo brasileiro já está tomando medidas para conter a alta da moeda norte-americana. “Então a nossa recomendação é que um pico de preços precisa ser colocado no bolso, tem que realizar e há essa grande preocupação de um mercado mais acomodado no segundo semestre”, orienta França.

Em contrapartida, se a valorização do dólar é favorável às exportações, por outro lado, encarece às compras de insumos e fertilizantes. Segundo levantamento do Cepea, o pacote de insumos e defensivos está de 8% a 10% mais caro. Os números ainda estão em formação, mas a expectativa é que haja um aumento entre 5% a 10%, mas já é algo esperado pelo mercado por conta da ligação dos produtos com a taxa de câmbio, conforme destaca o analista.

USDA – O analista sinaliza que os relatórios do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) balizam o mercado internacional, apesar da desconfiança do mercado em relação aos números divulgados pelo órgão. No último boletim, o departamento reportou os números de estoques trimestrais dos Estados Unidos e área plantada da safra nova.

França relata que os números do milho surpreenderam os investidores, uma vez que era esperada uma diminuição na área cultivada em função das adversidades climáticas que prejudicaram o início do plantio do cereal. No entanto, o número foi de 39,42 milhões de hectares, contra 38,58 milhões esperados pelo mercado.

“Agora é clima, no mesmo período do ano passado, nós tínhamos 4 relatórios semanais relatando a piora nas lavouras de soja e milho. O momento este ano é o oposto de 2012, temos bom índice de umidade e as condições das plantações melhoram a cada semana, por isso, temos a preocupação com o perfil dos preços para o final do ano”, diz França.

Ainda na visão do analista, os preços tanto de soja como de milho devem ser manter mais altos até meados do mês de agosto. Os futuros das duas commodities ainda encontram sustentação na oferta restrita nos EUA. As cotações no mercado físico do país também permanecem elevadas, e são maiores do que as registradas no ano passado.

Mas a expectativa é que a partir de setembro essa escassez de produto chegue ao fim, com o avanço da colheita da nova safra norte-americana. E caso não haja nenhuma intempérie climática na produção dos EUA, os produtores brasileiros terão esse período para negociar os cerca de 20% da safra que ainda não foi vendida, segundo acredita o analista.

No caso do milho, o Brasil deve colher uma safra do cereal maior do que a da soja e o mercado não têm capacidade de absorver o excedente da produção. “Não vamos conseguir exportar e nem consumir tudo isso, portanto, todo o negócio que aparecer em relação à exportação temos que absorver. O mercado deve caminhar em Chicago para níveis médios, apenas voltando para a realidade, após três anos de preços muito elevados”, finaliza o analista.

Já segue nosso Canal oficial no WhatsApp? Receba em primeira mão as principais notícias do agronegócio
Seguir canal

0 comentário