DA REDAÇÃO: Nos EUA, mercado aguarda divulgação do relatório do USDA nesta próxima quinta-feira (11)

Grãos: Incerteza climática nos EUA e espera pelos números do USDA tiram direcionamento do mercado na sessão desta quarta-feira (10). No mercado interno, pressão para a soja vem com a lentidão do fluxo de vendas ocasionado pelos gargalos logísticos; no milho, colheita da safrinha pesa sobre os preços.
Publicado em 10/07/2013 11:38 | Atualizado em 10/07/2013 13:17

Nesta quarta-feira (10), o pregão eletrônico na Bolsa de Chicago encerrou em terreno misto frente a um mercado um pouco sem direcionamento, aguardando a divulgação do relatório de oferta e demanda do USDA nesta próxima quinta-feira (11).

No início desta semana o mercado teve altas expressivas na Bolsa de Chicago devido à finalização do plantio nos EUA e a indicação climática que atua diretamente nos preços. Para amanhã (11), o mercado espera um relatório com alguns ajustes nos dados de produção frente às novas projeções da área de plantio para a soja, o milho e o trigo. No entanto, os números para a produtividade e para os estoques finais não devem ter alterações, com exceção do milho, que pode ter alguns cortes nos estoques.

“O mercado teve uma alta e hoje (10) está mais calmo aguardando o posicionamento dos traders. Se o relatório vier neutro, os boletins climáticos do meio-oeste norte-americano serão o grande vetor dos preços até o fim de agosto e começo de setembro”, afirma Camilo Motter, da Granoeste Corretora de Cereais.

Neste momento, o clima nos EUA está com temperaturas elevadas e falta de chuvas na parte oeste do país, enquanto na região leste há excesso de chuvas. Daqui para frente, o mercado estará bastante sensível às perspectivas climáticas em razão dos baixos estoques e se as indicações fugirem do normal, vão refletir diretamente nos preços.

A China, maior produtor mundial de grãos, passou por alguns problemas na safra e se mais dificuldades acontecerem, o país deverá importar um grande volume, o que também irá refletir nos preços, já que a demanda da china é constantemente grande e aquecida.

Mercado Interno: Os negócios para a soja seguem de maneira lenta, mas já avançados para a temporada, com cerca de 80% da safra comercializada. No entanto, o escoamento desse produto já comercializado está bastante lento.

De acordo com Camilo, nesta última terça-feira (9), no Porto de Paranaguá (PR), carregaram um navio com 114 dias de atraso, o que implica em multas para o exportador e é extremamente negativo na formação dos preços: “Se o Porto de Paranaguá estivesse com o carregamento normal, o preço estaria em torno de R$ 74,00/saca, mas com o atraso o preço está em R$ 70,00/saca”.

A questão logística no Brasil está atrofiando o escoamento da produção, porém, como os preços estão altos neste momento devido ao bom desempenho internacional e a valorização do câmbio, esses transtornos acabam sendo absorvidos sem questionamento. Camilo afirma que esses problemas também terão implicações para a safra nova, uma vez que os portos não terão melhorias significativas até lá.

A dificuldade de escoamento já implica de forma negativa na formação dos preços do milho neste momento, que poderiam ser mais competitivos. “O maior problema do país não é a armazenagem, temos um bom volume físico para isso, a grande dificuldade é a vazão nos portos, rodovias e ferrovias, porque grande parte do produto vendido não é escoado com rapidez e ocupa espaço nos armazéns”, diz Camilo.

Na manhã desta quarta-feira (10), o preço da soja no Porto de Paranaguá está entre R$ 69,50/saca e R$ 70,00/saca. No oeste do Paraná (PR) os preços estão em torno de R$ 65,00/saca.

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