Funai expulsa índio da Raposa Serra do Sol por prática de agricultura privada

Publicado em 23/10/2013 09:58

O índio Janegildo Lima Barros e sua família estão sendo expulsos da reserva Raposa Serra do Sol pela FUNAI (Fundação Nacional do Índio) por praticar agricultura privada e não comunitária. Ainda conforme a Procuradoria Federal, "o Sr. Janegildo estará impedido de permanecer na reserva indígena Raposa Serra do Sol por manter caráter produtivo contrário aos postulados pelas demais comunidades circunvizinhas que possuem o caráter produtivo comunitário e não privado, como praticado pelo notificado". 

A entidade divulgou uma notificação extrajudicial dando o prazo de 30 dias ao indígena, e permitindo que ele leve seus pertences pessoais, bem como seu animais - gado, cavalares, caprinos, equinos e galináceos. A notificação diz que Barros está sendo obrigado a se retirar da área por "não possuir condições/qualidades de indígenas ante as explicações e das provas existentes na Ação de Inventário". 

Nesta quarta-feira (23), após quatro anos, o julgamento que demarcou de forma contínua as terras da Raposa Serra do Sol será retomado pelo Supremo Tribunal Federal. O objetivo será o de analisar recursos apresentados contra a decisão. 

O julgamento será transmitido, às 14h, AO VIVO, pela TV Justiça e também pelo site Notícias Agrícolas. 

No link abaixo, veja a íntegra da Notificação Extrajudicial

>> Notificação Extrajudicial - Janegildo Lima Barros - Raposa Serra do Sol

No Diário do Sudoeste: STF retoma julgamento da reserva Raposa Serra do Sol nesta quarta (23)

Quatro anos após o julgamento que demarcou de forma contínua as terras da reserva indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, o STF (Supremo Tribunal Federal) retoma hoje (23) o caso  e analisará recursos apresentados contra a decisão. 

Considerado histórico pelos ministros que participaram do julgamento em março de 2009, a demarcação contínua e a retirada de não índios da reserva resolveu uma polêmica iniciada durante o governo FHC (1994-2002), quando a área foi demarcada. 

A reivindicação dos índios, do uso exclusivo da terra, durou quase 30 anos. Na atual etapa do processo, o Estado de Roraima, produtores rurais, indígenas e o Ministério Público apresentaram recursos questionando principalmente as condicionantes definidas pelo STF quando assegurou a demarcação do território. 

De acordo com o ministro Luís Roberto Barroso, atual relator do caso em substituição ao ex-ministro Ayres Britto, já aposentado, um dos pontos principais a ser debatido é se as condicionantes serão aplicadas somente para a Raposa Serra do Sol ou também para as demais reservas indígenas demarcadas. 

Leia a notícia na íntegra no site do Diário do Sudoeste.

Nota Oficial da CNBB: Bispos católicos esperam que STF decida contra os produtores rurais no julgamento da Raposa Serra do Sol

No Blog Questão Indígena

O Conselho Permanente dos Bispos da Igreja Católica reunidos na Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), divulgou nesta terça-feira, 22 de outubro, nota em que manifesta sua confiança na decisão contra os produtores rurais no julgamento dos embargos declaratórios da petição 3388/RR sobre a Raposa Serra do Sol. O julgamento será realizado nesta quarta, 23, pelo Supremo Tribunal Federal.

De acordo com a nota assinada pelo Cardeal Raymundo Damasceno Assis, Arcebispo de Aparecida e Presidente da CNBB, por Dom José Belisário da Silva, Arcebispo de São Luís e Vice-presidente da CNBB e por Dom Leonardo Ulrich Steiner, Bispo Auxiliar de Brasília e Secretário Geral da CNBB, os bispos confederados "se unem aos povos indígenas e manifestam sua confiança numa decisão, por parte da Suprema Corte, que lhes seja favorável". Ainda segundo os bispos católicos, "é urgente confirmar a disposição do Estado brasileiro em pagar definitivamente a histórica dívida com os indígenas, acumulada ao longo dos séculos".

"Espera-se, portanto, ouvir do Supremo Tribunal Federal, de forma inquestionável, que as condicionantes não podem ser impostas aos povos indígenas do país, como pretende a Portaria 303 da Advocacia Geral da União-AGU", conclui a nota da CNBB.

Íntegra da Nota: 

Nota da CNBB sobre o julgamento das condicionantes da Terra Indígena Raposa Serra do Sol

As populações indígenas do Brasil vivem a expectativa do julgamento, pelo Supremo Tribunal Federal-STF, dos embargos declaratórios que questionam as 19 Condicionantes fixadas na decisão da Petição 3388/RR que, em 2009, declarou constitucional a demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em favor das etnias Macuxi, Wapichana, Taurepang, Patamona e Ingaricó.

O Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, reunido em Brasília, se une aos povos indígenas e manifesta sua confiança numa decisão, por parte da Suprema Corte, que lhes seja favorável. É urgente confirmar a disposição do Estado brasileiro em pagar definitivamente a histórica dívida com os indígenas, acumulada ao longo dos séculos.

O STF, quando provocado, tem reconhecido e consolidado os direitos indígenas, dando segurança jurídica nos processos de demarcação e delimitação promovidos pelo Poder Executivo. Decisões importantes têm posto fim aos conflitos e garantido a paz social como o julgamento da Petição 3388/RR.

Lamentamos as insistentes iniciativas legislativas e administrativas, que ameaçam os direitos territoriais destes povos, estabelecidos na Constituição Brasileira. A efetivação do seu direito às terras tradicionais e o respeito à sua cultura são condição essencial para que vivam com dignidade e em paz.

O julgamento dos embargos de declaração enseja oportuna ocasião ao Supremo Tribunal Federal de consolidar um marco de segurança dos direitos dos povos indígenas, garantindo que estes possam administrar e gerir seus territórios conforme seus próprios projetos de vida.

Espera-se, portanto, ouvir do Supremo Tribunal Federal, de forma inquestionável, que as condicionantes não podem ser impostas aos povos indígenas do país, como pretende a Portaria 303 da Advocacia Geral da União-AGU.

Brasília-DF, 22 de outubro de 2013.

Cardeal Raymundo Damasceno Assis

Arcebispo de Aparecida

Presidente da CNBB

Dom José Belisário da Silva

Arcebispo de São Luís

Vice-presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner

Bispo Auxiliar de Brasília

Secretário Geral da CNBB

Já segue nosso Canal oficial no WhatsApp? Receba em primeira mão as principais notícias do agronegócio
Seguir canal

2 comentários

  • JOAO AUGUSTO PHILIPPSEN Santo Augusto - RS

    Vejam senhores o pensamento destes imundos da funai, enquanto eles estão em seus escritórios com A/C os primitivos devem viver como animais, lutando pela sobrevivência com a natureza. E a igreija católica em?....sou católica praticante e não diminuirei minha fé, mas se cair a igreija que cáia, me entenderei com um senhor que é infinito em bondade, portanto um democrata. Sei tambem que o penssamento destes que são a elite católoca (bispos, etc...)não vem de encotro com o penssamento dos paroquianos, nem padres (a não ser os vermelhos). Gostaria de ver se aos domingos existe em alguma missa indios, sem terra e petista (estes ultimos porque ja se acham os representantes do próprio), quem esta la é na maioria agricultores (grandes, médios e pequenos), comerciantes e funcionários de setores diversos. Ja esqueceram da inquizição, estão a praticar novos crimes com estes atos.

    0
  • Lino Gaspar Rocha Aguiar Rio Paranaíba - MG

    Os indios não estão na idade da pedra, como no iniciou da colonização no Brasil. Eles precissam de tudo que os brasileiros ( alias eles são brasileiros) , necessitam. Saude , edução, energia elétrica, transporte , alimentação, crédito rural, ordem e progresso. Lamentável a possição da CNBB, que criminaliza o trabalho e a produção, vocação humana. Estamos vivendo tempos difeicis, cumpre-se a professia do Apostolo Paulo, revelada a Timoteo. Levamos seculos para formar um só povo e agora o dividimos para que o homem não faça uso da sua nobre vocação. BUSCAR O PÃO DE CADA DIA, COM O SUOR DO SEU ROSTO.

    0