DA REDAÇÃO: Em longo prazo, Brasil poderá ser grande fornecedor de alimentos para a China
Nesta terça-feira (12), o Comitê Central do governo chinês publicou um comunicado afirmando que está fazendo uma nova transformação no país. A China irá oferecer ações das suas empresas para o mundo participar das suas riquezas e, na parte da agricultura, irá transferir 300 milhões de pessoas do campo para as cidades até o ano de 2020. O objetivo é fazer com que essas pessoas possam comer mais, aumentar a mão de obra para os manufaturados chineses e ainda abrir espaço para as terras férteis da China, aumentando a produtividade e garantindo a segurança alimentar do país.
De acordo com o Diretor da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China, Kevin Tang, a China precisa ser mais eficiente e ter um melhor aproveitamento das suas terras que são limitadas e também dos seus recursos escassos de água. Com um grande número de pessoas migrando do campo para as cidades, o crescimento do PIB do país fará com que as pessoas não só comam mais, como também comam melhor. Assim, os chineses irão querer mais carne e alimentos com maior intensidade de água ou de energia e nisso o milho e outros grãos estão encaixados.
Alguns analistas afirmam que essa transformação chinesa será fundamental para fazer com que a produção brasileira não seja apenas baseada na soja, mas também no milho. No entanto, Tang diz que não afirmaria que a China fará com que o milho seja tão importante quanto à soja: “Atualmente, a China é o segundo maior produtor de milho do mundo, produzindo 210 milhões de toneladas, e ela não importa milho na mesma quantidade da soja, então em longo prazo a tendência é que a importação de milho cresça, mas em um ritmo lento, com isso até que a importação de milho atinja o mesmo volume de soja levará algum tempo”.
No entanto, de qualquer maneira, esse é um sinal importante porque o consumo de milho irá aumentar bastante e o Brasil é o país mais preparado para atender esse aumento de demanda, apesar dos EUA já ter uma tradição e experiência de venda de milho para a China, o Brasil, pouco a pouco, pode sim ocupar uma posição de maior destaque.
O Ministério da Agricultura do Brasil também tem o objetivo de abrir novos mercados para carnes e também para o suco de laranja e café, com a expectativa de uma maior demanda da China. Segundo Tang, isso é parte do cenário e um retrato muito importante de um novo estágio de crescimento chinês, cujo modelo desejado para o país, até pela questão ambiental, é que se torne uma economia mais limpa, eficiente e mais voltada para o consumo. Assim, com esse batalhão de pessoas que migrará do campo para a cidade e precisará comer melhor, a China buscará uma fonte para esses alimentos e o Brasil está em uma posição privilegiada para atender essa demanda.
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