Soja recua na CBOT com avanço do plantio na América do Sul
O mercado internacional de grãos opera de lado nesta terça-feira (19). Os negócios na Bolsa de Chicago não contam com muitas novidades para exercer movimentos mais expressivos, principalmente com a colheita nos Estados Unidos se encaminhando para a fase final, tanto na soja quanto no milho, segundo mostrou o relatório de de acompanhamento de safras que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulgou no final desta segunda-feira (18).
De acordo com o boletim, a colheita da soja já está concluída em 95%, contra 91% da semana anterior, e a de milho evoluiu de 84 para 91%. A colheita de milho está um pouco adiantada em relação à média dos últimos 5 anos, que foi de 86% de conclusão, para o período. Já a soja está um pouco atrasada – nos últimos 5 anos, a média de conclusão de colheita para o período foi de 96%.
"E os principais estados do Meio-Oeste americano, Iowa e Illinois, que foram atingidos pelos tornados do domingo, já estavam com 99% da área colhida, ou seja, não há mais lavouras e esses tornados causaram pouco impacto na agricultura. Então, mercado bem calmo hoje", explicou Vlamir Brandalizze, consultor da Brandalizze Consulting.
Porém, na tarde de hoje, a soja acentuou suas perdas e, por volta de 15h20 (horário de Brasília), os vencimentos mais negociados perdiam entre 8,50 e 14,25 pontos. Enquanto isso, milho e trigo ainda exibiam ligeiras altas, próximos da estabilidade. Para alguns analistas, as perdas mais intensas na sessão regular desta terça se dá em função do clima favorável ao plantio da soja no na América do Sul.
Ainda de acordo com Brandalizze, concluída a safra norte-americana, o mercado deverá se voltar para o andamento e desenvolvimento das lavouras na América do Sul, principalmente no Mato Grosso, maior estado brasileiro produtor de soja. "A maior parte do Brasil já está com o plantio bastante avançado, as lavouras onde foram plantadas estão em boas condições, no MT estão entre boas excelentes, o impacto de pragas e doenças ainda é pouco significativo, então isso o mercado vê com tranquilidade. As lavouras começam a entrar em fase de floração e não tem problemas sanitários, o que indica que vem uma safra grande do Brasil".
Mesmo diante desse quadro de pequenas correções técnicas e de boas expectativas para a produção sulamericana, o mercado ainda encontra bastante suporte nos fundamentos de oferta e demanda, principalmente em função da situação de uma possível escassez de soja nos Estados Unidos. As exportações norte-americanas acontecem em ritmo bastante aquecida, há apenas 5 milhões de toneladas para ainda serem comercializadas pelo país do total projetado para exportação e a demanda chinesa está estimada em 10 milhões de toneladas a mais do que a registrada no ano passado.
Frente a isso, produtores norte-americanos continuam mais contidos em suas vendas, esperando uma alta dos preços mais adiante e, consequentemente, melhores momentos de comercialização. Dessa forma, a oferta disponível acaba ficando "reduzida", e atuando, portanto, como um outro fator de suporte para as cotações. Confirmando esse momento de uma demanda extremamente aquecido, ontem o USDA reportou os embarques semanais da soja bem acima da média.
"O produtor espera que isso reflita em cotações melhores para a soja em Chicago, e também prêmios mais favoráveis nos Estados Unidos, para valorizar ainda mais a soja que existe para ser comercializada. E isso acontece também no milho. O produtor está vendo que as cotações abaixo de US$ 4,50 são muito baixas, e espera que os níveis melhorem, ou pelo menos que os prêmios alcancem patamares melhores para compensar esses níveis de cotações", diz Brandalizze.
Nesta terça-feira, os futuros do milho trabalham com ligeiros ganhos em Chicago, tentando se manter do lado positivo da tabela e tentando também consolidar uma recuperação depois da expressiva baixa de ontem. O mercado vem sendo pressionado pela possibilidade da redução do mandato do etanol nos EUA, o que implicaria na utilização de um menor volume do grão para a produção do biocombustível.
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