DA REDAÇÃO: No RS, quebra na safra de milho pode chegar a 30% com falta de chuvas

Soja: Chuvas chegam ao Rio Grande do Sul nas últimas semanas e lavouras de soja se desenvolvem bem no estado. Seca nos meses anteriores, porém, pode ocasionar perda de 10% na safra gaúcha. Já no milho, a situação é mais crítica e plantações queimaram com o sol intenso. Assim, produção do estado deverá ser 30% menor.
Publicado em 06/01/2014 10:33 | Atualizado em 06/01/2014 16:32

As chuvas que chegaram recentemente ao Rio Grande do Sul foram bastante favoráveis para as lavouras de soja, que vinham sendo castigadas pela estiagem. As precipitações que caíram no estado foram regulares e bastante volumosas, e chegaram em um importante momento de desenvolvimento das plantações. 

Porém, apesar dessa melhora, as perdas na safra de soja gaúcha, segundo Dilermando Rostirolla, presidente da Associação dos Cerealistas do Rio Grande do Sul, podem chegar a 10% no total. Até o momento, a produtividade está estimada, em média, em 50 sacas por hectare, um pouco menor do que o registrado na safra anterior.

Rostirolla relata ainda um expressivo aumento nos custos de produção, com gastos maiores nos adubos, no combustível, nos fungicidas e inseticidas. "O produtor está colocando mais tratamento, principalmente agora, com a Helicoverpa e as outras lagartas. Então, a situação do ano passado era melhor do que a que estamos vivendo nesse momento", diz. 

Além das pragas, os produtores do Rio Grande do Sul sofrem também com a presença da ferrugem asiática, e o presidente da Associação dos Cerealistas afirma que o tratamento vem sendo feito com intensidade para evitar que a doença se alastre e prejudique ainda mais a produção. 

Milho - Ao contrário da soja, os benefícios trazidos para a soja pelas chuvas não chagaram às plantações de milho e as perdas na produção do estado podem chegar a 30%. "O milho levou um sol de 38ºC, 40ºC, ficou muito tempo sem chuvas e queimou. São danos irreversíveis", diz Dilermando Rostirolla. 

Muitos produtores estão optando até mesmo por eliminar suas lavouras, passando a grande para a produção de silagem, dada a perda de qualidade. E esse quadro já aproxima as perspectivas da necessidade da importação de milho por parte dos produtores gaúchos. 

"O estado vai precisar de 6 milhões de toneladas de milho e eu acredito que não chegaremos a 4 milhões produzidas. Teremos que importar de outros estados mais de 2 milhões de toneladas para atender nossa demanda", acredita o presidente da associação. 

Mercado - No mercado interno do Rio Grande do Sul, os produtores, tanto de soja, quanto de milho, e até mesmo de trigo, vêm segurando suas vendas com expectativas de melhores momentos de comercialização. A oferta de milho deverá ser bastante restrita, no caso da soja, os estoques norte-americanos estão em níveis muito baixos e essas duas condicionantes estimulam esses movimentos por parte dos agricultores de ambas as culturas. 

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