Com ajuste entre oferta e demanda nos EUA, soja fecha em alta
Nesta quinta-feira (13), os futuros da soja reagiram na Bolsa de Chicago após três sessões consecutivas de perdas expressivas essa semana. O mercado recuperou o fôlego voltando aos seus fundamentos, principalmente nos estoques norte-americanos que estão historicamente apertados e uma demanda muito forte pelo produto dos Estados Unidos.
O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) reportou seu novo boletim de exportações semanais e, na semana que terminou no dia 6 de março, as vendas de soja totalizaram 113,5 mil toneladas. Na semana anterior, o volume foi de 772,7 mil toneladas. Da temporada 2014/15, o total das vendas foi de 776,9 mil toneladas e, somado ao total da safra atual ficou acima do esperado pelo mercado, que apostava em algo entre 100 mil e 675 mil toneladas.
Como explicou o analista de mercado Marcos Araújo, da Agrinvest, com esse volume divulgado nesta quinta, o total de soja norte-americana já comprometida chega a 44,26 milhões de toneladas, contra a última estimativa do USDA de 41,64 milhões de toneladas.
Esses números acabam, ainda como explicou Araújo, mantendo a tendência positiva para os preços, uma vez que reforçam e agravam o ajuste no quadro de oferta e demanda. Além disso, esse é um momento em que o consumo deveria estar se deslocar aos poucos para a América do Sul, como tradicional e sazonalmente acontece.
"O mercado vinha em alta desde 2 de janeiro, em uma tendência altista. Mas os fundamentos não mudaram muito, continuam altistas, mas, há momentos em que os investidores e especuladores, que não lidam com o físico, aproveitam esses momentos para garantir lucros", diz Steve Cachia, analista de mercado da Cerealpar.
Completando o cenário, o mercado passa a observar também a menor safra que virá da América do Sul, principalmente por conta das perdas na produção brasileira em função de condições climáticas adversas. A Conab (Companhia Nacional Abastecimento) reduziu em 5% sua estimativa para a produção, passando de 90,01 milhões de toneladas para 85,4 milhões de toneladas.
"O Brasil terá uma safra menor, os estoques nos EUA estão historicamente apertados e para o quadro ficar baixista são necessários números elevados, porque até a entrada da safra americana em setembro de 2014, a situação da oferta não está confortável, diz Cachia.
Milho - Os preços do milho fecharam o pregão desta quinta-feira (13) em queda na Bolsa de Chicago. As baixas, no entanto, foram pouco expressivas e refletiram um movimento de realização de lucros e também de vendas mais significativas por parte dos produtores norte-americanos.
Segundo analistas, nos Estados Unidos, os agricultores estão procurando aliviar os seus estoques, aumentando suas vendas, além da disponibilidade de milho no mercado e, ao mesmo tempo, se preparando para o plantio da safra 2014/15.
As exportações semanais norte-americanas, das duas safras - 2013/14 e 2014/15 - divulgadas nesta quinta-feira (13) ficaram dentro das expectativas do mercado. O volume total foi de 787 mil toneladas, enquanto se esperava algo entre 500 mil e 1,3 milhão de toneladas.
A demanda ainda forte e expressiva pelo grão norte-americano confirma fundamentos também positivos para esse mercado, ao menos no curto prazo, e também dão suporte aos preços nesse momento, limitando as baixas no pregão desta quinta.
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