Negociações para exportação de carne bovina aos EUA avançam com vinda de missão ao Brasil. Mas aprovação ainda esbarra em questões políticas

Negociações para exportação de carne bovina aos EUA avançam com vinda de missão ao Brasil. Mas aprovação ainda esbarra em questões políticas
Publicado em 30/10/2015 11:20

O Brasil e os Estados Unidos retomaram as negociações para o comércio de carne bovina in natura. Segundo embaixadora norte-americana, Liliana Ayalde, uma missão virá ao país em novembro para iniciar as inspeções que são consideradas um passo importante para a abertura efetiva do mercado ao produto brasileiro.

Apesar dos elogios da embaixadora quando a proposta brasileira de criação de um grupo de trabalho para melhorar a avaliação de riscos sanitários e fitossanitários nas Américas, o diretor técnico da Informa Economics FNP, José Vicente Ferraz, afirma que a liberação do comércio de carne deve embarrar em questões políticas internas dos EUA.

"Os produtores norte-americanos tem consciência de que a carne bovina brasileira é muito competitiva e tem condições de penetrar no mercado americano, o que certamente traria algum prejuízo para eles", explica Ferraz.

A exemplo do que aconteceu com a liberação do suco de laranja brasileiro, a carne bovina 'in natura' enfrentará grandes dificuldades para  conquistar o mercado norte-americano, mas Ferraz considera que a liberação, mesmo que demorada, deve acontecer.

Em se consolidando esse mercado, a tendência é que as exportações brasileiras tenham uma elevação significativa. Além disso, os Estados Unidos tem uma peculiaridade que "por habito alimentar eles consomem muito mais carne de dianteiro - que é usada em industrializados - do que de traseiro, ao contrário de praticamente todo o resto do mundo", destaca o diretor.

Diante desse cenário, a abertura do comércio com os EUA deve escoar o sobra de produto dianteiro que tem mais dificuldade para ser exportado. Outro fator positivo é que os Estados Unidos, por terem padrões rigorosos fitossanitários, servem de referência para os outros países realizarem suas relações comerciais. Por isso, "abrir o mercado americano, também possibilitará a abertura de outros mercados interessantes para o Brasil", considera Ferraz.

Exportações

Desde o inicio deste ano, as exportações de carne bovina 'in natura' estavam bem abaixo dos volumes embarcados no mesmo período do ano passado. No entanto, com a subida do dólar as vendas externas começaram a mostrar uma recuperação a partir de setembro.

Em outubro, até a terceira semana, o volume de carne bovina in natura embarcado foi de 5,29 mil toneladas por dia, que equivale a 15,8% mais que o volume vendido diariamente em setembro, e 7,3% mais que em outubro do ano passado.

"A tendência é que tenhamos volumes crescentes das exportações até o inicio do próximo ano", considera o diretor.

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