Produtores rurais falam sobre o conflito em Caarapó-MS que resultou na morte de um índio. Muitos fatos precisam ser esclarecidos

Morte do índio teria sido consequência de atropelamento. Indígenas não teriam sido feridos em confronto para desocupar fazenda invadida
Publicado em 16/06/2016 12:40

Os produtores rurais estão questionando a versão divulgada pela grande mídia sobre o possível confronto entre fazendeiros e indígenas em uma fazenda no município de Caaparõ (MS).

Em nota, o Sindicato Rural, lamentou a distorção dos fatos, considerando que não houve imparcialidade na cobertura do acontecimento.

O fato ocorreu na terça-feira (14), quando um índio foi morto supostamente por disparo de arma de fogo e outros cinco ficaram feridos.

Segundo o presidente do sindicato rural, Carlos Eduardo M. Marquez, o proprietário da fazenda Ivú, Nelson Buanin, informou que ainda no domingo (10) um grupo de indígenas invadiu a propriedade que faz divisa com a Terra Indígena Dourados-Amambaipeguá.

Na segunda (11) Nelson e um grupo de produtores se organizaram para a remoção dos índios, que segundo Marquez, ocorreu sem nenhum tipo de agressão física.

"Revoltados, os índios interditaram a estrada que liga Caarapõ a Laguna Carapã, impedindo a passagem". Segundos relatos "um caminhoneiro que estava preso dentro da reserva se assustou, atropelando o índio", completa o presidente.

O Corpo de Bombeiros foi chamado, pedindo apoio da Polícia Militar para ir até o local, mas os militares acabaram rendidos pelos indígenas por duas horas após o pneu da viatura furar. Eles tiveram as armas de fogo e coletes tomados, a viatura queimada e três sofreram ferimentos leves.

"Eles (índios) também invadiram mais 10 propriedades ao redor da aldeia, colocando fogo no canavial e matando o gado", ressalta Marquez.

Para o presidente, os horários dos acontecimentos não coincidem, sendo praticamente impossível que o índio morto tenha sofrido disparo de arma de fogo por um fazendeiro.

Segundo o site de notícias G1 outros seis índios, entre eles um de 12 anos, foram baleados, sem a confirmação de onde vieram os disparos.

"Não conseguimos saber de fato o que aconteceu porque ninguém, sindicato ou produtores, entraram na aldeia onde realmente tudo aconteceu", explica Marquez.

Após a solicitação do governo do estadual, a Força Nacional de Segurança Pública chegou a Caarapó nesta quinta-feira (16), para conter o clima de tensão.

Já segue nosso Canal oficial no WhatsApp? Receba em primeira mão as principais notícias do agronegócio
Seguir canal

0 comentário