Soja: Mercado brasileiro inicia semana com preços estáveis, mas perspectiva positiva

O mercado da soja começou a semana no Brasil com um ritmo um pouco mais lento dado o feriado do Dia de Martin Luther King nos EUA, o que manteve a Bolsa de Chicago fechada nesta segunda-feira (20). Tanto no interior, quanto nos portos, os preços não apresentaram variações expressivas.
As referências ainda se mantêm acima dos R$ 88,00 por saca para o produto disponível nos principais terminais de exportação, enquanto nas praças de comercialização os indicativos seguem variando entre R$ 76,00 e R$ 84,00.
A falta de referência internacional para os negócios manteve os produtores focados na alta do dólar - de mais de 0,50%. A moeda americana forte continua sendo um dos principais fatores de suporte aos preços da oleaginosa brasileira ao lado de uma demanda ainda forte no país e prêmios ao menos sustentados.
Além disso, o ritmo mais lento reflete também alguma "falta de interesse" do produtor em participar mais agressivamente do mercado neste momento. Há mais de 40% da safra 2019/20 já comercializada e o sojicultor agora espera conhecer melhor o potencial da sua safra, ao mesmo tempo em que analisa as próximas oportunidades que poderão se concretizar a frente.
"O mercado da soja nesta nova semana deverá continuar mostrando negócios pontuais, porque ainda tem muito grão para ser entregue de contratos antecipados e, assim, o pouco que chegará livre estará nas mãos de produtores mais capitalizados e que mostram pouco interesse em vender neste momento", diz o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting.
O executivo explica ainda que há um leve atraso na chegada da nova safra de cerca de duas semanas em relação ao ano anterior. "Assim, a colheita forte vai se dar em fevereiro e março, fazendo com que janeiro siga com fechamentos das mãos para boca".
Há ainda a expectativa de que o mercado internacional também possa vir a registrar melhores patamares de preços na Bolsa de Chicago na medida em que as compras chinesas comecem a ser efetivadas no mercado norte-americano.
A fase um do acordo comercial entre a China e os Estados Unidos foi firmada e oficializada na última semana, porém, sem trazer muitos detalhes para o comércio da soja entre os dois países. E enquanto ações efetivas não aparecem, a competitividade da soja brasileira segue mantida e ainda trazendo importantes margens de lucro ao produtor nacional.
Leia mais:
>> Soja: Nesta safra, produtor brasileiro está no lucro, enquanto americano depende de subsídios
Mais do que exportações fortes, o mercado brasileiro conta também com uma demanda interna forte. O setor do biodiesel deverá exigir ao menos mais 600 mil toneladas de óleo de soja - ou cerca de 4 milhões de toneladas do grão - e no setor de rações, o consumo também espera crescimento diante do bom momento do setor das proteínas animais.
"Esse deverá ser um ano de esmagamento recorde e com boa valorização dos subprodutos da soja - farelo e óleo - há mais um suporte para os preços do grão", explica Brandalizze.
0 comentário
Soja recua em Chicago nesta manhã de 4ª feira, se ajustando após dias de volatilidade
Acordo China /EUA, preço do petróleo e clima na safra americana seguem no radar do mercado
Soja no Brasil avançará pouco em 26/27 e precisa de biocombustíveis no futuro, diz Veeries
Soja caminha de lado em Chicago nesta tarde de 3ª, após disparada na sessão anterior
Anec faz leve aumento na previsão para exportação de soja do Brasil em maio
Área plantada com soja no Brasil em 26/27 terá o menor aumento em 20 anos, diz Veeries