Onde tem cooperativa bem liderada, cresce a renda e a distribuição da renda, por José Luiz Tejon
Precisamos falar do crescimento do país, e em paralelo da luta contra a desigualdade. O agronegócio brasileiro como um todo tem, sim, condições de dobrar de tamanho.
Podemos e devemos ter um objetivo de buscar US$ 1 trilhão em 5 anos, com acesso a todos os mercados do mundo, não apenas com os grãos, o açúcar, as carnes, o papel e celulose, a citricultura, o café. Também com esses. Mas com fruticultura, trigo, arroz, feijão, leite, piscicultura, biocombustíveis, e a agroindústria brasileira dobrando de tamanho e construindo marcas e valor.
Qualquer plano estratégico e de negócios de “a” a “z” nas cadeias produtivas do agro revelam essa possibilidade facilmente. Mas podemos criar riquezas e não distribuir. O país pode crescer, mas os mais pobres perderem renda: 6,5% dos brasileiros vivem na linha de extrema pobreza do Banco Mundial.
As iniciativas como Bolsa Família e outros projetos assistencialistas atenuam dramas de curto prazo, mas não resolvem nada a longo prazo. E ainda correm o risco de serem utilizadas como instrumentos de propaganda política. A fórmula e o modelo de negócios para criarmos riquezas e melhorar a dignidade está na cara dos brasileiros.
No agronegócio basta comparar onde tem cooperativismo com lugares onde não existem cooperativas. Podemos ver crescimento do PIB em ambas, porém iremos ver níveis de desigualdades diferentes em ambas. Onde tem cooperativa bem liderada, cresce a renda e a distribuição da renda.
No agronegócio quando olhamos para 4 milhões de produtores rurais do país, micros e pequenos, sem acesso à assistência técnica, a única forma de dar dignidade a 80% do total dos agricultores do Brasil, chama-se cooperativismo.
E quando olhamos para as cooperativas de crédito, de táxis, de catadores de lixo, do trabalho, de saúde, de consumo, de energia, assistimos ali formulando o futuro, de um futuro que já existe aqui e agora.
O desafio do país será dobrar de tamanho o seu PIB, e o desafio da sociedade será o de diminuir a desigualdade e distribuir riqueza. Olhem para o oeste do Paraná, só para ficarmos num exemplo, e investiguem por que ali tem riqueza, progresso e níveis elevados de dignidade humana para todos.
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