PIB/Agro: Coronavírus pode pesar sobre resultados só em 2021, estimam consultores

Um possível impacto do coronavírus sobre o desempenho da produção da agropecuária brasileira deve ocorrer somente em 2021, avaliam consultorias consultadas pelo Broadcast Agro. "Se a disseminação da doença se prolongar e as exportações e os preços das commodities brasileiras caírem, esse cenário pode desestimular a produção 2020/21 e pesar sobre o PIB do setor no próximo ano. Mas este ainda não é o cenário esperado no momento", aponta o analista de Mercado da consultoria INTL FCStone, Vitor Andrioli.
Ele acrescenta que os bancos centrais das principais economias e as autoridades dos países contaminados demonstram tentativa de controle dos efeitos da doença sobre a economia mundial, podendo diminuir os reflexos negativos sobre uma desaceleração imediata. "Por isso, o efeito pode ser retardado e um impacto negativo poderia vir mais a frente", acrescenta o analista.
Para o sócio diretor da consultoria MB Agro, José Carlos Vannini Hausknecht, a epidemia pode limitar os ganhos do PIB da agropecuária no primeiro trimestre de 2020, mas não deve reverter o crescimento esperado para o acumulado do ano. "Os resultados não vão ser ruins, mas consideramos que poderiam ser ainda melhores se o cenário não incluísse o coronavírus", afirma o executivo. Segundo ele, embora a receita com as exportações brasileiras de carnes em fevereiro tenha subido em relação ao mesmo período de 2019 - aumento já previsto pela consultoria -, os problemas logísticos na China podem ter afetado os resultados, ainda que em níveis pouco significativos para o Brasil, por enquanto.
O Núcleo Econômico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) afirma que já considera o impacto adverso da desaceleração da China sobre a economia brasileira e a queda de preços das commodities agrícolas em virtude da rápida disseminação da doença em sua estimativa para 2020 que, mesmo assim, foi elevada. A entidade espera crescimento de 3,5% a 4% para o PIB Agro do acumulado do ano, ante previsão de alta de 3% feita no fim de 2019.
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