UNICA: Rompimento de contratos por distribuidoras vai causar desemprego e recessão
O mercado foi surpreendido com anúncios privados e públicos de rompimento de contratospreviamente firmados sob alegação de cláusula de força maior por distribuidores de energia e de combustíveis. Em resumo, alegam que os efeitos econômicos dapandemia do COVID-19 seria causa suficiente para desobrigá-los das aquisições de etanol e de energia elétrica, nos termos das obrigações assumidas. Aprevalecer essa lógica, as usinas não receberiam o que estava previsto e, porsua vez, deixariam de pagar milhares de fornecedores e colaboradores, gerandoefeitos impensáveis em mais de 1200 municípios brasileiros.
A União daIndústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) rechaça veementemente essa postura e, maisdo que isso, espera que esse comportamento predatório não tome o lugar danecessária solidariedade econômica que o momento exige. Tal movimento tem forçasuficiente para destruir, sem qualquer fundamento jurídico ou econômico, umaparte importantíssima da cadeia sucroenergética, que, em sua base, é formadapor milhares de produtores rurais e seus colaboradores às vésperas de uma safradesafiadora.
Sob o pontode vista jurídico, as notificações ignoram os pressupostos legais para aalegação de força maior e pretendem criar uma verdadeira licença para nãopagar. Sob o ponto de vista econômico, empresas altamente capitalizadas, comfarto acesso ao crédito nacional e internacional, pretendem transferir a elosmais frágeis as responsabilidades que competem a elas e para as quais seprepararam nos últimos anos.
Asassociadas da UNICA entendem que o momento atual exige comportamentossocioeconômicos responsáveis, abertos e inclusivos. Justamente por isso, lutarápara garantir, por todos os meios, que os contratos sejam cumpridos e, assim,contribuir para a sobrevivência do setor e daqueles que dele dependem.
1 comentário
Feplana cobra avanço da LOA e alerta para crise na cana em PE
Açúcar fecha em queda nesta 5ªfeira nas principais bolsas pressionado por produção na Índia
Antes de deixar Meio Ambiente, Marina Silva afirma que biocombustíveis são alternativa diante do conflito no Oriente Médio
Índia tem segundo déficit de açúcar consecutivo com fechamento antecipado de usinas
Setor sucroenergético avalia efeitos da Reforma Tributária sobre insumos, produção e comercialização
Cana Summit debate futuro da canavicultura com foco em mercado, etanol e geopolítica
Matteus Sanches Santa Cruz do Rio Pardo - SP
Isso demonstra como o setor sucroenergético brasileiro é frágil e dependente de políticas públicas. Quem é produtor no interior do Estado de São Paulo sabe como os usineiros foram beneficiados pelas políticas de governo para atender o setor. Eles esmagam os pequenos e médios produtores inflacionando o preço do arrendamento e depois pedem alívio para o Governo. Não gosto de desejar o mal de ninguém, mas acredito que se a política de Biocombustíveis fosse realmente bem feita, o setor não estaria em apuros. Que esta situação sirva de lição à sociedade, para que possamos aprender a lição de Nassim Taleb e desenvolvermos políticas anti-frágeis. A justificativa da proteção ao Meio Ambiente e geração de empregos não pode servir de pretexto para beneficiar somente um setor ou os "amigos do rei".