Vendas de fertilizantes e insumos foram suspensas na Argentina, plantios ameaçados
Informes recebidos hoje direto da Argentina nos dizem que, em pleno início de plantio de trigo, uma das culturas mais importantes do país, foram suspensas todas as vendas de fertilizantes e insumos em todo o território nacional, porque o governo mudou as cotações dos dólares necessários para pagar as importações desses produtos, duplicando o seu valor. E esta decisão (mais um tiro no pé, dos muitos, da administração Fernandez/Kirschner).
Em conversa obtivemos a seguinte declaração :
“Todas as operações de cobrança foram suspensas. O BCRA vai colocar o dólar CCL para importação (algo como $130/US$) Portanto, não podemos cobrar com dólar da TC BNA (algo como $ 43/US$) Cargill e LDC estão iguais.
E a Bunge emitiu essa declaração:
Estimados, Com as restrições de acesso ao mercado para câmbio, fornecidas pelo BCRA ontem, estão suspensas as vendas de Fitossanitário e Fertilizantes até o novo aviso. Contratos feitos até ontem podem ser faturados. Somente produtos já faturados, mas pendentes de retirada (pendências de retirada) podem ser enviados”.
Entendendo os tipos de câmbio
O nó do imbróglio está nos 15 tipos de câmbio existentes no país, quase um para cada produto. Até agora não havia problema, porque o mesmo câmbio usado para converter os dólares do trigo, algo ao redor de $ 51/US$, ainda que baixo, era usado também para pagar os insumos comprados em dólar.
Ocorre que a resolução do BCRA-Banco Central da República Argentina estabeleceu ontem (01/6/2020) novo valor para os dólares das importações, ao redor de $ 92,04/US$. Isto significa que o trigo negociado por barter seria vendido por $ 51 e o insumo a ser pago por $ 92,04, dobrando o custo em pesos, tornando totalmente inviável qualquer negociação.
Por isto, as Tradings estão suspendendo qualquer nova negociação de venda de insumos até nova ordem, porque, certamente, esta situação não poderá ficar assim, sob pena de não haver plantio de grãos (trigo, soja e milho) na Argentina, neste ano.
Falamos inicialmente em tiro no pé, porque o maior problema da Argentina neste momento é a falta de dólares e o novo governo, ao invés de incentivar o seu maior gerador de divisas, que é o agronegócio, faz justamente o contrário, desestimula o seu plantio.
Em nossa opinião vai haver alguma negociação, mas com certeza, a parte do leão ficará com o governo e os agricultores que decidirem assim mesmo plantar, o farão com menos tecnologia e em menor área, produzindo, assim, um volume consideravelmente menor de mercadorias. Com estas medidas, há agricultores que tinham comprado insumos e já os estão revendendo, porque o lucro é altíssimo, maior que plantar.
Especificamente no que diz respeito ao trigo, que estava tendo perspectivas de aumento de área por ser menos taxado que a soja, volta tudo à estaca zero.
0 comentário
Deputado Afonso Hamm representa a Câmara dos Deputados em Alegrete e cobra urgência para o agro na 17ª Semana Arrozeira
Paridade de exportação do milho no BR sente impacto forte de baixas em Chicago e cai para R$ 62,10/sc
Rigor sanitário fortalece posição do agro brasileiro diante de tensões comerciais internacionais
Resseguro ganha protagonismo no agro diante da escalada do risco climático e da pressão sobre o crédito rural
Seguro Rural se destaca em sete países, mas no Brasil ainda é preciso seguir recomendações, segundo estudo do FGV Agro
Lançamento de Cartilha com boas práticas agrícolas reforça preocupação do setor com cargas rejeitadas na exportação