BC não sabe até quando entesouramento pela população perdurará, diz diretora

A diretora de Administração do Banco Central (BC), Carolina de Assis Barros, disse nesta quarta-feira que a autoridade monetária não sabe precisar por quanto tempo vão perdurar os efeitos do entesouramento na economia observados desde o início da pandemia do coronavírus, no mês de março.
"Em momentos de incerteza, as pessoas tendem a fazer saques e acumular dinheiro, acumular reserva", afirmou a diretora em coletiva virtual, destacando que essa demanda maior por moeda em espécie também foi presenciada em outras economias.
Em apresentação, a diretora mencionou que entre as possíveis causas para o entesouramento no país estão a formação de reservas por pessoas e empresas e a redução do volume de compras no comércio com o isolamento social.
"O Banco Central acredita também que aqueles beneficiários do auxílio emergencial, que receberam o seu benefício em espécie, também não retornaram esse dinheiro ao sistema bancário com a velocidade que a gente esperava", completou Barros.
Ainda de acordo com a diretora, a quantidade de papel moeda em poder do público aumentou em 61 bilhões de reais entre março e julho deste ano. "O Banco Central entende que a quantidade de papel moeda em circulação é adequada para fazer frente às diferentes necessidades da população", afirmou, frisando não haver falta de numerário.
O BC anunciou nesta quarta-feira que o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou o lançamento de uma cédula de 200 reais, que terá como personagem o lobo-guará, com a previsão de entrar em circulação a partir do fim de agosto.
Questionada sobre eventual contradição entre a medida e a agenda de modernização do sistema financeiro, que vem sendo implementada pela autarquia, Barros afirmou que as ações não concorrem entre si.
"O que a gente está vendo, nesse momento, é uma demanda da população por meio circulante. É papel do Banco Central atender essa demanda por meio circulante", justificou.
A diretora também informou não haver relação entre a colocação dessa nova cédula no mercado e desvalorização do real.
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